8.5.07


LE DÉSORDRE

C'EST L'ORDRE

MOINS LE POUVOIR.


Não me lembro da exacta origem desta frase. Pode ser de Maio de 68, ou pode ter sido Bakunine, Marcuse, Léo Ferré...
É a única que me ocorre, em qualquer caso, para assinalar a eleição do novo presidente francês.

6.5.07

uma bela surpresa

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Juntou várias gerações e muito mais gente do que a princípio se imaginava. A própria organização estava um pouco surpreendida.

Foi um passeio solarengo e divertido - com a polícia a abrir caminho e fazer parar o trânsito! - e a oportunidade de encontrar velhos amigos que não via há muitos anos.













aaaa concentração



saída da Praça do Marquês de Pombal



aaaa Rua de Santa Catarina












Rua de Sá da Bandeira


aaaa chegada à Praça de D. João I














Para o ano, diz que há mais...

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4.5.07

pela foz

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Houve tempos em que eu por aqui passava todos os dias do ano, rumo ao Ferreira, o velho bar com cadeiras ferrugentas fronteiro à praia do Molhe - uma das mais bonitas do planeta, com toda a certeza - onde reuniam tribos várias oriundas de diferentes culturas mais ou menos marginais.

Depois vieram os primeiros bares modernos: os primeiros estrados, os pára-ventos, as pequenas multidões, vozes e música a abafar o murmúrio das ondas do mar. Cresceram feito cogumelos. Em 10 anos ocuparam, na Avenida Brasil, uma boa metade dos areais. E as praias, até então espaços de uso comum frequentados por milhares de banhistas, acabaram por se transformar em paisagens de esplanadas de bar, sem espaço para se estender um lenço.



Do outro lado da rua, já quase todas as antigas moradias deram lugar a modernos e luxuosos edifícios de andares, há lojas e automóveis por todo o lado.
Quanto ao passeio da marginal, encontra-se no estado que estas imagens do António Vasconcelos documentam.
A magnífica pérgola está de pé, mas os sinais de erosão são evidentes e parece que só resistem os vasos mais ao abrigo do vento norte.


Claro que alguns danos serão provocados por actos de vandalismo ou acidentes. Mas parece que ninguém - Câmara, APDL, seja lá quem for! - tem interesse em reparar nem estes estragos nem os buracos no pavimento, certamente responsáveis por muitas lesões nos que ali se dedicam à prática de diferentes desportos.
Como parece não haver um mínimo de elementar respeito por uma das mais marcantes intervenções arquitectónicas da cidade do Porto.

(Pequeno palpite:
Não tarda muito, vem tudo abaixo. E vamos ver quem de direito a decidir gastar milhões num novo e brilhante projecto, na senda do inútil e famoso 'edifício transparente').
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29.4.07

em cada esquina um cartaz

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A iniciativa foi da Junta de Freguesia: um cartaz para cada instituição de Matosinhos. Estão espalhados pela cidade, numa acção que, de certa forma, traz de volta para as ruas uma amostra do espírito que se viveu durante a primeira fase do período revolucionário.















À volta deste que as imagens documentam, da EB1/JI Florbela Espanca, cada aluno tinha espetado um cravo de papel feito por si: eram 400... e demoraram dois dias a desaparecer.


Junto à Câmara Municipal foi mais desagradável - um qualquer indivíduo entreteve-se a vandalizar vários placards, escrevendo por cima 'Salazar 41%'. Não figura aqui a imagem porque me recuso a publicar um documento utilizável por qualquer um, nomeadamente os próprios simpatizantes dessas causas neo-nazis, que me são deveras repugnantes.




PS - A presente inconstância deste blog deve-se à circunstância de o meu PC estar necessitado de reparação que não é oportuno realizar de imediato. Em breve tudo estará de regresso ao normal.
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22.4.07

in the springtime

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Na nonagésima-quarta primavera antes do fim do século:


- A novela universitária do primeiro-ministro não oferece assunto susceptível de comentário

- A história da Universidade Independente não traz nada que seja realmente novo

- Os media perdem-se a comentar as directas centristas, cujo número de possíveis eleitores não ultrapassa o número de espectadores de alguns desafios de futebol

- O mundo parece continuar perdido numa espécie de fase de revisão da matéria dada: repetem-se as receitas e contam-se as vítimas;


Algo digno de nota positiva acontece finalmente:



No meu jardim suspenso, ao fim de três anos a gardénia está a florir.


PS - Admirável, igualmente, foi a actuação de quem de direito em relação àquele grupo de gente estranha que anda a querer desfilar suásticas pelas ruas. E não é porque se evita a concentração em Lisboa - é porque andam de facto a praticar acções ofensivas, lesivas e ilegais.
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13.4.07


aauto-retrato de meados dos anos 80 que cada vez encaixa melhor...

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1.4.07

botas

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mais um brilhante apontamento do chico da popeline no tirem-me deste filme.
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marijuana

1. «Did you know that Marijuana has been shown to:

- Relieve the pain of arthritis, rheumatism...
- Arrest the advance of glaucoma...
- Help migraine headaches...
- Be an adjunct to psycotherapy...
- Control spasticity from multiple sclerosis and paralyses...
- Mitigate withdrawal from alcohol and other hard drugs...
- Relieve menstrual cramps...
- Open bronchial tubes to relieve asthma attacks...
- Alleviate nausea and pain associated with cancer...
- Help overcome insomnia...
- Block epileptic seizures...
- Help people with AIDS to:
Relieve stress and depression
Eliminate nausea
Reduce pain
Fight the 'wasting away' syndrome by stimulating the appetite»

(Folheto do International Medical Marijuana Movement, San Francisco, de 1992, incluído na campanha "LET DOCTORS DECIDE, NOT POLITICIANS", que calculava que o uso clínico da canabis, com enormes benefícios para os pacientes, poderia reduzir em cerca de 30% as vendas de medicamentos comuns das grandes multinacionais farmacêuticas.)

2. Cada cultura tem uma substância psicoactiva associada às celebrações e ao lazer. As canabinóides são uma delas - têm noutras sociedades exactamente a mesma função que na nossa tem o álcool, que até é uma droga muito mais complicada.
Não me consta que os CAT estejam a abarrotar de 'agarrados à ganza' em ressaca, e os utilizadores de canabis são dezenas de milhar espalhados por todos os estratos económicos, sociais e culturais do país. Não me parece que sofram, ou causem, os estragos dos consumidores de heroína, cocaína, exctasy, barbitúricos ou mesmo álcool. Digamos que será um hábito mais equiparável ao... do café.

3. Esta situação de 'faz-de-conta-que-não-se-vê' que se vive actualmente não traz benefícios a ninguém. Através de canais de comércio legais e controlados, o Estado teria forçosamente muito dinheiro a arrecadar em taxas, impostos e o mais que se aplicasse. Os consumidores deixariam de ter que andar à mercê de um mercado clandestino em que pagam fortunas sem qualquer contolo na qualidade do produto que adquirem. E os vendedores deixariam de correr o risco de ir parar à prisão.




4. Aquela bolorenta personagem que acabou de ganhar o concurso televisivo está, de facto, cada vez mais presente no nosso quotidiano. Mas mesmo na altura dele era hábito que nos protestos se desse a cara ao manifesto - muitos viram-se com a vida lixadinha, é uma verdade, mas assinavam o nome em baixo.
Neste nosso democrático oásis, é a própria organização da marcha que fornece os meios a quem quiser desfilar sem rosto - seremos, ao que parece, um povo com medo das possíveis implicações de sair à rua a defender uma alteração legislativa.
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26.3.07

no 50º aniversário do Tratado de Roma (2)

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no 50º aniversário do Tratado de Roma (1)

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Se, como agora se desenha, um novo tratado é suficiente para regular esta cada vez mais alargada união, porque andaram tanto tempo a tentar impingir-nos a ideia da absoluta necessidade europeia de lhe dar forma constitucional?
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17.3.07

A
PROJECTO DE SUCESSÃO


Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua
continuar deitado até se destruir a cama
permanecer de pé até a polícia vir
permanecer sentado até que o pai morra

Arrancar os cabelos e não morrer numa rua solitária
amar continuamente a posição vertical
e continuamente fazer ângulos rectos

Gritar da janela até que a vizinha ponha as mamas de fora
pôr-se nu em casa até a escultora dar o sexo
fazer gestos no café até espantar a clientela
pregar sustos nas esquinas até que uma velhinha caia
contar histórias obscenas uma noite em família
narrar um crime perfeito a um adolescente loiro
beber um copo de leite e misturar-lhe nitroglicerina
deixar fumar um cigarro só até meio

Abrirem-se covas e esquecerem-se os dias
beber-se por um copo de oiro e sonharem-se Índias.

António Maria Lisboaaaaaaaaaaaa

cartão único

«António Costa argumenta que esse cartão não informa ninguém sobre coisa nenhuma. É um "mero porta-chaves", que permite o acesso "em separado" às bases de dados de um certo número de serviços. Tudo assenta, como se calculará, na qualificação essencial "em separado". António Costa não a pode garantir. Nem hoje, nem com certeza no futuro. Se o Estado tem, como tem, um duplicado do porta-chaves, nada o impede de o usar, formal ou informalmente. E, como cada chave leva sempre a mais quatro, em 20 minutos, se de facto for preciso tanto tempo, a vida de qualquer cidadão fica aberta a qualquer polícia. E, pior ainda, ao governo. Suspeito que António Costa divide as suas chaves por vários porta-chaves. É uma precaução louvável. O cartão 1 em 5 não é.»

Vasco Pulido Valente, citado n' o jumento.
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14.3.07

"new adventures in junkyland"

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Às vezes chego a pensar que dava um magnífico enredo de telenovela, não fosse acabar quase sempre nos enterros dos artistas principais.
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7.3.07

o reino do terror

Forças da ordem detêm manifestante, em S. Petersburgo, no sábado passado.
(foto: Alexander Demianchuk, Reuters)


«"Celui qui est venu ici a surmonté la peur, le dernier soutien de ce régime", a harangué Gary Kasparov. Les autorités municipales, il est vrai, n'avaient pas ménagé leurs efforts pour dissuader la population de répondre à l'appel des opposants, faisant diffuser des annonces dans le métro avertissant que les forces de l'ordre se montreraient sans pitié, arrêteraient les militants et perquisitionneraient leurs domiciles.
(...)
Ce sursaut de l'opposition intervient au moment où le Kremlin cherche à restreindre les libertés politiques à l'approche de l'élection présidentielle de mars 2008, craignant qu'une "révolution de velours" ne se produise en Russie».
a
No mesmo dia em que a Marcha do Desacordo levou 5 milhares de cidadãos às ruas de S. Petersburgo [Le Monde], mais um jornalista incómodo perdeu a vida em Moscovo.
Ivan Safronov, antigo membro das Forças Armadas russas e especialista em assuntos relacionados com tecnologia espacial militar, caiu do 5º andar do bloco de apartamentos onde morava. As autoridades locais anunciaram estar a investigar a possibilidade de Safronov ter sido 'conduzido ao suicídio' [BBC News].

Menos negociatas e mais pressão é o mínimo que se pode exigir aos representantes de uma comunidade internacional que se tem como civilizada.
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3.3.07

museu em Santa Comba Dão

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Quem não se lembra do passado está condenado a revivê-lo.
(Paracelso)
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28.2.07

fim de fevereiro

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o céu em junho
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27.2.07

sex & drugs

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«Quase metade dos casos de infecção por VIH/sida é composta por toxicodependentes, seguidos dos heterossexuais - cuja transmissão da doença está a crescer em Portugal - e dos homossexuais, de acordo com os dados referentes a 31 de Dezembro do ano passado.» [Público]

Pela redacção do texto se conclui que os toxicodependentes são ou bissexuais ou não praticantes. (E que o autor aproveitaria de uma formação intensiva em gramática da língua portuguesa).

PS - Espantosamente, a notícia não refere o dado mais curioso dos últimos tempos: é que além de estar a aumentar a transmissão via contactos heterossexuais, o VIH está a atingir cada vez mais pessoas de meia-idade.
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25.2.07

eu também não

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«O que é que seria preciso para me sentir mais português? Maior identificação com os meus conterrâneos. Que eles fossem mais cultos, menos complacentes, mais pontuais. Gostava que tivessem educação artística (é o país com menos educação artística da Europa).
É preciso dizer que os portugueses têm tantos defeitos como qualidades O nosso país não é melhor que os outros, é igual. À partida, não é mais bonito que os outros, é igual. Mas está hoje mais feio do que a maior parte dos outros porque os portugueses o fizeram feio. E eu não perdoo isso aos meus conterrâneos: o que eles fizeram das subúrbias das cidades; o que eles fizeram da costa; o que eles fizeram de algumas montanhas; o que eles fizeram do Alto Minho; o que estão a preparar-se para fazer no Douro, o que estão a preparar-se para fazer na Costa Vicentina, em grande parte do Algarve; o que fizeram nalgumas destas zonas que não são água nem terra nem fogo nem ar, entre Lisboa e a Ericeira e Mafra e Torres Novas, ou entre o Porto e Barcelos e Santo Tirso e Gaia. Você passa por aqueles sítios e vê restos de obras, restos de tijolo no chão. Não me diga que estas pessoas gostam do país que têm. Ninguém trata assim uma coisa de que gosta.
Eu gostava da ideia que eu podia fazer de Portugal de um país muito bonito, de um país com algumas montanhas, de um país que consegue ter ao mesmo tempo o Mediterrâneo e o Atlântico, que consegue ter a planície e a montanha, que tem a costa, o litoral e o mar, e que tem os rios e que tem uma luz nalguns sítios e que desperdiça tudo, e que estraga e que estraga, que destrói, que destrói, que constrói cimenteiras na Arrábida. Só um povo louco, só um dirigente louco é que fazem coisas dessas. Agora está um pouco melhor, mas há uns 15 anos havia 600 lixeiras no país e as pessoas viviam ao lado delas. Havia uma famosa entre a Régua e Mesão Frio, até o Manoel Oliveira a filmou no Vale Abraão. Uma coisa hedionda, esteve ali 30 anos, sem que um presidente da câmara, um governo, um ministro, um director-geral acudissem àquilo. Os portugueses não gostam de Portugal. Os portugueses gostam deles.
Não gostam do país que têm. Destroem-no de tal maneira que não podem gostar de Portugal. E eu não gosto das pessoas que não gostam do país que têm.»

António Barreto, em entrevista a Adelino Gomes, hoje, no «Público» [sem link]
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se produzissem o mesmo efeito...

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Os trabalhadores constantemente interrompidos por mensagens de e-mail e chamadas telefónicas sofrem uma quebra no QI duas vezes superior à verificada em utilizadores de marijuana, revela um estudo encomendado pela empresa Hewlett Packard ao Instituto de Psiquiatria da Universidade de Londres. [BBC News]
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24.2.07

boeing 757?

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Não é que compre a generalidade das 'teorias da conspiração' que por aí circulam. Mas é plausível que um Boeing 757, 80 toneladas de peso, incluindo 20.000 litros de combustível, embata no Pentágono e só deixe estes vestígios? Por outro lado, se tivesse sido um aparelho militar, por que razões iria a Al Qaeda fazer segredo acerca disso?




A história foi realmente mal contada, mas, face ao impacto das Twin Towers, muito pouca gente se lembrou de perguntar porquê. E o meu palpite é que passarão algumas décadas até chegarmos a saber o que naquele dia de facto aconteceu.

(Até dar com este par de fotografias, pus sempre a hipótese de as imagens deste filme terem sido manipuladas. Convenci-me agora que não.)
a

felgueiral

1.
«No texto que sintetiza a matéria detectada e explica o procedimento da comissão são enumeradas 15 situações, que podem configurar crime e que vão desde: "Fraccionamento sistemático das empreitadas, sem justificação, para evitar a aplicação do concurso público, privilegiando sem razão o convite directo a um núcleo restrito de empresas"; "adulteração de base de dados da correspondência enviada", autorização "mais do que uma vez de duas propostas de lançamento da mesma empreitada com preços distintos"; "manipulação de análise de propostas"; "adjudicação a determinadas empresas por valores muito superiores ao valor real dos trabalhos" ou "facturas de trabalhos a mais no valor de 150.000 euros, em contratos de avença". » [Diário de Notícias]

Não tenhamos ilusões: as ilegalidades que estão a ser investigadas na Gebalis não diferem muito das práticas de gestão da generalidade da administração pública no país. À medida que se zangam as comadres, vão sendo conhecidos alguns casos, e em cada canto parece esconder-se mais um episódio na busca do fundo do saco azul que o nosso dinheiro anda a alimentar há demasiado tempo.

«As pessoas condenam a corrupção no abstracto, mas na prática pactuam»

Independentemente das cambalhotas processuais que os casos investigados possam vir a dar e de eventuais arguidos virem ou não a ser condenados, o que se tem vindo a passar nos últimos anos é um enorme passo em frente. Basta pensar que são esquemas em vigor há muitas décadas e só agora começamos a conhecer, de facto, o estado real da coisa pública. Quanto a condenações, também há que ter em conta que só a prática nos levará a conhecer efectivamente as diversas fomas de contornar a lei e as melhores maneiras de a corrigir.

2.
No entanto, talvez seja preciso algum tempo para que alterações nas práticas produzam os efeitos necessários para convencer a opinião pública de que muitos a roubar aos poucos levam fortunas, e de que esses actos não podem ser legitimados por haver outros a lucrar mais.

Fenómenos tipo Felgueiral explicam-se afinal facilmente, a avaliar pelo estudo sobre corrupção do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa divulgado hoje no «Público» [sem link]. Aí se conclui não haver, entre os portugueses, «preocupação pela existência de corrupção na administração local, regional ou europeia e nas pequenas e médias empresas e no meio financeiro».

O trabalho, coordenado por Luís de Sousa, indica ainda que a maioria dos inquiridos «considera como actos corruptos os comportamentos que mais se aproximam da definição penal», o que «deixa uma ampla margem de tolerância para toda uma série de práticas não reguladas ou de difícil regulação, nomeadamente conflitos de interesses, cunhas, amiguismos, favorecimentos, patronagem política, etc».

3.
Em suma: podemos estar a dar alguns passos em frente, mas ainda resta muito caminho a palmilhar.

23.2.07

a
não percas tempo que o vento

é meu amigo também
a

21.2.07

esclarecimento

Em jeito de adenda ao post de anteontem [terceira década], devo esclarecer que as imagens, porque parcelares (são apenas da vista a nascente), podem induzir em erro. A sul e a poente, preservaram-se algumas muito razoáveis manchas de arvoredo, que de forma mais ou menos intermitente nos dirigem para sudoeste onde confinam com a parte mais antiga do Parque da Cidade.
Claro que a vista campestre era uma delícia e a vida corria muito mais calmamente.
Mas seria impossível escapar à forte urbanização da zona: o território que medeia entre Matosinhos e o Porto só podia ser sujeito a grandes pressões, a situação de sanduíche entre dois pólos de serviços nunca permitiria que continuasse como era. (Esse lado das vivências mais antigas desta área está, de resto, a ser preservado no Núcleo Rural de Aldoar.)
Pudéssemos todos viver em sítios onde o equilíbrio entre o edificado e o verde se fizesse assim:

(sudoeste; su-sudoeste; sul; su-sudeste; su-sudeste)
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20.2.07

dois amantes ao luar

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Marta Seixas, acrílico sobre tela, exposição na Galeria Quadrado Azul, Porto, 1988
foto: Eduardo Gomes
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