1.2.08

trabalhadores-fantasma

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«Eram responsáveis pela limpeza nas esquadras da PSP há anos. Recebiam vencimento, explicado num recibo igual aos dos agentes, e tinham direito a subsídio de Natal e de férias.
Em Dezembro, começaram a receber cartas da Direcção Nacional da PSP comunicando-lhes que estavam dispensadas e que o "contrato não escrito" celebrado com a polícia era "nulo". Portanto, "não há lugar à reposição de quaisquer quantias pagas pelo tempo prestado". São 320 pessoas em todo o país em risco de ir para a rua sem um tostão.» [«Público», sem link]

A administração pública está cheia deste tipo de contratos de trabalho nulos e o problema não está em não serem escritos. As regras que todos conhecemos em relação aos privados não são as mesmas para o Estado. É um emaranhado de diplomas de que tive conhecimento quando estudei a hipótese de pressionar o IPS quanto à legalização do meu próprio contrato de trabalho.

As leis, entretanto, sofreram alterações e já dão a hipótese de legalizar as situações com contratos individuais de trabalho, mas nenhuma instituição o tem feito. Optam por contratar os mesmos trabalhadores através de empresas de prestação de serviços ou por fazer de conta que não existem, deixando-os numa espécie de limbo em que se aplica a legislação que, a cada altura, lhes é mais conveniente.

Já tive notícia de outras queixas judiciais, mas a título individual. Uma coisa é certa: se as decisões forem favoráveis aos trabalhadores, vai haver um grande corrupio. E no seio de muitas instituições, muito boa gente vai ter que engolir em seco.
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«Castro, l'infidèle»

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«Trata-se de uma biografia, de uma longa reportagem, de um romance real ou de uma obra de carácter histórico? Talvez um casamento entre todos estes géneros. De entre os múltiplos obstáculos que encontrei pelo caminho, um dos maiores foi sem dúvida o próprio nome do comandante Castro. 'Fidel' é, com efeito, uma palavra armadilhada, que evoca uma proximidade e um parentesco pouco propícios à visão distante e neutra. Mesmo os mais virulentos entre os exilados de Miami, os que gostariam de o ver na cadeira eléctrica, o tratam por Fidel como se falassem de um primo. Ora, Fidel Castro não tem espírito de família. E também não é um homem muito fiel. O único domínio em que nunca falhou, nunca cedeu e nunca mentiu é o da defesa encarniçada da sua própria glória.»

Serge Raffy, «Castro, l'infidèle», introdução

Um título genial. Uma abordagem interessante. Um preço mais que de saldo (5€). Um livro curiosíssimo.
O francês Serge Raffy - jornalista, escritor e argumentista - fez uma investigação minuciosa, mas não se deteve nos factos: recolheu também impressões, juízos mais ou menos especulativos, conclusões mais ou menos controversas. E não se coíbe de acrescentar os seus raciocínios, nem de imaginar ou recriar algumas cenas.
Mas fá-lo com uma escrita transparente e não há momento em que se não distinga, com toda a facilidade, entre aquilo que se sabe que se passou e aquilo que se pensa poder ter-se passado.
À parte o retrato do ditador, à parte as tricas políticas, à parte a viagem pelos ambientes de um século de história cubana, «Castro, l'infidèle» retrata mais de 50 anos de eficacíssima manipulação da opinião pública à escala do globo - área em que o comandante é de facto um verdadeiro génio.
Por outro lado, responde a uma interrogação que anda no ar desde há uns tempos. Não, Raúl não é reformista. Será mesmo mais duro que o irmão, de quem sempre foi braço direito.
O livro foi publicado em 2003, era Fidel já um homem a debater-se com os problemas da velhice e das doenças, vivendo mais ou menos em retiro na companhia da mulher que durante muitos anos manteve secreta. Não perdeu em actualidade: à história pouco mais faltará acrescentar além da data da sua morte.
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31.1.08

no comments

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«A guerra do Líbano de 2006 foi marcada por "graves erros e fracassos, tanto a nível político como militar, por falta de pensamento e planeamento estratégicos", concluiu a Comissão Winograd, ao fim de quase ano e meio de investigação.» («Público»)
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30.1.08

"life is a cabaret"

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Primeiro, faz-se do homem o bombo da festa. Depois cai e, afinal, era um bom ministro, só não tinha dotes de comunicação suficientes para enfrentar tantos interesses...
Mas a razão, no fundo, é sempre a mesma: a de um país que continua a querer a papa feita sem perceber que primeiro é preciso deitar mãos ao trabalho.
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29.1.08

se fosse o euromilhões...

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Ora, no dia em que eu finalmente consigo gravar as 'moving pictures', cai o ministro!

As ditas 'pictures' são basicamente da sala de colheitas e laboratórios do Centro Regional de Sangue do Porto, em cujo sector de Agentes Transmissíveis cumpri seis anos e meio de sucessivos contratos a prazo de seis meses.
Eu trabalhava com o outro lado, como costumava dizer. Era a partir do momento em que se detectava algum problema analítico e a unidade de sangue era inutilizada que se iniciava a minha acção: cuscar no lixo - era preciso fazer levantamentos, cruzar confirmações de resultados, notificar doentes.

Às vezes, era um verdadeiro trabalho de detective. Um dia um nome soou-me familiar, vai daí fui à cata e detectamos um portador de HIV, conhecedor do facto, que andava a tentar doar sangue em vários sítios (sem sucesso em nenhum deles, refira-se). Acontece...

De resto, ainda não sei se era verdadeiramente hilariante ou se isso foi uma defesa minha para não ceder ao desespero que é trabalhar na Administração Pública. Digamos que, na prática vigente, a principal função de qualquer um é empatar a vida ao vizinho, quanto mais não seja para demonstrar que tem essa capacidade dentro do quintal. Às vezes era melhor do que cinema!
Talvez os senhores que estudam o fenómeno da (im)produtividade nacional devessem deter-se um pouco neste nosso espírito de pequena inveja.

Mas tenho que reconhecer que era um sítio democrático: a 'elasticidade' de horários não era só para os médicos e funcionários superiores, mas um direito de toda a gente!

Nos últimos dois anos, o cenário ganhou contornos de ficção científica: novas instalações, de raiz, laboratórios de alto rendimento. Um dia lembrei-me de fotografar os ambientes dos meus circuitos diários pelo edifício que, além de bonito, foi pensado de forma muito inteligente (a ARX Portugal, que assina o projecto, não pode ser responsabilizada pelas decorrências de, com a obra já avançada, ter sido alterada a encomenda).

Nunca consegui foi o meu grande objectivo: fazer passar «Espécie de Vampiro», de Jorge Palma, em som de fundo na sala de colheitas. Aqui fica, portanto, uma pequena vingança...

Nota: a escolha da música é um pequeno exercício lúdico, uma ironia que se impunha, que em nada se confunde com a minha opinião sobre a acção do CRSP ou do IPS.





PS - Quanto ao ministro, e nesta altura do campeonato, gostava mais que não tivesse sido substituído por um médico. A ver vamos...
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28.1.08

gangs of new york

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Acabei de ver «Gangs of New York» e não pode deixar de me vir à memória um trabalho que fiz num curso de Língua Inglesa, há alguns anos, em que nos foi proposta a redacção de uma crítica de cinema, por acaso uns dias depois de eu ter visto «Aviador»:

«The weird thing about this film is that it makes us travel along a few years of Howard Hughes' life guided by an absolutely brilliant eye – Scorcese's awkward art for showing genius and insinuating insanity is totally perceived only towards the end – with the constant opposition of the actor in the leading role, as Di Caprio is unable to reveal enough intensity to be convincing playing such a troubled mind.
Aware of what he was dealing with, Scorcese did a very good job trying to hide Di Caprio's lack of hability behind camera movements, lightening, make-up and similar effects. He could have been completely successful. He was close enough, but he was not.
On the other hand, this close distance to perfection might be the detail leading us to admire how perfect Scorcese's work can be. In spite of Di Caprio, a masterpiece.»

Acontece que, desta vez, Scorcese foi eficaz a resolver o problema: disfarçado de protagonista, Di Caprio é, na prática, apenas o pretexto para contar a história, uma personagem básica, com um objectivo mas sem grandes dilemas. E ele safa-se muito bem na coisa.
O protagonismo acaba por ficar nas mãos de Daniel Day-Lewis e Scorcese consegue - com a inclusão do 'artista' e mais uma vez com mão de mestre - resolver aquilo a que podemos chamar um verdadeiro 'cu de boi' na actualidade: o financiamento da produção do grande cinema de autor.
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a revolução 'desumana'

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«(...) Temos uma dificuldade crescente em distinguir a informação da sua síntese ou, dito de outra forma, do conhecimento. Porquê? Porque a cultura gerada pelas máquinas nos ultrapassa. Usando uma metáfora marítima: a quantidade de informação apresentada na net é um oceano, mas nós desconhecemos a arte de marear. Cada vez mais, parece que permanecer à superfície deste oceano - «navegar» - se tornou uma questão de sobrevivência. Só que os humanos ainda o fazem à moda antiga, ainda vemos o conhecimento aliado ao conceito de profundidade. A superfície e o fundo: vamos ter que aprender a conciliar estas duas noções.»

Interessantíssimas, as linhas de raciocínio do professor Ollivier Dyens. «La révolution 'inhumaine'», a ler na íntegra no Le Monde.
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27.1.08

batem corações por trás do nevoeiro e do aço

aMarta Seixas, técnica mista sobre papel, da exposição Afluentes Cromáticos - Galeria Quadrado Azul, Porto, 1990
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para que conste

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Fumo há muitos anos, aí uns 25. E fumo muito (um maço e meio ao dia é para mim razoavelmente pouco).

Os meus pulmões não estão cheios de resíduos, o que se comprovou em vários raios-X aquando de uma pneumonia relativamente recente, e a árvore brônquica aparece perfeitamente desenhada. Não me dá o abafa com esforços mais intensos, tipo corrida para apanhar o autocarro. Os clínicos dizem que não é normal, mas que às vezes acontece.

Sou uma potencial assassina, disseram-me muitas vezes: nem durante a gravidez deixei de fumar. Não, a criança não nasceu prematura, até passou o tempo; não, não nasceu com baixo peso, eram 3,600 kg. Não, não tem problemas respiratórios - é uma criança saudável, já lá vão quase nove anos e nunca fomos a um hospital.

ESTOU FARTA DE ATURAR GEORGES!
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odisseia matosinhense

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Ora, tinha eu verdadeiramente vontade de jantar fora. Também acontece de vez em quando...

Primeira tentativa:
Portugália, NorteShopping (o mais perto) - a excepção no grupo Portugália. Parece que o tio Belmiro não deixa...

Segunda tentativa:
D. Zeferino, Matosinhos - fuma-se, de facto. Mas tentem lá arranjar mesa...

Terceira tentativa:
Churrascaria Inglesa, Matosinhos - vermelho! Definitivamente, a rede de informações on line não anda lá muito exacta!

Finalmente:
Churrascaria Portugal, Matosinhos - continua a servir magníficos grelhados para trazer para casa!
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26.1.08

as vantagens de ser letrado

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Em França com honras de primeira página, na Alemanha mais discretamente, morrem os últimos veteranos da I Grande Guerra.

Vem-me à memória uma história de família, a do meu bisavô José dos Santos Carvalho, figura muito pouco simpática, de resto, marceneiro, engenhocas e usurário lá para as bandas do Paião.

Rezam as crónicas que, por falta de gosto, ignorância ou teimosia, em catraio se recusava a aprender a ler. A sua mãe, no entanto, nunca deixou de insistir, e ao fim de uns anos de canseira lá conseguiu ver o filho dominar os rudimentos da escrita e da leitura, que este continuava a considerar uma coisa fútil.

Até passarem os anos e ser mobilizado para o teatro de guerra, em França: o facto de ser dos poucos soldados portugueses alfabetizados valeu-lhe um posto administrativo, longe das trincheiras, que lhe permitiu escapar às doenças, às bombas, aos gaseamentos (e continuar a atazanar a vida de toda a família até aos anos 80!)
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25.1.08

da comunicação social no meu país

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1. O que faz um jornalista? Essencialmente conta histórias. Em que difere dos outros cidadãos? No facto de fazer vida disso, geralmete inserido numa estrutura funcional que centraliza e distribui a corrente de material informativo.

2. A missão da comunicação social é a de informar, sim senhor, mas de informar esclarecidamente. O que pressupõe a necessidade de conhecer o contexto dos assuntos que são notícia, mas também a capacidade de o transmitir ao cidadão comum, não a meia dúzia de esclarecidos.

3. Uma informação, qualquer que seja, só chega a uma Redacção quando alguém tem nisso interesse. A primeira obrigação de um jornalista é tentar ir deslindando o que está em jogo, saber em que terrenos se vai movendo, perceber as tentativas de manipulação que andam sempre presentes. Não é andar à cata de fazer bonitos nem ser moço de recados.

4. Uma Informação que não reflecte sobre si própria não consegue defender-se face à complexidade das circunstâncias com que se defronta. É manipulável. E de facto manipulada. Sem que sejam sequer necessárias interferências directas.


PS - Num órgão de Comunicação Social há uma hierarquia editorial co-responsável pelo que se publica. Há diferentes intervenientes no processo, portanto mais discussão sobre as matérias em análise - de onde decorre, obviamente, um potencial de trabalho com maior consistência.
Esta a diferença entre blogs e jornais, bloggers e jornalistas: a estrutura, não a substância. Porque a substância, aqui, é apenas a realidade à nossa volta, e essa nunca foi prerrogativa de ninguém.
(Agora, um blog não deixa de ser uma forma de comunicação social...)
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24.1.08

cinefilias

a
Catalogar todos os filmes vistos ao longo de seis décadas e meia é coisa de que nunca me lembraria, mas foi o que resolveu fazer o autor de 65 anos de cinema, que desde 1943 mantém esse registo.
Eu diverti-me a passear por entre os títulos e resolvi escolher não propriamente os melhores, mas aqueles que, à altura em que os vi pela primeira vez, deixaram impressão mais forte.

Para a lista estar completa faltariam três ou quatro, mas não integram os 2961 filmes indexados.
Assim sendo, e por ordem cronológica de visionamento:


«Ter e não ter», Howard Hawks

Dez vezes melhor que «Casablanca» e a minha banda sonora preferida.


«E tudo o vento levou», Victor Fleming

À quarta ou quinta vez lá o apanhei numa sala de cinema...


«Cabaret», Bob Fosse

Teria 10 ou 11 anos... perturbante!


«Os Inadaptados», John Huston

Huston, Miller e Marilyn...


«Apocalypse Now», Francis Ford Copolla

Cá por casa, o único filme que alguma vez foi alvo de censura: tive que o ir ver às escondidas...


«Paris, Texas», Wim Wenders

Fui vê-lo outra vez no dia seguinte...


«Lawrence da Arábia», David Lean

O deserto. Peter O'Toole a contracenar com Omar Shariff...



«Blue Velvet», David Lynch

O melhor de Lynch. Tenho dito.


«Subway», Luc Besson

Um filme meio onírico que me deixou bem-disposta por muito tempo...


«Cleópatra», Joseph L. Mankiewicz

Um grande clássico. E Richard Burton, um dos meus actores preferidos.



«Gilda», Charles Vidor

«I didn't think I'd be true to a man again as long as I lived...»



«Gata em telhado de zinco quente», Richard Brooks

Outro clássico.


«Larry Flint», Milos Forman

Um grande filme a que quase ninguém ligou nenhuma....
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22.1.08

wild years

a
No cimo da Rua de Júlio Dinis, em frente ao café Orfeuzinho, houve em tempos uma discoteca - termo que na altura não se aplicava às «boites», mas às lojas de discos - que se dedicava sobretudo ao jazz e à música clássica, a Clave. Corria o ano de 1980 quando lá dei de caras com o que ainda hoje é uma das pérolas da minha colecção discográfica: a gravação ao vivo da banda sonora do filme «Cha Cha», do holandês Herman Brood.
Este acabara de se tornar marido da cantora Nina Hagen, antiga estudante de canto lírico vinda da RDA, que assim conseguiu fixar-se definitiva e legalmente do lado de cá do muro. Por alturas desta rodagem, emparceiravam frequentemente com outro 'casal maravilha': Les Chappell e Lene Lovitch.

«Cha Cha - The Soundtrack» junta Herman e a sua banda, The Wild Romance, os três convidados e uma série de então novas bandas holandesas, das quais nunca mais ouvi falar, em registos que vão da new wave ao blues, do jazz ao punk.

Herman Brood é uma figura incontornável na cultura holandesa contemporânea, com uma vasta obra em que se aventurou também pela literatura e pelas belas-artes. Descobri há tempos que se suicidou voando do alto de um prédio, há alguns anos (provavelmente, mais um cuja cabeça voou primeiro e que se limitou a ir atrás). Les Chappell parece ter-se esfumado com o tempo. Quanto às senhoras, e uma vez desfeitas as respectivas parcerias, por muito que tentassem mas nunca mais fizeram nada de jeito.

Herman Brood & His Wild Romance com Lene Lovich, Les Chappell e Nina Hagen: juntos e ao vivo em «Never be clever» e «I love you (like I love myself)»:

«Eat it!»




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pronto!

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um blog de cara lavada!
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21.1.08

new look

a
no meu quintal vai ter uma nova apresentação.

Se for como o costume, estará uns dias em fase de ajustes. Talvez não sejam muitos...
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17.1.08

será que a gente não aprende?

a
«(...) Os estudos técnicos podem vetar ou validar soluções políticas. Não podem substituí-las. Aos técnicos o que pertence ao foro técnico, aos políticos o que pertence ao foro da política. Esta decisão merece ficar nos nossos anais democráticos como um caso exemplar de desresponsabilização política e de instrumentalização das opções técnicas.

«(...) A localização ao aeroporto a sul do Tejo acentua dramaticamente o crescente descentramento do país para sul, que a opção pela rede do TGV já prenunciava. Em vez de ficar situado perto do centro de gravidade populacional nacional, como era o caso da Ota, na fronteira entre a Grande Lisboa, o Oeste e o centro, a nova localização fica decididamente desviada para a periferia sudeste da região de Lisboa e Vale do Tejo. A população está a norte do Tejo; um equipamento nacional estratégico para o equilíbrio do país e todo o investimento que ele arrasta fica a sul. Com muito menos população, o país a sul do Tejo ficará em breve com três aeroportos (Lisboa, Beja e Faro), enquanto a toda a região central de entre Douro e Tejo não terá nenhum. Não se poderia imaginar maior assimetria territorial.

(...) Entretanto, a solução do TGV passou para uma alegada rede em "L", com ligação a Madrid via sul do Tejo e Badajoz, o que na verdade significa um traçado em "V"; ficando Madrid uma latitude a norte de Coimbra, é fácil ver que para viajar por TGV do Porto para a capital de Espanha via Lisboa é o mesmo que viajar para Lisboa via... Vila Real. Soma-se agora a deslocação do novo aeroporto internacional para o Sul, mesmo se a esmagadora maioria dos seus utentes directos residem a norte do Tejo, tornando o acesso ao aeroporto mais distante, mais demorado e mais caro (...)»

Via o jumento, um excerto de Vital Moreira a propósito do novo aeroporto.

Resta-me lembrar mais uma vez que os senhores que decidem estas coisas são a modos que nossos funcionários, pagos com o dinheiro dos nossos impostos, e contratados em função dos nossos votos nas legislativas (elegendo os membros da Assembleia da República e não o Executivo, que não passa de um grupo de gestores com contrato a termo certo. É àqueles que, em primeira análise, se devem pedir responsabilidades quanto aos sucessivos e rotundos falhanços nas funções de fiscalização das acções dos seus 'subordinados').
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15.1.08

acepipes avariados

a
chico da popeline, no tirem-me deste filme: incontornável, uma vez mais.
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13.1.08

o absurdo napolitano

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«(...)

Aqui, passamos semanas com o lixo a acumular-se em pilhas, até que alguém se farta e lhes lança fogo. De vez em quando, ao acordar, verificamos que foi tudo recolhido.

Mas tudo isto se repete há muito tempo e tem implicações sérias na vida quotidiana.

As ruas de Nápoles já estão em mau estado de conservação e com os montes de detritos que ocupam o espaço, só uma fila de carros consegue ter espaço para passar. É trânsito numa faixa de rodagem, resíduos empilhados na do lado.

Não existem passeios, pelo que os peões têm que circular pelo meio da rua para contornar o lixo. É perigoso e obriga a estar constantemente alerta aos carros e motorizadas a passar.

Há muito pouca reciclagem, e obviamente não existem sistemas sofisticados de recolha de resíduos. Portanto, tudo vai parar à via pública.

Existem grandes preocupações quanto ao facto de, com a incineração de tanto lixo nas ruas, incluindo substâncias tóxicas de todo o tipo, haver riscos acrescidos para a saúde pública.

E há o cheiro. Um odor pestilento invade permanentemente a casa toda devido aos resíduos fumegantes. (...)

As pilhas de lixo também atraem os animais sem dono. Ontem fomos de carro ao aeroporto e passamos por dúzias de colinas de detritos, cada uma com o seu bando de animais a esgravatar. Cães e gatos, na maioria, mas também apareciam ratos.

(...)»

Este pequeno relato de um estrangeiro residente em Nápoles, aqui em tradução livre de um texto da BBCNews, dá-nos a dimensão do absurdo.

Quando, há uns anos, rebentou em Itália o escândalo das ligações entre os políticos e o crime organizado, lembro-me de o arquitecto Vittorio Gregotti expor o seguinte raciocínio: sendo a corrupção em larga escala um fenómeno comum à generalidade das democracias, o facto de lá ter vindo a público primeiro colocava a democracia italiana um passo à frente das outras neste campo.

Adaptando a ideia, podemos dizer que o caso napolitano é um exemplo, mais uma vez levado ao extremo, das teias de corrupção que porventura dominam a generalidade das administrações municipais e dos riscos que todos podemos vir a correr se não optarmos por controlar a maioria dos interesses instalados. E por fiscalizar quem nos administra a coisa pública.
Sendo que muitas vezes os negócios até correm, ao que se consegue ver, dentro da mais estrita legalidade. Mas nem assim deixam de nos minar a vida.
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painel

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António Quadros Ferreira e António Pascoal
Senhora da Hora

Ando há seis meses a tentar conseguir um boneco decente deste painel, mas a sua orientação faz com que a qualquer hora tenha sombras. Num destes dias de nevoeiro e luz difusa, lembrei-me de passar por lá. Mas acho que vou voltar a tentar por alturas dos aguaceiros da Primavera (se os houver...)
Quanto ao dito, à porta da sede da Cooperativa de Habitação As Sete Bicas, escusava de estar disfarçado atrás de uma pequena sebe e três mastros de bandeira que lhe retiram a amplitude de leitura: ou se passa quase ao lado ou nem se nota.
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12.1.08

pensar o espaço urbano

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«(...)

Desde a noite dos tempos, a arquitectura foi sempre feita para durar. A preocupação com a orientação dos edifícios, com a eficácia dos formas está presente nos trabalhos de arquitectos romanos ou renascentistas - Vitrúvio, Alberti, Palladio. Foi preciso esperar pelo século XX para assistirmos a uma arquitectura de costas voltadas para o meio envolvente! Agora procuramos repor o valor do equilíbrio térmico dos edifícios, utilizar o mínimo de energia possível. Mas, no fundo, o que devia mudar é mais a ética, não a técnica. De que serve limitar os consumos de energia das habitações se os seus moradores vão para o trabalho de automóvel? A construção e o urbanismo estão ligados. É preciso evitar a dispersão de edifícios por territórios muito vastos. Dito isto, não me parece que estas sejam questões que apaixonem o mundo da arquitectura, mesmo sendo essenciais.

(...)

A arquitectura actual tem problemas em exprimir algo além de si própria, em manifestar o interesse colectivo. Fecha-se sobre si própria porque muitos profissionais têm a impressão de que os fenómenos urbanos lhes escapam. Interessamo-nos só pelos objectos arquitectónicos, não pelo espaço que os interliga. Ora, o vazio integra a arquitectura tanto quanto o edificado.

(...)

O urbanismo deve encontrar as formas de exprimir o interesse colectivo e deter-se na prioridade de definir o espaço público. Seja qual for o projecto, no mínimo é necessário que o espaço público seja honrado. Defendo um urbanismo oportunista. Trabalho em função do projecto, do espaço envolvente, com os meios disponíveis. O urbanismo deve conjugar todos estes elementos, mesmo os mais banais. Deve criar as condições necessárias a que uma cidade funcione mesmo com os seus elementos médios, vulgares e falhados. O mundo não é harmonioso. A cidade ideal não existe.

(...)»

Yves Lion, arquitecto, professor, fundador em 1997 da Escola de Arquitectura da Cidade e dos Territórios de Marne-la-Vallée, em entrevista ao Le Monde.
a

ilegais

a
Assuntos prementes a resolver levaram-me ontem ao escritório de uma sociedade de advogados portuense.

Carvalhosa ao cair da noite em dia de chuva intermitente.

Até à Rotunda, nem um autocolante azul na porta dos cafés, alguns clientes a fumar na rua.

Chegada ao destino, subo as escadas. À porta noto que não há autocolantes. Nem na sala de espera. Não há metáforas de polícias afixadas nas paredes. Gente bem educada, obviamente.
[Esta obrigatoriedade de afixar em cada canto proibições que são gerais e que toda a gente conhece faz de nós todos um bando de putos mal educados e impertinentes!]

Aproveito a ocasião para expor a minha dúvida. O advogado pensa um pouco e responde: «Sim, em casa pode. E aqui também...» «Aqui?!» «Decidimos só aplicar a lei nos espaços comuns, nos gabinetes pessoais cada um faz como quer.»

Não, não aproveitei para ter o prazer de prevaricar impunemente. Por princípio, não fumo em locais de trabalho alheios a não ser que os meus interlocutores também o façam, e o senhor não acendeu nenhum cigarro.

Mas saí de lá com um certo contentamento por ter estado no escritório de um conjunto de juristas que recusam deixar que a força da lei se imponha aos limites das liberdades pessoais e do bom senso. E que recusam tratar os fumadores como uns excluídos sociais.
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11.1.08

serviços de utilidade pública*

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Uma ferramenta que garante a privacidade das pesquisas na web (link na imagem):









*Serviços de utilidade pública passará a ser uma nova área na coluna da direita. O critério é estritamente pessoal.
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normalização

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Afinal, Sócrates parece capaz de criar os tais postos de trabalho prometidos em campanha: diz que vão criar brigadas para fiscalizar peões! [Jornal de Notícias]
A este ritmo, no final de um segundo mandato estaremos todos a polícias!

Alguém será capaz de me explicar a paranóia policial recente?
E de explicar a esses senhores que normalização e normalidade nem sempre são conceitos coincidentes?

O bom senso é uma característica que começa a ser rara. Esperemos que não seja a evolução da espécie...
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