22.1.08

wild years

a
No cimo da Rua de Júlio Dinis, em frente ao café Orfeuzinho, houve em tempos uma discoteca - termo que na altura não se aplicava às «boites», mas às lojas de discos - que se dedicava sobretudo ao jazz e à música clássica, a Clave. Corria o ano de 1980 quando lá dei de caras com o que ainda hoje é uma das pérolas da minha colecção discográfica: a gravação ao vivo da banda sonora do filme «Cha Cha», do holandês Herman Brood.
Este acabara de se tornar marido da cantora Nina Hagen, antiga estudante de canto lírico vinda da RDA, que assim conseguiu fixar-se definitiva e legalmente do lado de cá do muro. Por alturas desta rodagem, emparceiravam frequentemente com outro 'casal maravilha': Les Chappell e Lene Lovitch.

«Cha Cha - The Soundtrack» junta Herman e a sua banda, The Wild Romance, os três convidados e uma série de então novas bandas holandesas, das quais nunca mais ouvi falar, em registos que vão da new wave ao blues, do jazz ao punk.

Herman Brood é uma figura incontornável na cultura holandesa contemporânea, com uma vasta obra em que se aventurou também pela literatura e pelas belas-artes. Descobri há tempos que se suicidou voando do alto de um prédio, há alguns anos (provavelmente, mais um cuja cabeça voou primeiro e que se limitou a ir atrás). Les Chappell parece ter-se esfumado com o tempo. Quanto às senhoras, e uma vez desfeitas as respectivas parcerias, por muito que tentassem mas nunca mais fizeram nada de jeito.

Herman Brood & His Wild Romance com Lene Lovich, Les Chappell e Nina Hagen: juntos e ao vivo em «Never be clever» e «I love you (like I love myself)»:

«Eat it!»




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pronto!

a
um blog de cara lavada!
a

21.1.08

new look

a
no meu quintal vai ter uma nova apresentação.

Se for como o costume, estará uns dias em fase de ajustes. Talvez não sejam muitos...
a

17.1.08

será que a gente não aprende?

a
«(...) Os estudos técnicos podem vetar ou validar soluções políticas. Não podem substituí-las. Aos técnicos o que pertence ao foro técnico, aos políticos o que pertence ao foro da política. Esta decisão merece ficar nos nossos anais democráticos como um caso exemplar de desresponsabilização política e de instrumentalização das opções técnicas.

«(...) A localização ao aeroporto a sul do Tejo acentua dramaticamente o crescente descentramento do país para sul, que a opção pela rede do TGV já prenunciava. Em vez de ficar situado perto do centro de gravidade populacional nacional, como era o caso da Ota, na fronteira entre a Grande Lisboa, o Oeste e o centro, a nova localização fica decididamente desviada para a periferia sudeste da região de Lisboa e Vale do Tejo. A população está a norte do Tejo; um equipamento nacional estratégico para o equilíbrio do país e todo o investimento que ele arrasta fica a sul. Com muito menos população, o país a sul do Tejo ficará em breve com três aeroportos (Lisboa, Beja e Faro), enquanto a toda a região central de entre Douro e Tejo não terá nenhum. Não se poderia imaginar maior assimetria territorial.

(...) Entretanto, a solução do TGV passou para uma alegada rede em "L", com ligação a Madrid via sul do Tejo e Badajoz, o que na verdade significa um traçado em "V"; ficando Madrid uma latitude a norte de Coimbra, é fácil ver que para viajar por TGV do Porto para a capital de Espanha via Lisboa é o mesmo que viajar para Lisboa via... Vila Real. Soma-se agora a deslocação do novo aeroporto internacional para o Sul, mesmo se a esmagadora maioria dos seus utentes directos residem a norte do Tejo, tornando o acesso ao aeroporto mais distante, mais demorado e mais caro (...)»

Via o jumento, um excerto de Vital Moreira a propósito do novo aeroporto.

Resta-me lembrar mais uma vez que os senhores que decidem estas coisas são a modos que nossos funcionários, pagos com o dinheiro dos nossos impostos, e contratados em função dos nossos votos nas legislativas (elegendo os membros da Assembleia da República e não o Executivo, que não passa de um grupo de gestores com contrato a termo certo. É àqueles que, em primeira análise, se devem pedir responsabilidades quanto aos sucessivos e rotundos falhanços nas funções de fiscalização das acções dos seus 'subordinados').
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15.1.08

acepipes avariados

a
chico da popeline, no tirem-me deste filme: incontornável, uma vez mais.
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13.1.08

o absurdo napolitano

a



«(...)

Aqui, passamos semanas com o lixo a acumular-se em pilhas, até que alguém se farta e lhes lança fogo. De vez em quando, ao acordar, verificamos que foi tudo recolhido.

Mas tudo isto se repete há muito tempo e tem implicações sérias na vida quotidiana.

As ruas de Nápoles já estão em mau estado de conservação e com os montes de detritos que ocupam o espaço, só uma fila de carros consegue ter espaço para passar. É trânsito numa faixa de rodagem, resíduos empilhados na do lado.

Não existem passeios, pelo que os peões têm que circular pelo meio da rua para contornar o lixo. É perigoso e obriga a estar constantemente alerta aos carros e motorizadas a passar.

Há muito pouca reciclagem, e obviamente não existem sistemas sofisticados de recolha de resíduos. Portanto, tudo vai parar à via pública.

Existem grandes preocupações quanto ao facto de, com a incineração de tanto lixo nas ruas, incluindo substâncias tóxicas de todo o tipo, haver riscos acrescidos para a saúde pública.

E há o cheiro. Um odor pestilento invade permanentemente a casa toda devido aos resíduos fumegantes. (...)

As pilhas de lixo também atraem os animais sem dono. Ontem fomos de carro ao aeroporto e passamos por dúzias de colinas de detritos, cada uma com o seu bando de animais a esgravatar. Cães e gatos, na maioria, mas também apareciam ratos.

(...)»

Este pequeno relato de um estrangeiro residente em Nápoles, aqui em tradução livre de um texto da BBCNews, dá-nos a dimensão do absurdo.

Quando, há uns anos, rebentou em Itália o escândalo das ligações entre os políticos e o crime organizado, lembro-me de o arquitecto Vittorio Gregotti expor o seguinte raciocínio: sendo a corrupção em larga escala um fenómeno comum à generalidade das democracias, o facto de lá ter vindo a público primeiro colocava a democracia italiana um passo à frente das outras neste campo.

Adaptando a ideia, podemos dizer que o caso napolitano é um exemplo, mais uma vez levado ao extremo, das teias de corrupção que porventura dominam a generalidade das administrações municipais e dos riscos que todos podemos vir a correr se não optarmos por controlar a maioria dos interesses instalados. E por fiscalizar quem nos administra a coisa pública.
Sendo que muitas vezes os negócios até correm, ao que se consegue ver, dentro da mais estrita legalidade. Mas nem assim deixam de nos minar a vida.
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painel

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António Quadros Ferreira e António Pascoal
Senhora da Hora

Ando há seis meses a tentar conseguir um boneco decente deste painel, mas a sua orientação faz com que a qualquer hora tenha sombras. Num destes dias de nevoeiro e luz difusa, lembrei-me de passar por lá. Mas acho que vou voltar a tentar por alturas dos aguaceiros da Primavera (se os houver...)
Quanto ao dito, à porta da sede da Cooperativa de Habitação As Sete Bicas, escusava de estar disfarçado atrás de uma pequena sebe e três mastros de bandeira que lhe retiram a amplitude de leitura: ou se passa quase ao lado ou nem se nota.
a

12.1.08

pensar o espaço urbano

a
«(...)

Desde a noite dos tempos, a arquitectura foi sempre feita para durar. A preocupação com a orientação dos edifícios, com a eficácia dos formas está presente nos trabalhos de arquitectos romanos ou renascentistas - Vitrúvio, Alberti, Palladio. Foi preciso esperar pelo século XX para assistirmos a uma arquitectura de costas voltadas para o meio envolvente! Agora procuramos repor o valor do equilíbrio térmico dos edifícios, utilizar o mínimo de energia possível. Mas, no fundo, o que devia mudar é mais a ética, não a técnica. De que serve limitar os consumos de energia das habitações se os seus moradores vão para o trabalho de automóvel? A construção e o urbanismo estão ligados. É preciso evitar a dispersão de edifícios por territórios muito vastos. Dito isto, não me parece que estas sejam questões que apaixonem o mundo da arquitectura, mesmo sendo essenciais.

(...)

A arquitectura actual tem problemas em exprimir algo além de si própria, em manifestar o interesse colectivo. Fecha-se sobre si própria porque muitos profissionais têm a impressão de que os fenómenos urbanos lhes escapam. Interessamo-nos só pelos objectos arquitectónicos, não pelo espaço que os interliga. Ora, o vazio integra a arquitectura tanto quanto o edificado.

(...)

O urbanismo deve encontrar as formas de exprimir o interesse colectivo e deter-se na prioridade de definir o espaço público. Seja qual for o projecto, no mínimo é necessário que o espaço público seja honrado. Defendo um urbanismo oportunista. Trabalho em função do projecto, do espaço envolvente, com os meios disponíveis. O urbanismo deve conjugar todos estes elementos, mesmo os mais banais. Deve criar as condições necessárias a que uma cidade funcione mesmo com os seus elementos médios, vulgares e falhados. O mundo não é harmonioso. A cidade ideal não existe.

(...)»

Yves Lion, arquitecto, professor, fundador em 1997 da Escola de Arquitectura da Cidade e dos Territórios de Marne-la-Vallée, em entrevista ao Le Monde.
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ilegais

a
Assuntos prementes a resolver levaram-me ontem ao escritório de uma sociedade de advogados portuense.

Carvalhosa ao cair da noite em dia de chuva intermitente.

Até à Rotunda, nem um autocolante azul na porta dos cafés, alguns clientes a fumar na rua.

Chegada ao destino, subo as escadas. À porta noto que não há autocolantes. Nem na sala de espera. Não há metáforas de polícias afixadas nas paredes. Gente bem educada, obviamente.
[Esta obrigatoriedade de afixar em cada canto proibições que são gerais e que toda a gente conhece faz de nós todos um bando de putos mal educados e impertinentes!]

Aproveito a ocasião para expor a minha dúvida. O advogado pensa um pouco e responde: «Sim, em casa pode. E aqui também...» «Aqui?!» «Decidimos só aplicar a lei nos espaços comuns, nos gabinetes pessoais cada um faz como quer.»

Não, não aproveitei para ter o prazer de prevaricar impunemente. Por princípio, não fumo em locais de trabalho alheios a não ser que os meus interlocutores também o façam, e o senhor não acendeu nenhum cigarro.

Mas saí de lá com um certo contentamento por ter estado no escritório de um conjunto de juristas que recusam deixar que a força da lei se imponha aos limites das liberdades pessoais e do bom senso. E que recusam tratar os fumadores como uns excluídos sociais.
a

11.1.08

serviços de utilidade pública*

a
Uma ferramenta que garante a privacidade das pesquisas na web (link na imagem):









*Serviços de utilidade pública passará a ser uma nova área na coluna da direita. O critério é estritamente pessoal.
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normalização

a
Afinal, Sócrates parece capaz de criar os tais postos de trabalho prometidos em campanha: diz que vão criar brigadas para fiscalizar peões! [Jornal de Notícias]
A este ritmo, no final de um segundo mandato estaremos todos a polícias!

Alguém será capaz de me explicar a paranóia policial recente?
E de explicar a esses senhores que normalização e normalidade nem sempre são conceitos coincidentes?

O bom senso é uma característica que começa a ser rara. Esperemos que não seja a evolução da espécie...
a

no comments

a
«Viver em terra de aldrabões, demagogos, pusilânimes, vigaristas, ladrões, boçais, trogloditas, dissimulados, incompetentes, ineptos, irresponsáveis, pacóvios, timoratos, cinzentos, ignaros, gabarolas ou indolentes é algo a que qualquer pessoa, em Portugal, está habituada.»

N' a criação do mundo, o Pedro Olavo Simões - pessoa cujo domínio da escrita, diga-se de passagem, admiro particularmente - iniciou o dia com este retrato.
a

9.1.08

dúvida

a
Agora que trabalho em casa, será que me é permitido fumar no escritório?
a

questão de princípio

a
Existem em Leça e na Senhora da Hora, mas na cidade de Matosinhos, tanto quanto sei, está por aparecer um espaço onde se possa, sentado à mesa, acender um cigarro com o café.
O resultado? Desde o início do ano, fora de casa, tomei um total de dois cafés.
É a forma de pressionar quem anda a ver se a coisa pega sem ser obrigado a investir, como é o caso da esmagadora maioria dos estabelecimentos que frequento.
Bem vistas as coisas, se não posso estar à vontade num local, por que raio hei-de ir lá deixar o meu dinheiro?
a

8.1.08

em atraso...

aNatal com crescentes - Sra. da Hora - 1.1.2008
a

ao contrário

aParque do Carriçal - 8.1.2008

Era eu catraia e este pequeno curso de água - o ribeiro da Riguinha - era um esgoto industrial.
A recuperação teve início há quase 20 anos, com a nova estrutura de saneamento básico do concelho, e a ele se devem os mais bonitos espaços verdes da Sra. da Hora e de Matosinhos Sul: correndo a céu aberto, as suas envolventes integram a Reserva Ecológica Nacional.

[Alguém suspeitaria que a mancha por detrás das árvores é a grande catedral do consumo cá do burgo?]
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4.1.08

a maldição dos pais intrometidos

a
Cultivamos o individualismo mas não valorizamos a autonomia - uma das constatações quotidianas no contacto com o universo de pais de crianças do 1º ciclo.
Claro que, a médio prazo, não pode deixar de ser contraproducente, como demonstra este estudo divulgado pela BBCNews: «The curse of the meddling parent».
a

como as coisas simples

a
«(...)Todos estes fenómenos de degradação são aspectos negativos, aliados ao facto de o conceito dominante ser o da quantidade: mais em detrimento de melhor. É por isso que é necessária uma reforma de civilização.
(...)
Uma política de civilização não deve deixar-se hipnotizar pelo crescimento.
(...)
É preciso abandonar o objectivo do 'cada vez mais' pelo do 'cada vez melhor'. O crescimento não passa de um termo puramente quantitativo.»

Edgar Morin, em discurso directo num chat do Le Monde, ou como pôr em termos simples os grandes desígnios civilizacionais.

[Para ler na íntegra: «Edgar Morin: 'La politique de civilisation ne doit pas être hypnotisée par la croissance']
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3.1.08

lembrete

a
Num estado de Direito, qualquer cidadão tem o direito de não cumprir as leis. Vem nos livros. O que se passa a seguir é assunto para ser tratado pelas autoridades competentes.
Confesso que me cansa este país em que toda a gente já é pelo menos jurista, médico e professor... e ultimamente acumula com a actividade de polícia.
a

1.1.08

é proibido fumar

a
No Reino Unido, foi de 130% o aumento de espaços ao ar livre em bares, pubs e restaurantes desde que entrou em vigor a proibição de fumar no interior destes recintos, no Verão passado. Ainda assim, a quebra no negócio da restauração tem sido significativa.
Será uma questão de tempo. Se para jantar à vontade entre amigos é preciso ficar em casa, lucram os take-away da zona. Em breve, muitos dos que a partir de hoje afixam «não fumadores» estarão a concluir que é preferível investir em sistemas de exaustão.
a

wishful thinking

A
HAPPY
2008!
A

28.12.07

benazir bhutto

a
Digamos que é um mau agouro que fica a pairar sobre o ano que se avizinha. E mais uma que ficamos a dever aos esforços de democratização do senhor Bush no reino dos muçulmanos: cada tiro, cada melro!
a

23.12.07

a não perder...

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«2007, ano do grande regresso dos Estados», a análise de Frédéric Lemaître publicada no «Le Monde».
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