25.2.07

eu também não

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«O que é que seria preciso para me sentir mais português? Maior identificação com os meus conterrâneos. Que eles fossem mais cultos, menos complacentes, mais pontuais. Gostava que tivessem educação artística (é o país com menos educação artística da Europa).
É preciso dizer que os portugueses têm tantos defeitos como qualidades O nosso país não é melhor que os outros, é igual. À partida, não é mais bonito que os outros, é igual. Mas está hoje mais feio do que a maior parte dos outros porque os portugueses o fizeram feio. E eu não perdoo isso aos meus conterrâneos: o que eles fizeram das subúrbias das cidades; o que eles fizeram da costa; o que eles fizeram de algumas montanhas; o que eles fizeram do Alto Minho; o que estão a preparar-se para fazer no Douro, o que estão a preparar-se para fazer na Costa Vicentina, em grande parte do Algarve; o que fizeram nalgumas destas zonas que não são água nem terra nem fogo nem ar, entre Lisboa e a Ericeira e Mafra e Torres Novas, ou entre o Porto e Barcelos e Santo Tirso e Gaia. Você passa por aqueles sítios e vê restos de obras, restos de tijolo no chão. Não me diga que estas pessoas gostam do país que têm. Ninguém trata assim uma coisa de que gosta.
Eu gostava da ideia que eu podia fazer de Portugal de um país muito bonito, de um país com algumas montanhas, de um país que consegue ter ao mesmo tempo o Mediterrâneo e o Atlântico, que consegue ter a planície e a montanha, que tem a costa, o litoral e o mar, e que tem os rios e que tem uma luz nalguns sítios e que desperdiça tudo, e que estraga e que estraga, que destrói, que destrói, que constrói cimenteiras na Arrábida. Só um povo louco, só um dirigente louco é que fazem coisas dessas. Agora está um pouco melhor, mas há uns 15 anos havia 600 lixeiras no país e as pessoas viviam ao lado delas. Havia uma famosa entre a Régua e Mesão Frio, até o Manoel Oliveira a filmou no Vale Abraão. Uma coisa hedionda, esteve ali 30 anos, sem que um presidente da câmara, um governo, um ministro, um director-geral acudissem àquilo. Os portugueses não gostam de Portugal. Os portugueses gostam deles.
Não gostam do país que têm. Destroem-no de tal maneira que não podem gostar de Portugal. E eu não gosto das pessoas que não gostam do país que têm.»

António Barreto, em entrevista a Adelino Gomes, hoje, no «Público» [sem link]
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se produzissem o mesmo efeito...

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Os trabalhadores constantemente interrompidos por mensagens de e-mail e chamadas telefónicas sofrem uma quebra no QI duas vezes superior à verificada em utilizadores de marijuana, revela um estudo encomendado pela empresa Hewlett Packard ao Instituto de Psiquiatria da Universidade de Londres. [BBC News]
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24.2.07

boeing 757?

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Não é que compre a generalidade das 'teorias da conspiração' que por aí circulam. Mas é plausível que um Boeing 757, 80 toneladas de peso, incluindo 20.000 litros de combustível, embata no Pentágono e só deixe estes vestígios? Por outro lado, se tivesse sido um aparelho militar, por que razões iria a Al Qaeda fazer segredo acerca disso?




A história foi realmente mal contada, mas, face ao impacto das Twin Towers, muito pouca gente se lembrou de perguntar porquê. E o meu palpite é que passarão algumas décadas até chegarmos a saber o que naquele dia de facto aconteceu.

(Até dar com este par de fotografias, pus sempre a hipótese de as imagens deste filme terem sido manipuladas. Convenci-me agora que não.)
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felgueiral

1.
«No texto que sintetiza a matéria detectada e explica o procedimento da comissão são enumeradas 15 situações, que podem configurar crime e que vão desde: "Fraccionamento sistemático das empreitadas, sem justificação, para evitar a aplicação do concurso público, privilegiando sem razão o convite directo a um núcleo restrito de empresas"; "adulteração de base de dados da correspondência enviada", autorização "mais do que uma vez de duas propostas de lançamento da mesma empreitada com preços distintos"; "manipulação de análise de propostas"; "adjudicação a determinadas empresas por valores muito superiores ao valor real dos trabalhos" ou "facturas de trabalhos a mais no valor de 150.000 euros, em contratos de avença". » [Diário de Notícias]

Não tenhamos ilusões: as ilegalidades que estão a ser investigadas na Gebalis não diferem muito das práticas de gestão da generalidade da administração pública no país. À medida que se zangam as comadres, vão sendo conhecidos alguns casos, e em cada canto parece esconder-se mais um episódio na busca do fundo do saco azul que o nosso dinheiro anda a alimentar há demasiado tempo.

«As pessoas condenam a corrupção no abstracto, mas na prática pactuam»

Independentemente das cambalhotas processuais que os casos investigados possam vir a dar e de eventuais arguidos virem ou não a ser condenados, o que se tem vindo a passar nos últimos anos é um enorme passo em frente. Basta pensar que são esquemas em vigor há muitas décadas e só agora começamos a conhecer, de facto, o estado real da coisa pública. Quanto a condenações, também há que ter em conta que só a prática nos levará a conhecer efectivamente as diversas fomas de contornar a lei e as melhores maneiras de a corrigir.

2.
No entanto, talvez seja preciso algum tempo para que alterações nas práticas produzam os efeitos necessários para convencer a opinião pública de que muitos a roubar aos poucos levam fortunas, e de que esses actos não podem ser legitimados por haver outros a lucrar mais.

Fenómenos tipo Felgueiral explicam-se afinal facilmente, a avaliar pelo estudo sobre corrupção do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa divulgado hoje no «Público» [sem link]. Aí se conclui não haver, entre os portugueses, «preocupação pela existência de corrupção na administração local, regional ou europeia e nas pequenas e médias empresas e no meio financeiro».

O trabalho, coordenado por Luís de Sousa, indica ainda que a maioria dos inquiridos «considera como actos corruptos os comportamentos que mais se aproximam da definição penal», o que «deixa uma ampla margem de tolerância para toda uma série de práticas não reguladas ou de difícil regulação, nomeadamente conflitos de interesses, cunhas, amiguismos, favorecimentos, patronagem política, etc».

3.
Em suma: podemos estar a dar alguns passos em frente, mas ainda resta muito caminho a palmilhar.

23.2.07

a
não percas tempo que o vento

é meu amigo também
a

21.2.07

esclarecimento

Em jeito de adenda ao post de anteontem [terceira década], devo esclarecer que as imagens, porque parcelares (são apenas da vista a nascente), podem induzir em erro. A sul e a poente, preservaram-se algumas muito razoáveis manchas de arvoredo, que de forma mais ou menos intermitente nos dirigem para sudoeste onde confinam com a parte mais antiga do Parque da Cidade.
Claro que a vista campestre era uma delícia e a vida corria muito mais calmamente.
Mas seria impossível escapar à forte urbanização da zona: o território que medeia entre Matosinhos e o Porto só podia ser sujeito a grandes pressões, a situação de sanduíche entre dois pólos de serviços nunca permitiria que continuasse como era. (Esse lado das vivências mais antigas desta área está, de resto, a ser preservado no Núcleo Rural de Aldoar.)
Pudéssemos todos viver em sítios onde o equilíbrio entre o edificado e o verde se fizesse assim:

(sudoeste; su-sudoeste; sul; su-sudeste; su-sudeste)
a

20.2.07

dois amantes ao luar

a
Marta Seixas, acrílico sobre tela, exposição na Galeria Quadrado Azul, Porto, 1988
foto: Eduardo Gomes
a

19.2.07

terceira década

a
A mesma vista, captada exactamente do mesmo ponto, em






1984


1992


2006

18.2.07

a
a primeira flor do ano no meu pequeno jardim suspenso
a

16.2.07

152 milhões de euros...

a
... é o preço oficial do novo negócio:


Um acordo entre a empresa holandesa Trafigura Beher e o Governo da Costa do Marfim isenta ambas as partes de qualquer responsabilidade criminal no caso da distribuição de resíduos tóxicos a céu aberto por várias zonas da capital comercial daquele país. Os três responsáveis da empresa que estavam detidos preventivamente pelas autoridades locais foram libertados.


Em Setembro passado, morreu cerca de uma dezena de pessoas e mais de 70.000 sofreram intoxicações na sequência do despejo das águas sujas do petroleiro Probo Koala (na imagem), que na realidade actuava como refinaria de petróleo clandestina, por várias lixeiras públicas de Abidjan. [5,5 milhões de euros...] [5,5 milhões de euros... (2)]

A quantia agora acordada servirá, claro, para 'indemnizar as vítimas' e para a construção de uma unidade de 'tratamento de resíduos'.

Também serve de barómetro para avalizar da refinação clandestina de petróleo a bordo de cargueiros em curso pelo Atlântico como actividade altamente lucrativa. O combustível assim obtido, de má qualidade e de elevado grau poluente - afinal um petroleiro não é exactamente uma refinaria -, é depois vendido pelo continente africano. A coisa vai-se disfarçando com o transporte de cargas perfeitamente legais em simultâneo. É uma alegria!

(Com jeitinho, a Trafigura Beher ainda foi buscar algum dinheiro a outras empresas a operar no ramo, a braços com o problema do tratamento destes resíduos na Europa, onde o processo é fiscalizado e sai mais caro.)

[Le Monde] [BBC News]
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el carnaval

«Cada año que pasa los carnavales son un poco más tristes y desangelados, más municipales y burocráticos. Antes, cuando no los organizaba nadie y brotaban con espontaneidad y frescor, tenían un cierto aire subversivo y gracioso, disparatado e inconscientemente candoroso, pero ahora le metieron mano los ayuntamientos y las agencias de viajes y el carnaval, claro es, se resiente y lo que es peor, también se ha hecho salvaje por reacción, tan lógica como no prevista, al encorsetamiento administrativo. El error fue el de probar a convertir la chispa del individuo en la mansa llama sin temperatura de la multitud pagana y dócil, esa mansa materia prima de la sociedad de consumo, que hasta agradece que se le den normas y consignas. Yo entiendo – y también lamento - que a las autoridades del mundo entero les interese capar voluntades y enderezar conductas, pero me extraña que nadie acuse el golpe bajo que se nos quiere asestar en nuestros más recónditos caprichos.»

Camilo José Cela

(uma pequena reflexão à minha espera, hoje, na caixa de e-mail)
a

13.2.07

o estado da nação

Se já estranhei, ontem de manhã, a senhora a quem dei boleia ainda não saber o resultado do referendo, imaginem o que não terei pensado hoje, à 1h30 da tarde:
- Ó menina, mas afinal quem ganhou?

De resto, também estranhei o marasmo no trabalho, entre profissionais da saúde (ou talvez por isso?). Certo é que foi assunto ausente das conversas gerais dos últimos dois dias, para não destoar do que é comum em outros actos eleitorais.
Muitas dessas pessoas até têm informação, convicções, opiniões formadas e alguma vontade de falar, mas esbarram num de dois obstáculos: temem ou divergir das hierarquias ou passar por 'politicamente menos correctas'.
a

11.2.07

e já vem tarde

Sobretudo às novas gerações de mulheres que não terão que passar pelos dramas das das suas antecessoras demos hoje uma grande prenda. Finalmente!
a

imprescindível...

a visita anual à galeria de premiados no concurso da World Press Photo: o fotojornalismo mundial no seu melhor.


Spencer Platt - Beirute, 15 de Agosto, primeiro dia de cessar-fogo
World Press Photo of the Year 2006

a

8.2.07

um verdadeiro exemplo...

Espantosa, a revelação do segundo Inquérito Social Europeu:

84,9% dos portugueses dizem nunca ter pago sem exigir recibo, para evitar pagar IVA ou outros impostos (taxa na Europa: 74%)

«Outro dos factores analisados foi o factor "cunha". "Suponha que quer ter acesso a um serviço ou benefício a que não tem direito. A quantos familiares ou amigos é que acha que pode pedir ajuda?" Catorze por cento dos portugueses responderam que "nunca fariam uma coisa dessas", face a 17,2 dos europeus. Mas 42,2 por cento dos lusos dizem que teriam algumas, "poucas", pessoas a quem recorrer, face a 29,8 por cento dos europeus. Os portugueses dizem-se "grandes respeitadores da lei" - alegam não fugir aos impostos, não reivindicar benefícios a que não têm direito, etc. - em todas as respostas que dão.» [Público, sem link]


De resto, nada que não fosse de esperar:

38,9% dos portugueses dizem não ter "nenhum interesse pela política" (taxa na Europa: 17,9 %);

96,7% dos portugueses dizem pertencer à religião católica (taxa na Europa: 54,4 %)

e

21,6% dos portugueses atribuem um 6 (escala de 1 a 10) "ao seu grau de satisfação com a vida em geral" (taxa na Europa: 9,5 %).
a

4.2.07

alexandre litvinenko (2)

Parece que sempre se descobriu o executante. [BBC News]

A mando de quem, directamente, é mistério que fica por deslindar, mas é coisa que não considero muito relevante - quem lhe pagou fê-lo com os lucros gerados pelas dominantes teias de corrupção que (também) a Rússia fomenta e exporta.
a

a janela

Há uns anos, investiguei umas histórias que envolviam arquitectos, projectos e serviços municipais, não à escala das grandes obras mas àquela das pequenas coisas que todos nós podemos querer fazer um dia. (E foi quando me convenci de que os nossos problemas com a corrupção começam de facto ao nível do pequeno favor).

Quanto a esta - não sei se história, se estória, contada no suspeitix - encaixa perfeitamente no quadro: a análise casuística reservada a quem se presta a entrar no jogo, o resto corrido à luz de regulamentos gerais implacavelmente restritivos com os quais os técnicos têm que aprender a jogar.

Sugiro que se iniciem acções de formação destinadas a acreditar agentes qualificados para lidar com os diversos departamentos do Estado, sempre daria para aproveitar de forma útil os conhecimentos dos excedentários da Função Pública.
a

3.2.07

buena

a
uma bateria, um baixo, um sax, uma voz...

e uma grande composição:



a


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30.1.07

uma questão de tempo...

Em França, a Polícia utiliza testes de ADN para descobrir o autor do furto da motorizada do filho do ministro e candidato presidencial Nicolas Sarkozy [Le Monde]. E, feitas as contas, até parece ficar mais barato do que recolher provas no terreno.
Estamos feitos!
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SIM!

Por muitas voltas que se tente dar à coisa, isto é o que acontece por aí. Todos os dias... (e em 'economia paralela').
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27.1.07

sad song (2)

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Tendo a publicação desta imagem suscitado alguma curiosidade, aqui deixo uma amostra de heroína visualizada nas mesmas circunstâncias.


heroína em microscópio electrónico

(aceito estudos comparativos)
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portugal no seu melhor

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Não fora o pululu, e eu nunca daria conta da genialidade da senhora. A história está no Notícias Lusófonas e vale certamente uma visita.
A cidadã Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida (uff!) devia ser alvo de louvor público enquanto detentora de uma das maiores qualidades nacionais: uma grande lata!

PS - Fico à espera de esclarecimentos da parte da própria e das entidades envolvidas. E, já agora, de informações acerca das condições de ingresso neste tipo de licenciaturas - nunca se sabe quando podem fazer jeito...
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25.1.07

em tons de cinza

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Eu nunca estive nas caves do Aleixo, mas delas já ouvi descrições várias. A última foi lapidar.

Querem as circunstâncias que qualquer agarrado deixe na droga o último dos últimos dos cêntimos, não há quem junte para o 'desperdício' de um maço de tabaco. Os vendedores de cigarros avulsos, assim como os de folha de alumínio e outros apetrechos necessários ao(s) consumo(s), fazem parte do quadro típico destes locais.
Para um 'caneco' - cachimbada de base de cocaína (crack) - é preciso cinza de cigarro. Vai daí, em dias de muito movimento, existe quem junte uns cobres vendendo, por meia dúzia de cêntimos, pequenas doses do subitamente precioso pó cinzento.
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19.1.07

sad song

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Há pessoas que eu não consigo perceber como ainda encontram algum fascínio nela.

(imagem: cristal de cocaína em microscópio electrónico)
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