18.2.08

when it gets to the laundry business...

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O Banco Julius Baer, da Suíça, é uma instituição centenária especializada em gerir o dinheiro e as transacções dos muito, muito ricos e em ocultar fortunas.
Ora, alguns ficheiros confidenciais subtraídos na filial da instituição nas ilhas Caimão, um paraíso fiscal caribenho, acabaram por vir a público. Demonstram negócios muito pouco claros, branqueamento de capitais, fugas ao fisco.
À custa do sigilo bancário helvético, o banco conseguiu congelar o processo judicial que corria naquele país. Com legitimidade legal, recusa facultar os documentos que poderiam permitir a investigação.

«(...) This is (...) the story of one of the biggest banks involved into offshoring business on the Caymans, dealing with an issue related to the privacy of their businesses. A story of a bank that by its actions right from the beginning to all action taken today, shows it has a lot to hide from all parties eventually involved. A story of a bank that rather uses scare tactics than talk about its business in a proper lawsuit.» [Clouds on the Cayman tax heaven]

A Wikileaks acabou de ser silenciada nos EUA por causa desta história (numa decisão judicial que se disse «definitiva», embora se tratasse de uma audiência preliminar...). Tem pelo mundo uma rede de servidores alternativos e está a operar fora das jurisdições norte-americana e chinesa (sim, lá também são ilegais). Promete continuar a investigar o assunto e publicar ainda mais dossiers confidenciais de instituições que operam no ramo.

O mínimo que podemos fazer é ir mantendo um olho na história.
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17.2.08

espírito olímpico (2)

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Tommie Smith e John Carlos, México, 1968

O senhor Spielberg, que obviamente não trabalha a feijões, só ganhou dignidade ao desvincular-se da organização dos Jogos Olímpicos.

Mas as ONG que pedem aos atletas intervenções políticas durante os ditos deviam começar por nos pedir, a todos, que boicotássemos os 'sponsors' deixando de ver as transmissões televisivas e de comprar o que eles produzem. É tão absurdo estar à espera de uma coisa quanto de outra.

Os senhores na fotografia manifestaram-se espontaneamente em causa própria e foram depois expulsos da delegação norte-americana e da aldeia olímpica. Acho que fizeram muito bem, mas não acho que seja assunto acerca do qual se deva pressionar ninguém.
(Além do outro absurdo que seria estar a gastar dinheiros públicos com a participação de cada delegação, e depois pedir aos atletas que estraguem tudo não cumprindo as regras.)

O respeito pela Carta Olímpica é um assunto. Comités olímpicos nacionais a exigirem compromissos individuais prévios para não melindrar a China é outro, completamente diferente.

PS - Esta imagem foi a primeira coisa que me veio à memória um destes dias, quando li no «Público» que o início da relação entre política e Jogos Olímpicos data dos diferendos EUA/URSS nos anos 80. Além do México, só passaram por cima de Berlim, de Munique e de Montréal. Está-se bem...

a propósito: espírito olímpico
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'ferve sob a superfície'

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Correm os nossos dias entre uma realidade concreta, aquela em que nos movemos, e uma realidade virtual paralela, exposta nos media, cada vez mais reféns da necessidade de vender face à obrigação de prestar informação esclarecida*.

Em relação às presidenciais norte-americanas, praticamente só vejo técnicas de vendas e evolução de mercados, a mais as análises respectivas, e muito, muito pouco acerca das matérias subjacentes.
Olho para aquilo tudo e até simpatizo com Obama - não sei até que ponto não é mais por ter aparecido como estraga-esquemas... - mas, à parte isso, pergunto-me: onde anda a realidade americana, aquela nação profundamente conservadora e puritana aparentemente transmutada pelos efeitos da política externa de dois mandatos do filho Bush?

Anda por lá, como não podia deixar de ser. Por detrás da realidade virtual das notícias. Como demonstra este depoimento de uma das filhas de Martin Luther King, Bernice, ao Le Monde: «Ça bout sous la surface».

*Havendo procura, a oferta aparece. Nós, leitores, também não seremos lá muito exigentes...
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16.2.08

segredos de jardinagem

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Começaram ontem a abrir. Já se sente o perfume.


Há três anos, era um saquinho de dez bolbos comprado no Continente, a ver se dava. Agora, já contei mais de 60 pés repartidos por vasos e floreiras.


A bem da verdade, o tratamento é cuidado. Regas, adubos, insecticidas e... enriquecimento espiritual.

Passo a explicar: se gostam de música, porque não hão-de apreciar uma leitura? E porque não hão-de ser criaturas informadas?





Hoje a sessão foi didáctica e registada em fotografia.












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inverno sem chuva

aSenhora da Hora, Fev. 2007

De vez em quando, é permitido às magnólias revelarem inteiramente o seu esplendor. Estão magníficas!
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15.2.08

menos mau

a
A British Olympic Association desistiu de impor restrições à liberdade de expressão dos atletas durante os jogos. Terão apenas de se reger, e como sempre, pela Carta Olímpica.
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human vs. nature

a
Paira sobre os nossos espíritos o tempo todo, às vezes faz voo picado, ameaça, mas o dilema ainda não se nos pôs efectivamente.

Um qualquer destes dias talvez tenhamos que definir definitivamente uma fronteira, a linha ténue que separa a justeza da acção humana e a inevitabilidade de nos submetermos às regras da natureza.

Há uma altura em que um organismo humano envelhecido simplesmente entra em falência, o que às vezes é um processo lento. Haverá um ponto em que mantém as funções vitais básicas à custa de métodos intrusivos dolorosos e que trazem sempre complicações subsequentes, um verdadeiro sofrimento que se prolonga, inutilmente.

Ontem o dia amanheceu negro. Acabou por aligeirar: o que podia ser um problema renal afinal não é nada de maior. Afasta-se o espectro das sondas, por uns tempos.
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14.2.08

aParque do Carriçal, Sra. da Hora
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13.2.08

o terceiro elemento

aTomasina Maria Alves da Silva Manso-Preto
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espírito olímpico

a
Os atletas que integram as delegações olímpicas da Bélgica, Nova Zelândia e Reino Unido estão a ser forçados ao compromisso de não se pronunciarem sobre questões incómodas para o Governo chinês durante os jogos.

Entretanto, Spielberg demite-se de conselheiro artístico por causa do Darfur. Só lamento que não o tenha feito também por causa dos chineses (e dos tibetanos, e dos birmaneses...)
a

12.2.08

sharia

a
A história anda nos jornais há uns dias, e desde o primeiro minuto tive a sensação de que algo não batia certo. Francamente, parece um bocado absurdo um chefe da Igreja Anglicana defender a existência de tribunais religiosos islâmicos em qualquer parte do mundo, quanto mais no Reino Unido.

Afinal não contaram tudo.

Os tribunais islâmicos existem em território britânico desde 1982, em paralelo com a Justiça oficial do reino. Serão uma espécie de tribunais arbitrais - qualquer um pode recorrer a um juízo comum sempre que queira - que regulam sobretudo questões como acordos de divórcio e custódia de crianças, negócios e afins. Também existem tribunais hebraicos. Claro que prevalece sempre a lei geral, mas muitas vezes as partes preferem recorrer a mediações mais de acordo com os seus costumes tradicionais.

Rowan Williams limita-se a defender a sua existência por constatar que são muito mais eficazes quanto à efectiva aceitação das decisões pelos membros das respectivas comunidades. E a achar que são fundamentais para a pacificação social.

Vistas as coisas em contexto, tem outro sentido. Mas sem contexto vende mais...

«'Banglatown', au coeur de Londres, défend les tribunaux islamiques», Le Monde
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os EUA na ONU

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«Set up by the Security Council in 1999 at the behest of the United States, but greatly expanded after the September 2001 terrorist attacks, the so-called “consolidated list” includes 370 individuals and 112 outfits suspected of having links with the Taliban or al-Qaeda. All are subject to a world-wide freeze on their assets, save for basic living expenses, along with a total travel ban outside their country of residence.

Getting onto the list is relatively easy, requiring a unanimous vote by the Security Council's sanctions committee (identical in membership to the Council itself). Any UN member state can submit a name.

Getting off is a lot more difficult. Requests for delisting have to be made either directly to the sanctions committee or through the affected person's country of birth or residence, and the burden of proof lies with the petitioner. The petitioner has to convince the same people who previously held him to be guilty that he is innocent—a particularly onerous task when he has no access to the information that led to his inclusion on the list in the first place. In the list's eight-year history, only 11 people and 24 organisations have been removed.» [The Economist]


No Tribunal do Santo Ofício, o princípio era o mesmo. Ao acusado competia adivinhar por que actos tinha sido denunciado e a identidade do delator, sendo esta a única forma de provar estar inocente.

Estava-se então em pleno Absolutismo, e não havia grande distinção entre as esferas dos poderes político e judicial. Seria suposto ter-se avançado mais um bocadinho.

O Tribunal Europeu terá agora de se pronunciar sobre o assunto. Aguardemos serenamente...

nota: em 1999, se bem se lembram, o chefe dos polícias era um tal senhor Clinton.
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11.2.08

são rosas, senhor

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Na Arábia Saudita, e por uns dias, o vermelho foi banido, conta a BBCNews. As lojas estão proibidas de vender objectos, flores ou mesmo de usar papel de embrulho com essa cor. Assim se pretende garantir que ninguém fuja aos preceitos islâmicos oficiais, ousando assinalar o Dia de S. Valentim.


Parece que a proibição já é costume, pelo que os sauditas também já se habituaram a iludi-la. Entretanto, o preço das rosas vermelhas disparou no mercado negro.
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obama

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Ok, o homem parece ter nascido fadado e é obviamente brilhante. E o mundo inteiro precisa mesmo que a coisa dê uma volta.
Agora, ajusta-se tudo tão bem - a figura, o discurso, o movimento, as circunstâncias - que eu não consigo deixar de ficar com uma pulga atrás da orelha... será que há mesmo consistência?

Quanto ao país onde tudo isto acontece e às suas contradições, calhou de ver esta semana dois comentários esclarecedores. Em primeiro, Frank Zappa, nos anos 80: «Let´s not be to rough about our ignorance. After all, it's something that makes America great!». Em segundo, Lou Reed, há uns cinco anos: «Well, I've never been able to figure out the United States...»
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10.2.08

jardim suspenso

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No Outono plantam-se os bolbos, e depois passam-se meses sem que se deite mãos à terra. Com o fim do Inverno chega a altura.

As frésias e o jasmim florescem nos próximos dias. As tulipas estão a rebentar. A gardénia tem casa nova, aparentemente estava a ser vítima de um atrofiamento da raiz.

No lado de dentro, foi mais trabalhoso: um pequeno paraíso subtropical, a julgar pela forma como crescem. Mas também está tudo a postos para enfrentar a Primavera.

Está bem, uma pequena selva na sala é um hobby, mas é também uma mais-valia doméstica considerável. Há a estética e o efeito relaxante, mas há sobretudo a purificação do ar.

PS - Diz o povo que «Fevereiro quente traz o diabo no ventre». Espero que nenhuma intempérie me venha dar cabo do trabalho, mais para a frente...
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9.2.08

a
Esta tarde, à hora do sol se pôr, pintou-se de avermelhado a mancha de poluição que cobre o Porto.
Está sempre lá. Em dias de nevoeiro, distingue-se pelo tom ligeiramente acastanhado. Em dias de chuva não se vê.
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6.2.08

também temos coisas boas...

a
Ser saudável sai mais caro ao erário público, conclui um estudo holandês noticiado no JN.
a

5.2.08

detalhes

a
Passando a publicidade, no Continente de Matosinhos (e imagino que nos outros), há muito que os sacos não são de plástico, mas de um material biodegradável obtido salvo erro a partir do milho.
A superfície é menos resistente, mas cumprem na perfeição as funções primordiais dos sacos de supermercado: trazer as compras e pôr o lixo.
Permitem manter velhos hábitos livres de pesos na consciência.
a

doce lar

a
Mudanças no escritório, que cá em casa inclui um 'cantinho infantil'.

- Ó mãe, está perfeito! Assim até pareces uma secretária e eu é que pareço a chefe!
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4.2.08

ora aí está!

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«Claro que é engraçado este jornalismo de ASAE numa eterna busca de um Watergate com migas à moda da Guarda. É engraçado mas não tem piada.»

Mário Crespo, JN
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3.2.08

journey under the skin


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Eu andava mais atrás de «Spirit» ou de «Old England», mas acabei por dar com esta magnífica versão ao vivo de «The Pan Within». «A Pagan Place» e «This is the Sea», de resto, são dois álbuns que colocam os Waterboys no centro do que de melhor se fez na década de 80. No tempo em que ainda cá estávamos todos...



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regicídio

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Quando eu era criança, vivia-se num mundo de metáforas. Impedidas de se exprimir livre e directamente, as pessoas usavam um sem-número de símbolos para o fazer por vias travessas. Um deles era o 5 de Outubro, a Implantação da República enquanto vitória do povo sobre o opressor, e participar em acções públicas comemorativas era um acto de resistência.

Os episódios dos últimos dias têm o dom de demonstrar o quanto muitos daqueles que nos representam continuam presos a realidades formais que já não existem.

Acho natural que isso possa acontecer na geração dos que por lá passaram, para alguns é estrutural. Entre os que vieram depois, no entanto, faz-me confusão não perceberem que o andar da história também se faz com mitos, e são necessários, mas que só se cresce verdadeiramente quando se chega ao tempo em que acabam por cair.

Querer fechar os olhos à realidade histórica e à complexidade das coisas só contribui para perpetuar gerações acéfalas, constituídas por camadas desprovidas de juízo crítico em relação às suas próprias acções, enquanto parte de um colectivo e enquanto indivíduos.
Bem vistas as coisas, não se distancia muito do mundo dividido em bons e maus, à velha maneira do raciocínio simplista tão caro ao presidente norte-americano.
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1.2.08

trabalhadores-fantasma

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«Eram responsáveis pela limpeza nas esquadras da PSP há anos. Recebiam vencimento, explicado num recibo igual aos dos agentes, e tinham direito a subsídio de Natal e de férias.
Em Dezembro, começaram a receber cartas da Direcção Nacional da PSP comunicando-lhes que estavam dispensadas e que o "contrato não escrito" celebrado com a polícia era "nulo". Portanto, "não há lugar à reposição de quaisquer quantias pagas pelo tempo prestado". São 320 pessoas em todo o país em risco de ir para a rua sem um tostão.» [«Público», sem link]

A administração pública está cheia deste tipo de contratos de trabalho nulos e o problema não está em não serem escritos. As regras que todos conhecemos em relação aos privados não são as mesmas para o Estado. É um emaranhado de diplomas de que tive conhecimento quando estudei a hipótese de pressionar o IPS quanto à legalização do meu próprio contrato de trabalho.

As leis, entretanto, sofreram alterações e já dão a hipótese de legalizar as situações com contratos individuais de trabalho, mas nenhuma instituição o tem feito. Optam por contratar os mesmos trabalhadores através de empresas de prestação de serviços ou por fazer de conta que não existem, deixando-os numa espécie de limbo em que se aplica a legislação que, a cada altura, lhes é mais conveniente.

Já tive notícia de outras queixas judiciais, mas a título individual. Uma coisa é certa: se as decisões forem favoráveis aos trabalhadores, vai haver um grande corrupio. E no seio de muitas instituições, muito boa gente vai ter que engolir em seco.
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«Castro, l'infidèle»

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«Trata-se de uma biografia, de uma longa reportagem, de um romance real ou de uma obra de carácter histórico? Talvez um casamento entre todos estes géneros. De entre os múltiplos obstáculos que encontrei pelo caminho, um dos maiores foi sem dúvida o próprio nome do comandante Castro. 'Fidel' é, com efeito, uma palavra armadilhada, que evoca uma proximidade e um parentesco pouco propícios à visão distante e neutra. Mesmo os mais virulentos entre os exilados de Miami, os que gostariam de o ver na cadeira eléctrica, o tratam por Fidel como se falassem de um primo. Ora, Fidel Castro não tem espírito de família. E também não é um homem muito fiel. O único domínio em que nunca falhou, nunca cedeu e nunca mentiu é o da defesa encarniçada da sua própria glória.»

Serge Raffy, «Castro, l'infidèle», introdução

Um título genial. Uma abordagem interessante. Um preço mais que de saldo (5€). Um livro curiosíssimo.
O francês Serge Raffy - jornalista, escritor e argumentista - fez uma investigação minuciosa, mas não se deteve nos factos: recolheu também impressões, juízos mais ou menos especulativos, conclusões mais ou menos controversas. E não se coíbe de acrescentar os seus raciocínios, nem de imaginar ou recriar algumas cenas.
Mas fá-lo com uma escrita transparente e não há momento em que se não distinga, com toda a facilidade, entre aquilo que se sabe que se passou e aquilo que se pensa poder ter-se passado.
À parte o retrato do ditador, à parte as tricas políticas, à parte a viagem pelos ambientes de um século de história cubana, «Castro, l'infidèle» retrata mais de 50 anos de eficacíssima manipulação da opinião pública à escala do globo - área em que o comandante é de facto um verdadeiro génio.
Por outro lado, responde a uma interrogação que anda no ar desde há uns tempos. Não, Raúl não é reformista. Será mesmo mais duro que o irmão, de quem sempre foi braço direito.
O livro foi publicado em 2003, era Fidel já um homem a debater-se com os problemas da velhice e das doenças, vivendo mais ou menos em retiro na companhia da mulher que durante muitos anos manteve secreta. Não perdeu em actualidade: à história pouco mais faltará acrescentar além da data da sua morte.
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31.1.08

no comments

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«A guerra do Líbano de 2006 foi marcada por "graves erros e fracassos, tanto a nível político como militar, por falta de pensamento e planeamento estratégicos", concluiu a Comissão Winograd, ao fim de quase ano e meio de investigação.» («Público»)
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