19.2.07

terceira década

a
A mesma vista, captada exactamente do mesmo ponto, em






1984


1992


2006

18.2.07

a
a primeira flor do ano no meu pequeno jardim suspenso
a

16.2.07

152 milhões de euros...

a
... é o preço oficial do novo negócio:


Um acordo entre a empresa holandesa Trafigura Beher e o Governo da Costa do Marfim isenta ambas as partes de qualquer responsabilidade criminal no caso da distribuição de resíduos tóxicos a céu aberto por várias zonas da capital comercial daquele país. Os três responsáveis da empresa que estavam detidos preventivamente pelas autoridades locais foram libertados.


Em Setembro passado, morreu cerca de uma dezena de pessoas e mais de 70.000 sofreram intoxicações na sequência do despejo das águas sujas do petroleiro Probo Koala (na imagem), que na realidade actuava como refinaria de petróleo clandestina, por várias lixeiras públicas de Abidjan. [5,5 milhões de euros...] [5,5 milhões de euros... (2)]

A quantia agora acordada servirá, claro, para 'indemnizar as vítimas' e para a construção de uma unidade de 'tratamento de resíduos'.

Também serve de barómetro para avalizar da refinação clandestina de petróleo a bordo de cargueiros em curso pelo Atlântico como actividade altamente lucrativa. O combustível assim obtido, de má qualidade e de elevado grau poluente - afinal um petroleiro não é exactamente uma refinaria -, é depois vendido pelo continente africano. A coisa vai-se disfarçando com o transporte de cargas perfeitamente legais em simultâneo. É uma alegria!

(Com jeitinho, a Trafigura Beher ainda foi buscar algum dinheiro a outras empresas a operar no ramo, a braços com o problema do tratamento destes resíduos na Europa, onde o processo é fiscalizado e sai mais caro.)

[Le Monde] [BBC News]
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el carnaval

«Cada año que pasa los carnavales son un poco más tristes y desangelados, más municipales y burocráticos. Antes, cuando no los organizaba nadie y brotaban con espontaneidad y frescor, tenían un cierto aire subversivo y gracioso, disparatado e inconscientemente candoroso, pero ahora le metieron mano los ayuntamientos y las agencias de viajes y el carnaval, claro es, se resiente y lo que es peor, también se ha hecho salvaje por reacción, tan lógica como no prevista, al encorsetamiento administrativo. El error fue el de probar a convertir la chispa del individuo en la mansa llama sin temperatura de la multitud pagana y dócil, esa mansa materia prima de la sociedad de consumo, que hasta agradece que se le den normas y consignas. Yo entiendo – y también lamento - que a las autoridades del mundo entero les interese capar voluntades y enderezar conductas, pero me extraña que nadie acuse el golpe bajo que se nos quiere asestar en nuestros más recónditos caprichos.»

Camilo José Cela

(uma pequena reflexão à minha espera, hoje, na caixa de e-mail)
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13.2.07

o estado da nação

Se já estranhei, ontem de manhã, a senhora a quem dei boleia ainda não saber o resultado do referendo, imaginem o que não terei pensado hoje, à 1h30 da tarde:
- Ó menina, mas afinal quem ganhou?

De resto, também estranhei o marasmo no trabalho, entre profissionais da saúde (ou talvez por isso?). Certo é que foi assunto ausente das conversas gerais dos últimos dois dias, para não destoar do que é comum em outros actos eleitorais.
Muitas dessas pessoas até têm informação, convicções, opiniões formadas e alguma vontade de falar, mas esbarram num de dois obstáculos: temem ou divergir das hierarquias ou passar por 'politicamente menos correctas'.
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11.2.07

e já vem tarde

Sobretudo às novas gerações de mulheres que não terão que passar pelos dramas das das suas antecessoras demos hoje uma grande prenda. Finalmente!
a

imprescindível...

a visita anual à galeria de premiados no concurso da World Press Photo: o fotojornalismo mundial no seu melhor.


Spencer Platt - Beirute, 15 de Agosto, primeiro dia de cessar-fogo
World Press Photo of the Year 2006

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8.2.07

um verdadeiro exemplo...

Espantosa, a revelação do segundo Inquérito Social Europeu:

84,9% dos portugueses dizem nunca ter pago sem exigir recibo, para evitar pagar IVA ou outros impostos (taxa na Europa: 74%)

«Outro dos factores analisados foi o factor "cunha". "Suponha que quer ter acesso a um serviço ou benefício a que não tem direito. A quantos familiares ou amigos é que acha que pode pedir ajuda?" Catorze por cento dos portugueses responderam que "nunca fariam uma coisa dessas", face a 17,2 dos europeus. Mas 42,2 por cento dos lusos dizem que teriam algumas, "poucas", pessoas a quem recorrer, face a 29,8 por cento dos europeus. Os portugueses dizem-se "grandes respeitadores da lei" - alegam não fugir aos impostos, não reivindicar benefícios a que não têm direito, etc. - em todas as respostas que dão.» [Público, sem link]


De resto, nada que não fosse de esperar:

38,9% dos portugueses dizem não ter "nenhum interesse pela política" (taxa na Europa: 17,9 %);

96,7% dos portugueses dizem pertencer à religião católica (taxa na Europa: 54,4 %)

e

21,6% dos portugueses atribuem um 6 (escala de 1 a 10) "ao seu grau de satisfação com a vida em geral" (taxa na Europa: 9,5 %).
a

4.2.07

alexandre litvinenko (2)

Parece que sempre se descobriu o executante. [BBC News]

A mando de quem, directamente, é mistério que fica por deslindar, mas é coisa que não considero muito relevante - quem lhe pagou fê-lo com os lucros gerados pelas dominantes teias de corrupção que (também) a Rússia fomenta e exporta.
a

a janela

Há uns anos, investiguei umas histórias que envolviam arquitectos, projectos e serviços municipais, não à escala das grandes obras mas àquela das pequenas coisas que todos nós podemos querer fazer um dia. (E foi quando me convenci de que os nossos problemas com a corrupção começam de facto ao nível do pequeno favor).

Quanto a esta - não sei se história, se estória, contada no suspeitix - encaixa perfeitamente no quadro: a análise casuística reservada a quem se presta a entrar no jogo, o resto corrido à luz de regulamentos gerais implacavelmente restritivos com os quais os técnicos têm que aprender a jogar.

Sugiro que se iniciem acções de formação destinadas a acreditar agentes qualificados para lidar com os diversos departamentos do Estado, sempre daria para aproveitar de forma útil os conhecimentos dos excedentários da Função Pública.
a

3.2.07

buena

a
uma bateria, um baixo, um sax, uma voz...

e uma grande composição:



a


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30.1.07

uma questão de tempo...

Em França, a Polícia utiliza testes de ADN para descobrir o autor do furto da motorizada do filho do ministro e candidato presidencial Nicolas Sarkozy [Le Monde]. E, feitas as contas, até parece ficar mais barato do que recolher provas no terreno.
Estamos feitos!
a

SIM!

Por muitas voltas que se tente dar à coisa, isto é o que acontece por aí. Todos os dias... (e em 'economia paralela').
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27.1.07

sad song (2)

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Tendo a publicação desta imagem suscitado alguma curiosidade, aqui deixo uma amostra de heroína visualizada nas mesmas circunstâncias.


heroína em microscópio electrónico

(aceito estudos comparativos)
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portugal no seu melhor

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Não fora o pululu, e eu nunca daria conta da genialidade da senhora. A história está no Notícias Lusófonas e vale certamente uma visita.
A cidadã Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida (uff!) devia ser alvo de louvor público enquanto detentora de uma das maiores qualidades nacionais: uma grande lata!

PS - Fico à espera de esclarecimentos da parte da própria e das entidades envolvidas. E, já agora, de informações acerca das condições de ingresso neste tipo de licenciaturas - nunca se sabe quando podem fazer jeito...
a

25.1.07

em tons de cinza

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Eu nunca estive nas caves do Aleixo, mas delas já ouvi descrições várias. A última foi lapidar.

Querem as circunstâncias que qualquer agarrado deixe na droga o último dos últimos dos cêntimos, não há quem junte para o 'desperdício' de um maço de tabaco. Os vendedores de cigarros avulsos, assim como os de folha de alumínio e outros apetrechos necessários ao(s) consumo(s), fazem parte do quadro típico destes locais.
Para um 'caneco' - cachimbada de base de cocaína (crack) - é preciso cinza de cigarro. Vai daí, em dias de muito movimento, existe quem junte uns cobres vendendo, por meia dúzia de cêntimos, pequenas doses do subitamente precioso pó cinzento.
a

19.1.07

sad song

a
Há pessoas que eu não consigo perceber como ainda encontram algum fascínio nela.

(imagem: cristal de cocaína em microscópio electrónico)
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17.1.07

quando os lobos uivam

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«A noite ausenta-nos mas protege.
Fica escuro e frio para vermos as coisas às claras. Dá-nos o ânimo que não temos durantes as horas e dias pardos que afligem qualquer tipo que se queira pirar daqui. Apetece por vezes matar só por querer. Ou estremecer por não saber viver como eles querem. Tentar sozinho o que só os lobos perseguidos sabem fazer.»

'Alcântara', citado em memórias do cárcere.
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16.1.07

sem título

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Marta Seixas, acrílico sobre tela
(da exposição «O Céu & Cª. Ensaios sobre a Chuva», Galeria Símbolo, Porto, 1996)

15.1.07

vamos outra vez a votos...

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Quando eu era pequena houve uma revolução a que se seguiu um sem-número de actos eleitorais, e eu gostava muito das campanhas.
Durante alguns tempos, foram uma das brincadeiras preferidas entre os catraios da vizinhança - transformávamos as casas em ateliers de pintura de cartazes que colávamos pelas redondezas, juntávamos o material iconográfico necessário e 'organizávamos' comícios, manifs, acções de rua. Guardo com especial carinho alguns episódios desses tempos: um bando de miúdos a descer a rua, bandeiras do PCP desfraldadas ao vento, enquanto colávamos cartazes do PPM ou da UDP ao som de palavras de ordem como «Uma só via: social-democracia» e o que mais à lembrança nos viesse a ocorrer. O perfeito exemplo da convivência democrática, toda a gente lá cabia.

Mudam-se os tempos... e agora não há época pré-eleitoral que não me dê vontade de fugir, tirar férias, hibernar - é triste viver num tempo em que tudo se dispersa de tal forma que já nada se discute em termos, em que se considera legítimo impingir ideias como quem vende detergentes, em que, mais do que o seu conteúdo, se valorizam as formas como se apresentam os argumentos. Tanto barulho, minha gente, e se espremido sai tão pouco...

Não haverá maneira de dispensar todo este festival?
a

13.1.07

good news

a
«(...) We believe that transparency in government activities leads to reduced corruption, better government and stronger democracies. Many governments would benefit from increased scrutiny by the world community, as well as their own people. We believe this scrutiny requires information. Historically that information has been costly - in terms of human life and human rights. Wikileaks will facilitate safety in the ethical leaking movement.

(...)

In its landmark ruling on the Pentagon Papers, the US Supreme Court ruled that "only a free and unrestrained press can effectively expose deception in government." We agree.

The ruling stated that "paramount among the responsibilities of a free press is the duty to prevent any part of the government from deceiving the people and sending them off to distant lands to die of foreign fevers and foreign shot and shell."

We believe that it is not only the people of one country that keep their government honest, but also the people of other countries who are watching that government. That is why the time has come for an anonymous global avenue for disseminating documents the public should see.»

Um fórum global para lidar com informação classificada de forma absolutamente anónima, impermeável a qualquer tipo de censura, uma Wikipedia sobre tudo aquilo que os governos e os grandes do mundo não gostam que a gente saiba.

Um serviço público à escala do planeta:

bad news

a
O Parlamento acaba de autorizar que possamos ser localizados pela polícia através dos telemóveis sem necessidade de autorização prévia de um juiz. Diz o DN que ninguém levantou objecções à coisa por não se considerar que viole a privacidade dos cidadãos.

Não é que eu tenha razões para fugir deles, mas alguém me saberá dizer se funciona com o telefone desligado?

(O que mais me admira é que muitos daqueles senhores até são do tempo em que se tinha problemas com a PIDE...)
a

12.1.07

esta cidade

a
quer eu queira
quer não queira
esta cidade
há-de ser uma fronteira
e a verdade
cada vez menos
cada vez menos
verdadeira

quer eu queira
quer não queira
no meio desta liberdade
filhos da puta
sem razão
e sem sentido

no meio da rua
escura, fria e bruta
eu luto sempre
do outro lado da luta

a polícia já tem meu nome
minha foto está no ficheiro
porque eu não me rendo
porque eu não me rendo
nem por dinheiro
nem por dinheiro

e como sou
e quero ser sempre assim
um rio que corre
sem princípio nem fim
o poder podre
dos homens normais
está a tentar
dar cabo de mim
cabo de mim

(Xutos e Pontapés, transcrição livre e de memória)
a

11.1.07

'luso-nigeriano'

Quando quis assinalar as vitórias de Francis Obikwelu nos Europeus de Atletismo com uma imagem captada no próprio estádio, acabei por ter que recorrer à BBC - os media nacionais on line não deram metade do destaque que a cadeia britânica concedeu ao feito do atleta português (13.08.06 - ninguém é ilegal!).
Tivesse ele nascido em Torre de Moncorvo, Luz de Tavira, Freixo de Espada à Cinta ou qualquer recôndito canto do império e teria tido honras de herói da lusa pátria, com toda a certeza.
Assim sendo, resta-me aproveitar o facto de Obikwelu ter sido eleito o melhor atleta europeu do ano que passou para voltar a erguer uma voz de protesto por nunca o ter visto, em órgão nenhum da nossa Imprensa, apresentado como um simples atleta português.

PS - Vale este protesto para os todos os 'luso-brasileiros', 'luso-guineenses', 'luso-seja-o-que-for' que aparecem por aí (10.07.06 - naturais, nacionais e relacionados). Envergonha-me pertencer a um povo que culturalmente tem tanta dificuldade em abarcar como seu aquilo que tem origens (aparentemente) diferentes. Talvez um dia um dos meus sonhos se cumpra e eu possa apresentar como nacionalidade... luso-dissidente!