22.2.08

desabafo

a
Gosto de ver o Menezes inchar, inchar, e ficar confortavelmente à espera de ver o estouro. Aquele homem sempre foi um embuste.

A propósito, a Sedes divulga a sua análise ao estado da nação:

«A associação considera ainda preocupante "assistir à tentacular expansão da influência partidária" - quer "na ocupação do Estado", quer "na articulação com interesses da economia privada".
Outro factor que a Sedes diz contribuir para a "degradação da qualidade da vida política" é o resultado "da combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz", que por vezes deixa a sensação de que "também funciona subordinada a agendas políticas".
Essa combinação "alimenta um estado de suspeição generalizada" sobre a classe política. "É o pior dos mundos", acrescentam. "Sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a."
Neste capítulo, o Estado, que "tem uma presença asfixiante sobre toda a sociedade", também não é poupado: "Demite-se do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados, que deixam em muitos casos um perigoso rasto de desconfiança".» [Público]
a

ai se o george lê isto!

a
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21.2.08

ó mãe, sabes que...

a
A gente deve estimular bons hábitos: a leitura, a investigação, a informação, etc., etc.

O que não imaginei foi que a «Visão Júnior» incluísse jornal falado.
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quem sai aos seus

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«Com Raúl Castro, os dissidentes mais audazes "serão esborrachados como baratas", disse uma fonte diplomática, sob anonimato, ao jornal ABC. Recorde-se que foi o irmão de Fidel que, após a revolução de 1959, esteve encarregue juntamente com Che Guevara dos fuzilamentos em massa na prisão de La Cabaña, em Havana. "Quando se acabaram as balas, Raúl continuou com a corda, ou seja, mandou enforcar os réus. Sem julgamento de nenhum tipo", disse a escritora cubana Zoé Valdés, num artigo de opinião no El Mundo[DN]
a

encontrei um 'tou'!

a
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20.2.08

a
para a marta

1.

Passem por mim as coisas,
deixaremos só as marcas indeléveis:
mordidelas, chicotadas.


2.

Como ir de encontro ao corpo
e já ser dia de repente,
permanecerem dentro as trevas
e a loucura,
a nossa casa
a nossa busca alucinada
a nossa sede.


3.

Já sei de cor o fim do mundo –
é uma questão de as cartas, todas elas,
deixarem um dia de ter remetente.

(s/d, algures em meados dos anos 90)
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world wide censorship

a
Wikileaks and Internet Censorship - a comparative study
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e se resulta?

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narcísico?

a
Muitas vezes tenho a sensação de que o verdadeiro problema de Narciso Miranda não é uma questão de protagonismo, mas a necessidade de conseguir algum controlo dentro do aparelho.
Há uns anos, li que ia ser investigada a construção de vários bairros de habitação cooperativa no concelho, mas nunca mais soube nada do assunto. Se eventualmente houver motivo para, desta ou de qualquer outra investigação, se extrair matéria de processo criminal, o homem arrisca vir a ser o bombo da festa da pseudo-moralidade das hostes socialistas. (E o jeito que não lhes faria...)

Narciso pôs a pata na poça? Possivelmente. Mas Matosinhos, neste aspecto, não terá sido excepção ao contexto geral do país. A corrupção, em Portugal, é uma questão de sistemas, não é só uma questão de sujeitos.
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19.2.08

serial-killing

a
Às vezes, há títulos que parecem feitos com o propósito de assassinar o trabalho dos jornalistas, são autênticos sumários que dispensam a leitura das notícias.
Será o caso de «Inspector da Polícia Judiciária diz que árbitros que/apitavam o Gondomar eram 'escolhidos a dedo'» ou «Alain Robbe-Grillet, o papa do noveau roman,/ morreu em Caen aos 85 anos». Depois de um título destes, o sumo da notícia limita-se ao background.

Abstenho-me de grandes comentários técnicos - quanto a mim valeriam nota negativa a qualquer aluno do Secundário, além de também assassinarem graficamente as páginas.
Mas não resisto a esta pérola:

«Mohamed al-Fayed volta a afirmar
que a princesa Diana e Dodi
al-Fayed foram assassinados»

A sorte será a rapariga não se chamar al-Fayed também...

[Todos estes títulos, a mais uma mão-cheia deles que seria fastidioso enumerar, estão na edição de hoje do Público, mas o fenómeno não é raro.]
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so long

a
O velho Fidel: ao anunciar a reforma tenta acima de tudo garantir a continuidade do regime. Ele próprio, feito deus, lá continuará vigilante...

Raul anuncia uma futura abertura económica? De que outra maneira pode dar de comer à população de um país que há longos anos se viu despojado de estruturas produtivas?

a propósito: «Castro, l'infidèle»
a

18.2.08

when it gets to the laundry business...

a
O Banco Julius Baer, da Suíça, é uma instituição centenária especializada em gerir o dinheiro e as transacções dos muito, muito ricos e em ocultar fortunas.
Ora, alguns ficheiros confidenciais subtraídos na filial da instituição nas ilhas Caimão, um paraíso fiscal caribenho, acabaram por vir a público. Demonstram negócios muito pouco claros, branqueamento de capitais, fugas ao fisco.
À custa do sigilo bancário helvético, o banco conseguiu congelar o processo judicial que corria naquele país. Com legitimidade legal, recusa facultar os documentos que poderiam permitir a investigação.

«(...) This is (...) the story of one of the biggest banks involved into offshoring business on the Caymans, dealing with an issue related to the privacy of their businesses. A story of a bank that by its actions right from the beginning to all action taken today, shows it has a lot to hide from all parties eventually involved. A story of a bank that rather uses scare tactics than talk about its business in a proper lawsuit.» [Clouds on the Cayman tax heaven]

A Wikileaks acabou de ser silenciada nos EUA por causa desta história (numa decisão judicial que se disse «definitiva», embora se tratasse de uma audiência preliminar...). Tem pelo mundo uma rede de servidores alternativos e está a operar fora das jurisdições norte-americana e chinesa (sim, lá também são ilegais). Promete continuar a investigar o assunto e publicar ainda mais dossiers confidenciais de instituições que operam no ramo.

O mínimo que podemos fazer é ir mantendo um olho na história.
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17.2.08

espírito olímpico (2)

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Tommie Smith e John Carlos, México, 1968

O senhor Spielberg, que obviamente não trabalha a feijões, só ganhou dignidade ao desvincular-se da organização dos Jogos Olímpicos.

Mas as ONG que pedem aos atletas intervenções políticas durante os ditos deviam começar por nos pedir, a todos, que boicotássemos os 'sponsors' deixando de ver as transmissões televisivas e de comprar o que eles produzem. É tão absurdo estar à espera de uma coisa quanto de outra.

Os senhores na fotografia manifestaram-se espontaneamente em causa própria e foram depois expulsos da delegação norte-americana e da aldeia olímpica. Acho que fizeram muito bem, mas não acho que seja assunto acerca do qual se deva pressionar ninguém.
(Além do outro absurdo que seria estar a gastar dinheiros públicos com a participação de cada delegação, e depois pedir aos atletas que estraguem tudo não cumprindo as regras.)

O respeito pela Carta Olímpica é um assunto. Comités olímpicos nacionais a exigirem compromissos individuais prévios para não melindrar a China é outro, completamente diferente.

PS - Esta imagem foi a primeira coisa que me veio à memória um destes dias, quando li no «Público» que o início da relação entre política e Jogos Olímpicos data dos diferendos EUA/URSS nos anos 80. Além do México, só passaram por cima de Berlim, de Munique e de Montréal. Está-se bem...

a propósito: espírito olímpico
a

'ferve sob a superfície'

a
Correm os nossos dias entre uma realidade concreta, aquela em que nos movemos, e uma realidade virtual paralela, exposta nos media, cada vez mais reféns da necessidade de vender face à obrigação de prestar informação esclarecida*.

Em relação às presidenciais norte-americanas, praticamente só vejo técnicas de vendas e evolução de mercados, a mais as análises respectivas, e muito, muito pouco acerca das matérias subjacentes.
Olho para aquilo tudo e até simpatizo com Obama - não sei até que ponto não é mais por ter aparecido como estraga-esquemas... - mas, à parte isso, pergunto-me: onde anda a realidade americana, aquela nação profundamente conservadora e puritana aparentemente transmutada pelos efeitos da política externa de dois mandatos do filho Bush?

Anda por lá, como não podia deixar de ser. Por detrás da realidade virtual das notícias. Como demonstra este depoimento de uma das filhas de Martin Luther King, Bernice, ao Le Monde: «Ça bout sous la surface».

*Havendo procura, a oferta aparece. Nós, leitores, também não seremos lá muito exigentes...
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16.2.08

segredos de jardinagem

a
Começaram ontem a abrir. Já se sente o perfume.


Há três anos, era um saquinho de dez bolbos comprado no Continente, a ver se dava. Agora, já contei mais de 60 pés repartidos por vasos e floreiras.


A bem da verdade, o tratamento é cuidado. Regas, adubos, insecticidas e... enriquecimento espiritual.

Passo a explicar: se gostam de música, porque não hão-de apreciar uma leitura? E porque não hão-de ser criaturas informadas?





Hoje a sessão foi didáctica e registada em fotografia.












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inverno sem chuva

aSenhora da Hora, Fev. 2007

De vez em quando, é permitido às magnólias revelarem inteiramente o seu esplendor. Estão magníficas!
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15.2.08

menos mau

a
A British Olympic Association desistiu de impor restrições à liberdade de expressão dos atletas durante os jogos. Terão apenas de se reger, e como sempre, pela Carta Olímpica.
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human vs. nature

a
Paira sobre os nossos espíritos o tempo todo, às vezes faz voo picado, ameaça, mas o dilema ainda não se nos pôs efectivamente.

Um qualquer destes dias talvez tenhamos que definir definitivamente uma fronteira, a linha ténue que separa a justeza da acção humana e a inevitabilidade de nos submetermos às regras da natureza.

Há uma altura em que um organismo humano envelhecido simplesmente entra em falência, o que às vezes é um processo lento. Haverá um ponto em que mantém as funções vitais básicas à custa de métodos intrusivos dolorosos e que trazem sempre complicações subsequentes, um verdadeiro sofrimento que se prolonga, inutilmente.

Ontem o dia amanheceu negro. Acabou por aligeirar: o que podia ser um problema renal afinal não é nada de maior. Afasta-se o espectro das sondas, por uns tempos.
a

14.2.08

aParque do Carriçal, Sra. da Hora
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13.2.08

o terceiro elemento

aTomasina Maria Alves da Silva Manso-Preto
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espírito olímpico

a
Os atletas que integram as delegações olímpicas da Bélgica, Nova Zelândia e Reino Unido estão a ser forçados ao compromisso de não se pronunciarem sobre questões incómodas para o Governo chinês durante os jogos.

Entretanto, Spielberg demite-se de conselheiro artístico por causa do Darfur. Só lamento que não o tenha feito também por causa dos chineses (e dos tibetanos, e dos birmaneses...)
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12.2.08

sharia

a
A história anda nos jornais há uns dias, e desde o primeiro minuto tive a sensação de que algo não batia certo. Francamente, parece um bocado absurdo um chefe da Igreja Anglicana defender a existência de tribunais religiosos islâmicos em qualquer parte do mundo, quanto mais no Reino Unido.

Afinal não contaram tudo.

Os tribunais islâmicos existem em território britânico desde 1982, em paralelo com a Justiça oficial do reino. Serão uma espécie de tribunais arbitrais - qualquer um pode recorrer a um juízo comum sempre que queira - que regulam sobretudo questões como acordos de divórcio e custódia de crianças, negócios e afins. Também existem tribunais hebraicos. Claro que prevalece sempre a lei geral, mas muitas vezes as partes preferem recorrer a mediações mais de acordo com os seus costumes tradicionais.

Rowan Williams limita-se a defender a sua existência por constatar que são muito mais eficazes quanto à efectiva aceitação das decisões pelos membros das respectivas comunidades. E a achar que são fundamentais para a pacificação social.

Vistas as coisas em contexto, tem outro sentido. Mas sem contexto vende mais...

«'Banglatown', au coeur de Londres, défend les tribunaux islamiques», Le Monde
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os EUA na ONU

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«Set up by the Security Council in 1999 at the behest of the United States, but greatly expanded after the September 2001 terrorist attacks, the so-called “consolidated list” includes 370 individuals and 112 outfits suspected of having links with the Taliban or al-Qaeda. All are subject to a world-wide freeze on their assets, save for basic living expenses, along with a total travel ban outside their country of residence.

Getting onto the list is relatively easy, requiring a unanimous vote by the Security Council's sanctions committee (identical in membership to the Council itself). Any UN member state can submit a name.

Getting off is a lot more difficult. Requests for delisting have to be made either directly to the sanctions committee or through the affected person's country of birth or residence, and the burden of proof lies with the petitioner. The petitioner has to convince the same people who previously held him to be guilty that he is innocent—a particularly onerous task when he has no access to the information that led to his inclusion on the list in the first place. In the list's eight-year history, only 11 people and 24 organisations have been removed.» [The Economist]


No Tribunal do Santo Ofício, o princípio era o mesmo. Ao acusado competia adivinhar por que actos tinha sido denunciado e a identidade do delator, sendo esta a única forma de provar estar inocente.

Estava-se então em pleno Absolutismo, e não havia grande distinção entre as esferas dos poderes político e judicial. Seria suposto ter-se avançado mais um bocadinho.

O Tribunal Europeu terá agora de se pronunciar sobre o assunto. Aguardemos serenamente...

nota: em 1999, se bem se lembram, o chefe dos polícias era um tal senhor Clinton.
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11.2.08

são rosas, senhor

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Na Arábia Saudita, e por uns dias, o vermelho foi banido, conta a BBCNews. As lojas estão proibidas de vender objectos, flores ou mesmo de usar papel de embrulho com essa cor. Assim se pretende garantir que ninguém fuja aos preceitos islâmicos oficiais, ousando assinalar o Dia de S. Valentim.


Parece que a proibição já é costume, pelo que os sauditas também já se habituaram a iludi-la. Entretanto, o preço das rosas vermelhas disparou no mercado negro.
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obama

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Ok, o homem parece ter nascido fadado e é obviamente brilhante. E o mundo inteiro precisa mesmo que a coisa dê uma volta.
Agora, ajusta-se tudo tão bem - a figura, o discurso, o movimento, as circunstâncias - que eu não consigo deixar de ficar com uma pulga atrás da orelha... será que há mesmo consistência?

Quanto ao país onde tudo isto acontece e às suas contradições, calhou de ver esta semana dois comentários esclarecedores. Em primeiro, Frank Zappa, nos anos 80: «Let´s not be to rough about our ignorance. After all, it's something that makes America great!». Em segundo, Lou Reed, há uns cinco anos: «Well, I've never been able to figure out the United States...»
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