10.1.07

andy warhol

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Devo ter gostos estranhos, mas é um bocado difícil encontrar no YouTube as músicas que procuro.
À falta da versão original (do magnífico álbum «Hunky Dory», 1971), aqui fica um registo mais recente: à saúde do sexagenário David Bowie, que me vem acompanhando por certas noites - e certos dias - há mais de 1/4 de século.
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6.1.07

post MUUIIITO optimista

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«
We in academic medicine can either choose to use our ideas to make large sums of money for small numbers of people, or to look outwards to the global community and make affordable medicines».
Professor Sunil Shaunak
Imperial College London


Um grupo de investigadores britânicos conseguiu reformular um medicamento para a hepatite C e registar a patente. Pretendem vir entrar no mercado à margem das multinacionais farmacêuticas, apostando na produção deste e de outros medicamentos reformulados, comercializados a preços inferiores. Apelam à comunidade científica para que deixe de lhes vender as suas ideias. [BBC News]

Será que lá chegam? Conseguirão eles demonstrar que não é necessário depender dessas tentaculares empresas para a evolução do conhecimento científico ter aplicabilidade prática no mundo? Conseguiremos nós então perceber que o que pagamos a mais só serve para engordar os lucros de gigantes como a Roche, a Bayer e afins e exigir aos governantes que deixem de lhes fazer o jogo?

(Trabalhar na área da Saúde deu-me, ao longo dos anos, uma pequena noção dos inacreditáveis montantes quotidianamente envolvidos nestas coisas. E olhar para o mundo, a noção de como elas são complexas, ardilosas: verdadeiras mafias imperando à escala do planeta).
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será fenómeno matosinhense?

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Em Setembro fui inscrever a filha numa das piscinas municipais do concelho. Ficou em lista de espera para quatro horários diferentes. Que contactariam quando houvesse vaga, disseram.
Ontem resolvi ir saber como andava a coisa. Aparentemente, tinha desparecido dos registos. Se puder aguardar vou falar com o coordenador, disse a menina. Voltou pouco depois. Afinal tinha visto mal, o nome dela constava, sim senhor, e a melhor posição, entre as várias classes, era a 10ª. Mas... havia «uma vaguinha» que eu podia querer aproveitar.
Achei-me um tanto ou quanto idiota por não ter passado por lá há mais tempo (quantas «vaguinhas» não terão passado à frente ...)





Há uns quatro anos, requeri uma licença de habitabilidade aos serviços municipais. Demoraria 15 dias, disseram.
Fui lá um mês e meio depois - não estava pronta. Que tinham dito 15 dias, reclamei. Que não mandavam nada para despacho antes do requerente «mostrar interesse», explicou a menina, e que ia dar seguimento ao processo. Passados dois dias recebi um aviso para ir levantar a dita licença.

Alguém será capaz de me explicar por que razão nos obrigam a bisar as visitas aos serviços públicos antes de nos despacharem as coisas? Por que razão os funcionários perdem o seu tempo a atender duas vezes a mesma pessoa? Por que razão nos obrigam a faltar duas vezes ao trabalho para tratar do mesmo assunto? Por que razões nos fartamos de trabalhar e os níveis de produtividade do país continuam sempre a mesma tristeza?

foto: António Vasconcelos
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3.1.07

parabéns

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ao ministro da Saúde pela forma como resolveu a questão do Pedro Hispano. Não me parece que vá ter grandes problemas com a implementação do sistema no futuro.
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1.1.07

novo ano

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GOING ALONG (estudo)

«Just make it as if we go along
Head in the sky
Feet on the ground»

(David Byrne)


30.12.06

há 20 anos...

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o meu papel de fumar favorito era assim:


e trazia esta advertência:




nada aconteceu?

Época de balanços. Balanço dos balanços que vou lendo: 2006, o ano em que quase nada aconteceu.
Eu diria que, internamente, alguma coisa está a mudar:

* A progressiva aproximação das regalias do estatuto da Função Pública às dos normais cidadãos e da gestão dos organismos da Administração Pública à das empresas do sector privado, além de tendencialmente nos colocar a todos em pé de igualdade, está a contribuir para o fim de muitos dos 'quintais' que se formam nos pequenos jogos de poder internos e que tanto contribuem para o emperramento dos processos e a mão-de-obra excedentária.
(Enquanto utente da Unidade de Saúde de Matosinhos desde a sua criação, tenho oportunidade de constatar as melhorias na eficiência dos serviços - da última vez que recorri à consulta de urgência, demorei meia hora entre entrar no centro de saúde, fazer a inscrição e sair com a criança devidamente vista e medicada, sem necessidade de longas esperas em salas infestadas pelos vírus e bactérias dos outros doentes. Está bem, foi uma excepção, mas em média não se está lá mais do que uma hora.)


E que, lá por fora, se vão dando muitas voltas para que as coisas continuem cada vez mais iguais:

* Os impérios medem forças, manobram aliados, cavam trincheiras. Muita gente morre. Agudiza-se o fosso. O mundo parece ter-se assumido em universos separados, e não num esforço comum para viver em conjunto.

Sinais como as recentes polémicas e restrições quanto aos símbolos religiosos no Natal deviam ser tidos mais a sério (sobretudo quando, ao fim e ao cabo, são símbolos da semente, do nascimento, um dos ciclos naturais das coisas que as culturas humanas celebram desde sempre). Respeitar os outros passa por conviver com a diferença, entre diferenças, e isto é uma coisa que se aprende.
A ignorância é uma guerra em que ganham todos os impérios, e por isso uma das em que mais investem. E em que têm vencido uma batalha atrás da outra.

(Este blog, profundamente ateu, tem um particular fascínio por presépios. E daí?)

Postas estas pequenas reflexões,

UM FELIZ 2007!

29.12.06

a terceira margem do rio

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Milton, Caetano, Guimarães Rosa: face a este elenco, o melhor mesmo é «falar baixo, pisar leve, ver a noite dormir em silêncio».*



* Vinícius de Moraes, POEMA DO NATAL, a ler aqui.
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28.12.06

e o Porto aqui tão perto...

Todos os dias, ou quase, faço o mesmo trajecto para o trabalho: de Matosinhos ao Marquês pelo miolo da cidade. Atravesso um bairro social já antigo, em tempos idos afastado do centro, depois sucessivas zonas residenciais de luxo à altura em que são construídas - Andresas, Tenente Valadim, Damião de Góis... Onde ainda há algum espaço, o cenário é sempre assim:


Volta e meia, vou até à Baixa, qual viagem à terra de ninguém.

Caminha-se para o que é mais antigo e não há rua onde se não apresente meia dúzia de casas devolutas, entaipadas, em ruína. Aqueles mesmos edifícios que por um pormenor nos azulejos, um batente, uma sacada, faziam as delícias das nossas memórias da cidade - e as verdadeiras delícias das cidades estão nos sinais deixados pelas muitas pessoas que ao longo dos séculos lhes deram realidade e corpo.



Os amigos 'estrangeiros' estranham que eu não goste de lhes mostrar o velho burgo, mas de cada vez que a isso me aventuro acabo com a sensação de que mais alguma coisa nos está a ser roubada: o espírito de uma cidade ocupada maioritariamente pelos que lá vivem, não pelos que por lá passam apressados entre as 9 e as 7.
O Porto verdadeiramente transformado em cidade de cartão-postal às horas de tirar fotografias; pela noite, e a não ser que haja algum espectáculo, todo o centro é um deserto.



Depois, de vez em quando, saltam números. Acresce que os cerca de cem mil habitantes que abandonaram o Porto são, muito provavelmente, outros tantos cem mil a entrar e a sair da cidade diariamente.
Acresce que quem se aventura a habitar o centro as mais das vezes se arrepende, ele é o trânsito a entrar pela janela o dia todo, as crianças sem espaço onde brincar...
Acresce que a maioria das pessoas com quem eu trabalho acha um absurdo haver quem conteste que o La Féria tenha nas mãos o Rivoli, quase tão estranho quanto comprar uma casa que já tenha sido habitada anteriormente.


(a primeira imagem é do António Vasconcelos, as outras de autores desconhecidos)
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24.12.06

é natal... (5)

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Irresistíveis, os postais de Natal do Chico da Popeline, em tirem-me deste filme.
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18.12.06

SIM!

Pelas minhas amigas

que se viram interiormente mutiladas na sequência de abortos em parteiras de vão de escada, mais por falta de cultura que de dinheiro;
que em desespero de causa e de circunstância aceitaram praticar sexo com os ilustres clínicos que depois lhes fizeram as IVG;
que em situações de dependência viram as suas vidas em parte destruídas pelo aparecimento de filhos em plena adolescência;

Por mim.

(Em termos morais, políticos e filosóficos, o que eu gostaria de ter escrito sobre o assunto poderá ser lido aqui.)

17.12.06

um mundo de adolescentes

Reflexões a propósito de uma sociedade que cada vez mais se infantiliza:

«(...)Esta evolução põe em causa a autoridade, a tradição, o saber inerentes à condição de adulto ou de mestre. A inexistência da figura paterna nas sociedades actuais traz um grande problema à educação das crianças: não existe fundamento para a autoridade. E quando os sistemas clássicos de autoridade deixam de funcionar, vemos aparecer paródias de autoridades excêntricas ou pseudo-carismáticas, reconstituições mais ou menos autênticas de sistemas tidos como tradicionais, muitas vezes reinterpretações ideológicas das tradições, como o fundamentalismo.
Não é por acaso que vivemos uma época marcada por conflitos aparentemente religiosos. E corremos igualmente o risco de caminhar para sistemas de tipo ultra-repressivo, diria tecnológico-repressivos, fundados numa concepção de controlo permanente: poderes dotados de mil olhos e de grandes orelhas. O risco, quando a autoridade se dissipa, é que a vigilância ocupe o seu lugar».

Entrevista a Jérôme Bindé (UNESCO), aqui citada com a devida vénia ao Ministério da Educação por ter decidido retirar dos curricula do secundário a disciplina de Filosofia - aprender a pensar sobre o que nos acontece pode, de facto, ser uma actividade alienante e perigosa...

Para ler na íntegra:
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Vers un monde d'adolescents
LE MONDE | 16.12.06
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16.12.06

holocausto(s)



No outro lado civilizacional do globo estão uns senhores deveras feios reunidos a discutir coisas sem sentido na esperança de conseguirem dar um outro sentido ao mundo, a ver se de uma vez o encaixam nos horizontes dos seus estranhos e limitados conceitos de humanidade e ordem natural das coisas [BBC News].
Deste lado, eu gostaria de ter visto mais afinco, mais trabalho sistemático, mais interesse dos antigos aliados em divulgar massivamente os outros crimes contra a humanidade do século que passou, nomeadamente os dos milhões de pessoas igualmente assassinadas pelo regime estalinista.


Claro que é mais fácil às democracias ocidentais não ter que admitir terem-se aliado a um ditador genocida para aniquilar um outro, deixando ao primeiro a garantia de não se meterem demasiado na gestão interna do seu império.
Mas, em boa verdade, de um e de outro lado somos tão iguais nisto como em tudo não e há quem não tente manipular os factos históricos conforme pode por forma a manter uma opinião pública «informada», minimamente coesa e apoiante, garante da perpetuação dos aparelhos vigentes.

foto: trabalhos forçados num campo de concentração, URSS, anos 30

13.12.06

é natal... (3)

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via abrangente, mais uma vez.
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em atraso...

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... e só para assinalar a morte de Augusto Pinochet.
Já foi tarde.
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é natal... (2)

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As composições e recomposições familiares também dão nisto: este ano volta o Natal à casa-mãe, com cheiro a infância e mesa grande. Sabe bem.
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3.12.06

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ao antónio ramos rosa
e à joni


Define-se assim um rio
ou uma vertente
- constelação ávida de carne
e de silêncio

Nada se nos cabe, é docemente
que caminhamos sobre as coisas
e a boca é farta de pequenos vidros
que se cospem lentamente entre as palavras.

Dizemos então os dias, os verbos, as sementes
como quem sabe e se procura um fim
que quando chega já não é lugar nenhum,
e sangra.
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(1989)
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29.11.06

é natal...



... está de regresso a epidemia de peditórios!

Os eleitos da semana:

- ajudar um médico a angariar 5000€ para a trasladação de um corpo;

- prover, mensalmente, às necessidades de bens alimentares de uma instituição que alberga uma dúzia de crianças menores de 12 anos retiradas às respectivas famílias. (Ficamos a saber que entre os consumos dos meninos constam 2,5 kg de café...)

Ou me engano muito ou não tardará a estar de regresso o velho gosto pelas mesas de canasta. Mantendo-se, obviamente, o não menos velho hábito de fugir aos impostos e aos descontos por onde se consegue.

24.11.06

alexandre litvinenko

«Os autores deste envenenamento quiseram enviar uma mensagem. O polónio não tem utilizações terapêuticas e é preciso fabricá-lo. A mensagem é a seguinte: quem o administrou tinha acesso a fontes de radioactividade e queria que se soubesse que é capaz de o usar para matar. Os serviços secretos e as oficinas dos terroristas são perfeitamente capazes de encontrar produtos que não deixam qualquer vestígio.»

Pascal Kintz, director do laboratório de toxicologia Chem Tox, em Estrasburgo, citado pelo jornal «Le Monde».

amanhã

parece que vai haver poesia:


link: mais detalhes

17.11.06

a cor do dinheiro





É na Palestina, mas podia ser num sem-número de sítios por esse mundo fora. Chamem-lhe guerra, guerrilha, terrorismo, terrorismo de Estado, ponham-lhe os nomes que quiserem: eu vejo mesmo é sangue. E muito lucro entrar nos bolsos de quem à custa dele faz vida.


9.11.06

rumo a marte...

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Ignoro quem seja o autor da ideia, assim como ignoro se terá imaginado o efeito que os preparativos para as decorações de Natal iriam ter plantados bem no meio do Outono, mas o espectáculo surrealista com que me deparo todos os dias ao passar pelo parque Basílio Teles é no mínimo uma obra inusitada.









Dá-me sempre a ideia de termos colonizado outro planeta: construímos casas, parques, ruas, mas a atmosfera e o clima obrigaram-nos a manter a vegetação local. Entre ela estas árvores de gigantescos frutos prateados.






Outras vezes penso numa espécie de antevisão de um futuro mais ou menos próximo: misturem-se alterações climatéricas, chuvas ácidas & afins e quem sabe não vamos ver árvores a frutificar em enormes bolhas metálicas cheias de gases tóxicos que rebentam quando estão maduras (afinal a época é de diospiros).



[Não sei como ficará a obra acabada, mas nestes dias soalheiros vale a pena espreitar a súbita transformação operada no centro de Matosinhos. Mais aviso que é melhor ter cuidado, eu quase me esquecia de uma passadeira tal foi o impacto de levar com as bolas pela primeira vez.]


6.11.06

o estado das coisas

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Iniciei hoje o sétimo ano de sucessivos contratos a termo certo de seis meses ao serviço do Ministério da Saúde.
Sem mais conversa.


29.10.06

tarrafal, 70 anos



post dedicado a todos aqueles que ainda acham que o fascismo foi pêra doce




fosso












cela





















muro exterior e entrada