29.2.08

e pensar que passou fome...

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Podem os direitos de autor abranger uma obra sobre a obra? JK Rowling e a Warner Brothers pensam que sim.

Não lhe li os livros, mas nunca tinha visto um escritor dar tão pouco valor ao que faz enquanto literatura.
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nem saía assim tão caro

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A questão não é o preço do helicóptero.

A questão é:

E pode um barco destes fazer-se ao mar sem que nenhum dos tripulantes saiba prestar primeiros socorros?

Possivelmente pode. Mas não devia.
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28.2.08

chatear o próximo

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Rezam as crónicas que é costume andarem os inquilinos de casas mais antigas a exigir obras aos senhorios e que estes quase nunca as fazem. Pois esta crónica é diferente: quem quer fazer as obras é o dono da casa, mas é preciso enfrentar a dupla Matilde e Georgina.

Matilde e Georgina são um duo de respeito, gente educada com o maior esmero e cuidado. Aparentemente vivem de rendimentos. Matilde é a inquilina, Georgina é a filha que com ela passa umas temporadas, volta e meia.

Ora, a canalização da cozinha está velha, a água já pinga no andar de baixo. É preciso reparar os estragos, obviamente. Qualquer vulgar inquilino ficaria grato por o senhorio se dispor a fazer as obras de imediato, sobretudo se o contrato de arrendamento datar da década de 60. Mas não desprezemos o esmero da D. Matilde nestas ocasiões: disse que não, nem pensar em ficar uns dias sem poder servir-se da cozinha.

Vou omitir os detalhes subsquentes, seria mera redundância. Digamos apenas que hoje era necessário ir avaliar os estragos. Que anda por lá a Georgina. E que essa abusa nos requintes.

Quando chegamos, berra sempre que está a sair do banho (mesmo que tenha acabado de ser vista a entrar em casa, como foi o caso de hoje). E fica-se uns 20 minutos à porta enquanto ela nos vai destratando lá de dentro. Quando abre, é suposto já estarmos em 'ponto de rebuçado'. E depois continua a sucessão de ofensas.

Foi um embate de leões.

Mas consegui, senhores! Consegui que se fizesse o necessário sem ser preciso sair do sério, com a preciosa colaboração do Sr. Fernando, que entrava em acção sozinho a cada vez que eu tinha que dizer «Eu não tenho que aturar isto!» e virar costas. Pensei estar a salvo em casa da vizinha, mas ainda assim ela veio atrás. A dada altura quase respondia, mas o serviço estava feito e optei por vir embora. Ficou aos gritos nas escadas.

Enfim, a peixeirada foi linda de se ver... mas a Georgina teve mesmo que a fazer sozinha.

Safa!!!
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27.2.08

wikileaks mobiliza apoios

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Um movimento de apoio à Wikileaks, integrando Comunicação Social e instituições de interesse público norte-americanas, está a pressionar o Tribunal Federal de S. Francisco no sentido de ser reposto o acesso ao site principal da organização. [when it gets to the laundry business]

Representantes legais da Electronic Frontier Foundation, da American Civil Liberties Union e de 12 outras organizações, incluindo o «The New York Times» e a Associated Press, alegam que a decisão do juiz Jeffrey White viola a liberdade de expressão garantida na Constituição norte-americana.

A Wikileaks, entretanto, está a organizar a resposta judicial ao processo aberto pelo Banco Julius Baer, com sede na Suíça, que não gosta que o povo conheça as suas operações de lavagem de dinheiro.
Tentam contornar a questão da sua própria representação, que se está a revelar complicada, uma vez que é uma estrutura sem existência burocrática, no sentido oficial do termo, não havendo por isso ninguém com legitimidade para constituir advogados no processo.

Por todas as razões, uma história para seguir com todo o interesse.
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back to school

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Os professores 'em luta' deixaram de estar 'isolados' quando perceberam a eficácia do horário dos directos nos telejornais num país em que as greves já não causam grande mossa.

Concordando ou não, já todos percebemos o que quer o Governo. À parte as reivindicações de classe, eu gostava muito de perceber que escola(s) querem os docentes. Concretamente.
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26.2.08

nem sempre é para pior...

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Tinha que estar para vir alguma coisa: há algumas semanas, subitamente, desapareceram os contentores que há alguns anos alojavam a família da D. Ivone.
Soube-se agora que há um plano de urbanização para a área a poente do Estádio do Mar.

A Cruz de Pau continua a diluir-se na malha urbana. Boas notícias. A integração social só se consegue com a mistura, e a dinâmica do processo tem sido interessante.
Há 30 anos, era um bairro onde se passava fome; ao lado, uma urbanização de luxo emergente. Agora é um todo heterogéneo e alargado - habitação social, classe média, alta burguesia. Criou-se comércio, criaram-se empregos, criou-se vida.

(Quanto ao impacte ambiental da nova estrutura rodoviária, seria bom que se estudasse igualmente o que é provocado pelo insuficiente acesso à rede de auto-estradas a partir do centro da cidade. Só assim se poderia avaliar devidamente.)
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25.2.08

instantes

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Porto de Leixões, esta tarde
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espontaneamente

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... e ainda garantem tempo de antena quando forem chamados aos processos judiciais por participar em manifestações ilegais, como é provável que aconteça. E mais uma vez vão falar em fascismo.

Eu não consigo ver cultura democrática, e muito menos transparência, nestas coisas de organizações que se mexem na sombra e vêm à luz anonimamente. Sejam eles quem forem.
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24.2.08

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«... mais il faut se taire, apprendre enfin
à respirer sans bruit le cristal du mystère,
ne briser l'infini d'aucun nom incertain.»
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23.2.08

rumo ao futuro

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Há uns anos, isto seria ficção científica da mais negra:

«When first launched in 1995, only the DNA of convicted criminals were kept by police. But following a change in the law in 2001, all DNA collected by forensics - for whatever purpose - can be stored permanently.
(...)
Since 2004, the data of everyone arrested for a recordable offence in England and Wales - all but the most minor offences - has remained on the system regardless of their age, the seriousness of their alleged offence, and whether or not they were prosecuted.
(...)
But according to the government's own figures, the database contains the genetics of a disproportionate number of ethnic minorities.
Forty per cent of black men in the UK have their DNA stored on the database and there are concerns that it could be open to abuse.»

Debating ethics of DNA database [BBC News]


«However, the existing register could be threatened when European judges are asked to rule next week on a test case of two Britons who want their details removed from the database. The applicants say their human rights have been infringed by the decision to leave their details on the database, despite the fact that they had never been found guilty of a crime.
The Times estimates if the two applicants succeed in their EU bid to have their records removed, 13% of the profiles on the database may have to be destroyed.»

Mandatory DNA database rejected [BBC News]
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one from the heart

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«Tudo é de novo belo, a noite serenou, podes voltar. Este filme apagará o tempo que melodias mesquinhas mastigaram todo o dia; queima o quotidiano ramerrão, a irritante porção de degraus que há a subir sempre que a casa se torna; electriza o interruptor da luz, totalmente pespegado sempre no mesmo lugar, sem que aventura o mova. Este filme é a noite em que as fadas e os sheiks se postaram sedutores no limiar da porta, e com dedos curvos e macios acenavam, dizendo 'vem daí'
Então as estrelas rebolaram em cascata, por outra nova vez alumiado. Os homens da luz néon trabalharam todo o dia para enfeitar a festa com azuis constelações, ou rosa, ou verdes. O próprio chão, que era de vidro branco, ardia no fervor dos nossos pés dançantes. O coração, senhores!, empoleirado na garganta espiava aquele barulho onírico de encontros milagrosos e de promessas sinceramente eternas - com o terno e pueril prazo de valia duma única noite enxaguada pela brisa do alvor.»

Jorge Colombo


Francis Ford Coppola há-de ter metido pelo menos dois ácidos na vida. Do primeiro, saiu «Apocalypse Now», do segundo «One From The Heart».

O texto do Jorge Colombo foi publicado no «Expresso», por alturas da estreia nacional do filme (1983?).

A música é de Tom Waits.









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22.2.08

oitavo dia

aa

desabafo

a
Gosto de ver o Menezes inchar, inchar, e ficar confortavelmente à espera de ver o estouro. Aquele homem sempre foi um embuste.

A propósito, a Sedes divulga a sua análise ao estado da nação:

«A associação considera ainda preocupante "assistir à tentacular expansão da influência partidária" - quer "na ocupação do Estado", quer "na articulação com interesses da economia privada".
Outro factor que a Sedes diz contribuir para a "degradação da qualidade da vida política" é o resultado "da combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz", que por vezes deixa a sensação de que "também funciona subordinada a agendas políticas".
Essa combinação "alimenta um estado de suspeição generalizada" sobre a classe política. "É o pior dos mundos", acrescentam. "Sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a."
Neste capítulo, o Estado, que "tem uma presença asfixiante sobre toda a sociedade", também não é poupado: "Demite-se do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados, que deixam em muitos casos um perigoso rasto de desconfiança".» [Público]
a

ai se o george lê isto!

a
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21.2.08

ó mãe, sabes que...

a
A gente deve estimular bons hábitos: a leitura, a investigação, a informação, etc., etc.

O que não imaginei foi que a «Visão Júnior» incluísse jornal falado.
a

quem sai aos seus

a
«Com Raúl Castro, os dissidentes mais audazes "serão esborrachados como baratas", disse uma fonte diplomática, sob anonimato, ao jornal ABC. Recorde-se que foi o irmão de Fidel que, após a revolução de 1959, esteve encarregue juntamente com Che Guevara dos fuzilamentos em massa na prisão de La Cabaña, em Havana. "Quando se acabaram as balas, Raúl continuou com a corda, ou seja, mandou enforcar os réus. Sem julgamento de nenhum tipo", disse a escritora cubana Zoé Valdés, num artigo de opinião no El Mundo[DN]
a

encontrei um 'tou'!

a
a

20.2.08

a
para a marta

1.

Passem por mim as coisas,
deixaremos só as marcas indeléveis:
mordidelas, chicotadas.


2.

Como ir de encontro ao corpo
e já ser dia de repente,
permanecerem dentro as trevas
e a loucura,
a nossa casa
a nossa busca alucinada
a nossa sede.


3.

Já sei de cor o fim do mundo –
é uma questão de as cartas, todas elas,
deixarem um dia de ter remetente.

(s/d, algures em meados dos anos 90)
a

world wide censorship

a
Wikileaks and Internet Censorship - a comparative study
a

e se resulta?

a

a

narcísico?

a
Muitas vezes tenho a sensação de que o verdadeiro problema de Narciso Miranda não é uma questão de protagonismo, mas a necessidade de conseguir algum controlo dentro do aparelho.
Há uns anos, li que ia ser investigada a construção de vários bairros de habitação cooperativa no concelho, mas nunca mais soube nada do assunto. Se eventualmente houver motivo para, desta ou de qualquer outra investigação, se extrair matéria de processo criminal, o homem arrisca vir a ser o bombo da festa da pseudo-moralidade das hostes socialistas. (E o jeito que não lhes faria...)

Narciso pôs a pata na poça? Possivelmente. Mas Matosinhos, neste aspecto, não terá sido excepção ao contexto geral do país. A corrupção, em Portugal, é uma questão de sistemas, não é só uma questão de sujeitos.
a

19.2.08

serial-killing

a
Às vezes, há títulos que parecem feitos com o propósito de assassinar o trabalho dos jornalistas, são autênticos sumários que dispensam a leitura das notícias.
Será o caso de «Inspector da Polícia Judiciária diz que árbitros que/apitavam o Gondomar eram 'escolhidos a dedo'» ou «Alain Robbe-Grillet, o papa do noveau roman,/ morreu em Caen aos 85 anos». Depois de um título destes, o sumo da notícia limita-se ao background.

Abstenho-me de grandes comentários técnicos - quanto a mim valeriam nota negativa a qualquer aluno do Secundário, além de também assassinarem graficamente as páginas.
Mas não resisto a esta pérola:

«Mohamed al-Fayed volta a afirmar
que a princesa Diana e Dodi
al-Fayed foram assassinados»

A sorte será a rapariga não se chamar al-Fayed também...

[Todos estes títulos, a mais uma mão-cheia deles que seria fastidioso enumerar, estão na edição de hoje do Público, mas o fenómeno não é raro.]
a

so long

a
O velho Fidel: ao anunciar a reforma tenta acima de tudo garantir a continuidade do regime. Ele próprio, feito deus, lá continuará vigilante...

Raul anuncia uma futura abertura económica? De que outra maneira pode dar de comer à população de um país que há longos anos se viu despojado de estruturas produtivas?

a propósito: «Castro, l'infidèle»
a

18.2.08

when it gets to the laundry business...

a
O Banco Julius Baer, da Suíça, é uma instituição centenária especializada em gerir o dinheiro e as transacções dos muito, muito ricos e em ocultar fortunas.
Ora, alguns ficheiros confidenciais subtraídos na filial da instituição nas ilhas Caimão, um paraíso fiscal caribenho, acabaram por vir a público. Demonstram negócios muito pouco claros, branqueamento de capitais, fugas ao fisco.
À custa do sigilo bancário helvético, o banco conseguiu congelar o processo judicial que corria naquele país. Com legitimidade legal, recusa facultar os documentos que poderiam permitir a investigação.

«(...) This is (...) the story of one of the biggest banks involved into offshoring business on the Caymans, dealing with an issue related to the privacy of their businesses. A story of a bank that by its actions right from the beginning to all action taken today, shows it has a lot to hide from all parties eventually involved. A story of a bank that rather uses scare tactics than talk about its business in a proper lawsuit.» [Clouds on the Cayman tax heaven]

A Wikileaks acabou de ser silenciada nos EUA por causa desta história (numa decisão judicial que se disse «definitiva», embora se tratasse de uma audiência preliminar...). Tem pelo mundo uma rede de servidores alternativos e está a operar fora das jurisdições norte-americana e chinesa (sim, lá também são ilegais). Promete continuar a investigar o assunto e publicar ainda mais dossiers confidenciais de instituições que operam no ramo.

O mínimo que podemos fazer é ir mantendo um olho na história.
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17.2.08

espírito olímpico (2)

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Tommie Smith e John Carlos, México, 1968

O senhor Spielberg, que obviamente não trabalha a feijões, só ganhou dignidade ao desvincular-se da organização dos Jogos Olímpicos.

Mas as ONG que pedem aos atletas intervenções políticas durante os ditos deviam começar por nos pedir, a todos, que boicotássemos os 'sponsors' deixando de ver as transmissões televisivas e de comprar o que eles produzem. É tão absurdo estar à espera de uma coisa quanto de outra.

Os senhores na fotografia manifestaram-se espontaneamente em causa própria e foram depois expulsos da delegação norte-americana e da aldeia olímpica. Acho que fizeram muito bem, mas não acho que seja assunto acerca do qual se deva pressionar ninguém.
(Além do outro absurdo que seria estar a gastar dinheiros públicos com a participação de cada delegação, e depois pedir aos atletas que estraguem tudo não cumprindo as regras.)

O respeito pela Carta Olímpica é um assunto. Comités olímpicos nacionais a exigirem compromissos individuais prévios para não melindrar a China é outro, completamente diferente.

PS - Esta imagem foi a primeira coisa que me veio à memória um destes dias, quando li no «Público» que o início da relação entre política e Jogos Olímpicos data dos diferendos EUA/URSS nos anos 80. Além do México, só passaram por cima de Berlim, de Munique e de Montréal. Está-se bem...

a propósito: espírito olímpico
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