17.3.07

A
PROJECTO DE SUCESSÃO


Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua
continuar deitado até se destruir a cama
permanecer de pé até a polícia vir
permanecer sentado até que o pai morra

Arrancar os cabelos e não morrer numa rua solitária
amar continuamente a posição vertical
e continuamente fazer ângulos rectos

Gritar da janela até que a vizinha ponha as mamas de fora
pôr-se nu em casa até a escultora dar o sexo
fazer gestos no café até espantar a clientela
pregar sustos nas esquinas até que uma velhinha caia
contar histórias obscenas uma noite em família
narrar um crime perfeito a um adolescente loiro
beber um copo de leite e misturar-lhe nitroglicerina
deixar fumar um cigarro só até meio

Abrirem-se covas e esquecerem-se os dias
beber-se por um copo de oiro e sonharem-se Índias.

António Maria Lisboaaaaaaaaaaaa

cartão único

«António Costa argumenta que esse cartão não informa ninguém sobre coisa nenhuma. É um "mero porta-chaves", que permite o acesso "em separado" às bases de dados de um certo número de serviços. Tudo assenta, como se calculará, na qualificação essencial "em separado". António Costa não a pode garantir. Nem hoje, nem com certeza no futuro. Se o Estado tem, como tem, um duplicado do porta-chaves, nada o impede de o usar, formal ou informalmente. E, como cada chave leva sempre a mais quatro, em 20 minutos, se de facto for preciso tanto tempo, a vida de qualquer cidadão fica aberta a qualquer polícia. E, pior ainda, ao governo. Suspeito que António Costa divide as suas chaves por vários porta-chaves. É uma precaução louvável. O cartão 1 em 5 não é.»

Vasco Pulido Valente, citado n' o jumento.
a

14.3.07

"new adventures in junkyland"

a
Às vezes chego a pensar que dava um magnífico enredo de telenovela, não fosse acabar quase sempre nos enterros dos artistas principais.
a

7.3.07

o reino do terror

Forças da ordem detêm manifestante, em S. Petersburgo, no sábado passado.
(foto: Alexander Demianchuk, Reuters)


«"Celui qui est venu ici a surmonté la peur, le dernier soutien de ce régime", a harangué Gary Kasparov. Les autorités municipales, il est vrai, n'avaient pas ménagé leurs efforts pour dissuader la population de répondre à l'appel des opposants, faisant diffuser des annonces dans le métro avertissant que les forces de l'ordre se montreraient sans pitié, arrêteraient les militants et perquisitionneraient leurs domiciles.
(...)
Ce sursaut de l'opposition intervient au moment où le Kremlin cherche à restreindre les libertés politiques à l'approche de l'élection présidentielle de mars 2008, craignant qu'une "révolution de velours" ne se produise en Russie».
a
No mesmo dia em que a Marcha do Desacordo levou 5 milhares de cidadãos às ruas de S. Petersburgo [Le Monde], mais um jornalista incómodo perdeu a vida em Moscovo.
Ivan Safronov, antigo membro das Forças Armadas russas e especialista em assuntos relacionados com tecnologia espacial militar, caiu do 5º andar do bloco de apartamentos onde morava. As autoridades locais anunciaram estar a investigar a possibilidade de Safronov ter sido 'conduzido ao suicídio' [BBC News].

Menos negociatas e mais pressão é o mínimo que se pode exigir aos representantes de uma comunidade internacional que se tem como civilizada.
a

3.3.07

museu em Santa Comba Dão

a
Quem não se lembra do passado está condenado a revivê-lo.
(Paracelso)
a

28.2.07

fim de fevereiro

a
o céu em junho
a

27.2.07

sex & drugs

a
«Quase metade dos casos de infecção por VIH/sida é composta por toxicodependentes, seguidos dos heterossexuais - cuja transmissão da doença está a crescer em Portugal - e dos homossexuais, de acordo com os dados referentes a 31 de Dezembro do ano passado.» [Público]

Pela redacção do texto se conclui que os toxicodependentes são ou bissexuais ou não praticantes. (E que o autor aproveitaria de uma formação intensiva em gramática da língua portuguesa).

PS - Espantosamente, a notícia não refere o dado mais curioso dos últimos tempos: é que além de estar a aumentar a transmissão via contactos heterossexuais, o VIH está a atingir cada vez mais pessoas de meia-idade.
a

25.2.07

eu também não

a
«O que é que seria preciso para me sentir mais português? Maior identificação com os meus conterrâneos. Que eles fossem mais cultos, menos complacentes, mais pontuais. Gostava que tivessem educação artística (é o país com menos educação artística da Europa).
É preciso dizer que os portugueses têm tantos defeitos como qualidades O nosso país não é melhor que os outros, é igual. À partida, não é mais bonito que os outros, é igual. Mas está hoje mais feio do que a maior parte dos outros porque os portugueses o fizeram feio. E eu não perdoo isso aos meus conterrâneos: o que eles fizeram das subúrbias das cidades; o que eles fizeram da costa; o que eles fizeram de algumas montanhas; o que eles fizeram do Alto Minho; o que estão a preparar-se para fazer no Douro, o que estão a preparar-se para fazer na Costa Vicentina, em grande parte do Algarve; o que fizeram nalgumas destas zonas que não são água nem terra nem fogo nem ar, entre Lisboa e a Ericeira e Mafra e Torres Novas, ou entre o Porto e Barcelos e Santo Tirso e Gaia. Você passa por aqueles sítios e vê restos de obras, restos de tijolo no chão. Não me diga que estas pessoas gostam do país que têm. Ninguém trata assim uma coisa de que gosta.
Eu gostava da ideia que eu podia fazer de Portugal de um país muito bonito, de um país com algumas montanhas, de um país que consegue ter ao mesmo tempo o Mediterrâneo e o Atlântico, que consegue ter a planície e a montanha, que tem a costa, o litoral e o mar, e que tem os rios e que tem uma luz nalguns sítios e que desperdiça tudo, e que estraga e que estraga, que destrói, que destrói, que constrói cimenteiras na Arrábida. Só um povo louco, só um dirigente louco é que fazem coisas dessas. Agora está um pouco melhor, mas há uns 15 anos havia 600 lixeiras no país e as pessoas viviam ao lado delas. Havia uma famosa entre a Régua e Mesão Frio, até o Manoel Oliveira a filmou no Vale Abraão. Uma coisa hedionda, esteve ali 30 anos, sem que um presidente da câmara, um governo, um ministro, um director-geral acudissem àquilo. Os portugueses não gostam de Portugal. Os portugueses gostam deles.
Não gostam do país que têm. Destroem-no de tal maneira que não podem gostar de Portugal. E eu não gosto das pessoas que não gostam do país que têm.»

António Barreto, em entrevista a Adelino Gomes, hoje, no «Público» [sem link]
a

se produzissem o mesmo efeito...

a
Os trabalhadores constantemente interrompidos por mensagens de e-mail e chamadas telefónicas sofrem uma quebra no QI duas vezes superior à verificada em utilizadores de marijuana, revela um estudo encomendado pela empresa Hewlett Packard ao Instituto de Psiquiatria da Universidade de Londres. [BBC News]
a

24.2.07

boeing 757?

a
Não é que compre a generalidade das 'teorias da conspiração' que por aí circulam. Mas é plausível que um Boeing 757, 80 toneladas de peso, incluindo 20.000 litros de combustível, embata no Pentágono e só deixe estes vestígios? Por outro lado, se tivesse sido um aparelho militar, por que razões iria a Al Qaeda fazer segredo acerca disso?




A história foi realmente mal contada, mas, face ao impacto das Twin Towers, muito pouca gente se lembrou de perguntar porquê. E o meu palpite é que passarão algumas décadas até chegarmos a saber o que naquele dia de facto aconteceu.

(Até dar com este par de fotografias, pus sempre a hipótese de as imagens deste filme terem sido manipuladas. Convenci-me agora que não.)
a

felgueiral

1.
«No texto que sintetiza a matéria detectada e explica o procedimento da comissão são enumeradas 15 situações, que podem configurar crime e que vão desde: "Fraccionamento sistemático das empreitadas, sem justificação, para evitar a aplicação do concurso público, privilegiando sem razão o convite directo a um núcleo restrito de empresas"; "adulteração de base de dados da correspondência enviada", autorização "mais do que uma vez de duas propostas de lançamento da mesma empreitada com preços distintos"; "manipulação de análise de propostas"; "adjudicação a determinadas empresas por valores muito superiores ao valor real dos trabalhos" ou "facturas de trabalhos a mais no valor de 150.000 euros, em contratos de avença". » [Diário de Notícias]

Não tenhamos ilusões: as ilegalidades que estão a ser investigadas na Gebalis não diferem muito das práticas de gestão da generalidade da administração pública no país. À medida que se zangam as comadres, vão sendo conhecidos alguns casos, e em cada canto parece esconder-se mais um episódio na busca do fundo do saco azul que o nosso dinheiro anda a alimentar há demasiado tempo.

«As pessoas condenam a corrupção no abstracto, mas na prática pactuam»

Independentemente das cambalhotas processuais que os casos investigados possam vir a dar e de eventuais arguidos virem ou não a ser condenados, o que se tem vindo a passar nos últimos anos é um enorme passo em frente. Basta pensar que são esquemas em vigor há muitas décadas e só agora começamos a conhecer, de facto, o estado real da coisa pública. Quanto a condenações, também há que ter em conta que só a prática nos levará a conhecer efectivamente as diversas fomas de contornar a lei e as melhores maneiras de a corrigir.

2.
No entanto, talvez seja preciso algum tempo para que alterações nas práticas produzam os efeitos necessários para convencer a opinião pública de que muitos a roubar aos poucos levam fortunas, e de que esses actos não podem ser legitimados por haver outros a lucrar mais.

Fenómenos tipo Felgueiral explicam-se afinal facilmente, a avaliar pelo estudo sobre corrupção do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa divulgado hoje no «Público» [sem link]. Aí se conclui não haver, entre os portugueses, «preocupação pela existência de corrupção na administração local, regional ou europeia e nas pequenas e médias empresas e no meio financeiro».

O trabalho, coordenado por Luís de Sousa, indica ainda que a maioria dos inquiridos «considera como actos corruptos os comportamentos que mais se aproximam da definição penal», o que «deixa uma ampla margem de tolerância para toda uma série de práticas não reguladas ou de difícil regulação, nomeadamente conflitos de interesses, cunhas, amiguismos, favorecimentos, patronagem política, etc».

3.
Em suma: podemos estar a dar alguns passos em frente, mas ainda resta muito caminho a palmilhar.

23.2.07

a
não percas tempo que o vento

é meu amigo também
a

21.2.07

esclarecimento

Em jeito de adenda ao post de anteontem [terceira década], devo esclarecer que as imagens, porque parcelares (são apenas da vista a nascente), podem induzir em erro. A sul e a poente, preservaram-se algumas muito razoáveis manchas de arvoredo, que de forma mais ou menos intermitente nos dirigem para sudoeste onde confinam com a parte mais antiga do Parque da Cidade.
Claro que a vista campestre era uma delícia e a vida corria muito mais calmamente.
Mas seria impossível escapar à forte urbanização da zona: o território que medeia entre Matosinhos e o Porto só podia ser sujeito a grandes pressões, a situação de sanduíche entre dois pólos de serviços nunca permitiria que continuasse como era. (Esse lado das vivências mais antigas desta área está, de resto, a ser preservado no Núcleo Rural de Aldoar.)
Pudéssemos todos viver em sítios onde o equilíbrio entre o edificado e o verde se fizesse assim:

(sudoeste; su-sudoeste; sul; su-sudeste; su-sudeste)
a

20.2.07

dois amantes ao luar

a
Marta Seixas, acrílico sobre tela, exposição na Galeria Quadrado Azul, Porto, 1988
foto: Eduardo Gomes
a

19.2.07

terceira década

a
A mesma vista, captada exactamente do mesmo ponto, em






1984


1992


2006

18.2.07

a
a primeira flor do ano no meu pequeno jardim suspenso
a

16.2.07

152 milhões de euros...

a
... é o preço oficial do novo negócio:


Um acordo entre a empresa holandesa Trafigura Beher e o Governo da Costa do Marfim isenta ambas as partes de qualquer responsabilidade criminal no caso da distribuição de resíduos tóxicos a céu aberto por várias zonas da capital comercial daquele país. Os três responsáveis da empresa que estavam detidos preventivamente pelas autoridades locais foram libertados.


Em Setembro passado, morreu cerca de uma dezena de pessoas e mais de 70.000 sofreram intoxicações na sequência do despejo das águas sujas do petroleiro Probo Koala (na imagem), que na realidade actuava como refinaria de petróleo clandestina, por várias lixeiras públicas de Abidjan. [5,5 milhões de euros...] [5,5 milhões de euros... (2)]

A quantia agora acordada servirá, claro, para 'indemnizar as vítimas' e para a construção de uma unidade de 'tratamento de resíduos'.

Também serve de barómetro para avalizar da refinação clandestina de petróleo a bordo de cargueiros em curso pelo Atlântico como actividade altamente lucrativa. O combustível assim obtido, de má qualidade e de elevado grau poluente - afinal um petroleiro não é exactamente uma refinaria -, é depois vendido pelo continente africano. A coisa vai-se disfarçando com o transporte de cargas perfeitamente legais em simultâneo. É uma alegria!

(Com jeitinho, a Trafigura Beher ainda foi buscar algum dinheiro a outras empresas a operar no ramo, a braços com o problema do tratamento destes resíduos na Europa, onde o processo é fiscalizado e sai mais caro.)

[Le Monde] [BBC News]
a

el carnaval

«Cada año que pasa los carnavales son un poco más tristes y desangelados, más municipales y burocráticos. Antes, cuando no los organizaba nadie y brotaban con espontaneidad y frescor, tenían un cierto aire subversivo y gracioso, disparatado e inconscientemente candoroso, pero ahora le metieron mano los ayuntamientos y las agencias de viajes y el carnaval, claro es, se resiente y lo que es peor, también se ha hecho salvaje por reacción, tan lógica como no prevista, al encorsetamiento administrativo. El error fue el de probar a convertir la chispa del individuo en la mansa llama sin temperatura de la multitud pagana y dócil, esa mansa materia prima de la sociedad de consumo, que hasta agradece que se le den normas y consignas. Yo entiendo – y también lamento - que a las autoridades del mundo entero les interese capar voluntades y enderezar conductas, pero me extraña que nadie acuse el golpe bajo que se nos quiere asestar en nuestros más recónditos caprichos.»

Camilo José Cela

(uma pequena reflexão à minha espera, hoje, na caixa de e-mail)
a

13.2.07

o estado da nação

Se já estranhei, ontem de manhã, a senhora a quem dei boleia ainda não saber o resultado do referendo, imaginem o que não terei pensado hoje, à 1h30 da tarde:
- Ó menina, mas afinal quem ganhou?

De resto, também estranhei o marasmo no trabalho, entre profissionais da saúde (ou talvez por isso?). Certo é que foi assunto ausente das conversas gerais dos últimos dois dias, para não destoar do que é comum em outros actos eleitorais.
Muitas dessas pessoas até têm informação, convicções, opiniões formadas e alguma vontade de falar, mas esbarram num de dois obstáculos: temem ou divergir das hierarquias ou passar por 'politicamente menos correctas'.
a

11.2.07

e já vem tarde

Sobretudo às novas gerações de mulheres que não terão que passar pelos dramas das das suas antecessoras demos hoje uma grande prenda. Finalmente!
a

imprescindível...

a visita anual à galeria de premiados no concurso da World Press Photo: o fotojornalismo mundial no seu melhor.


Spencer Platt - Beirute, 15 de Agosto, primeiro dia de cessar-fogo
World Press Photo of the Year 2006

a

8.2.07

um verdadeiro exemplo...

Espantosa, a revelação do segundo Inquérito Social Europeu:

84,9% dos portugueses dizem nunca ter pago sem exigir recibo, para evitar pagar IVA ou outros impostos (taxa na Europa: 74%)

«Outro dos factores analisados foi o factor "cunha". "Suponha que quer ter acesso a um serviço ou benefício a que não tem direito. A quantos familiares ou amigos é que acha que pode pedir ajuda?" Catorze por cento dos portugueses responderam que "nunca fariam uma coisa dessas", face a 17,2 dos europeus. Mas 42,2 por cento dos lusos dizem que teriam algumas, "poucas", pessoas a quem recorrer, face a 29,8 por cento dos europeus. Os portugueses dizem-se "grandes respeitadores da lei" - alegam não fugir aos impostos, não reivindicar benefícios a que não têm direito, etc. - em todas as respostas que dão.» [Público, sem link]


De resto, nada que não fosse de esperar:

38,9% dos portugueses dizem não ter "nenhum interesse pela política" (taxa na Europa: 17,9 %);

96,7% dos portugueses dizem pertencer à religião católica (taxa na Europa: 54,4 %)

e

21,6% dos portugueses atribuem um 6 (escala de 1 a 10) "ao seu grau de satisfação com a vida em geral" (taxa na Europa: 9,5 %).
a

4.2.07

alexandre litvinenko (2)

Parece que sempre se descobriu o executante. [BBC News]

A mando de quem, directamente, é mistério que fica por deslindar, mas é coisa que não considero muito relevante - quem lhe pagou fê-lo com os lucros gerados pelas dominantes teias de corrupção que (também) a Rússia fomenta e exporta.
a