31.3.08

a rimar com TCN

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De momento, ainda é assim:


mas em breve tomará a seguinte forma:

















Os preços já ultrapassaram os 1400€ por metro quadrado, diz o Jornal de Notícias. O empreendimento, na Rua de Trás, é da Sache - Solidariedade e Amizade Cooperativa de Habitação Económica (!!!) e chamam-lhe reabilitação urbana de qualidade.
Quanto a mim, é um belo exemplo de como a uniformidade de volumes destrói a paisagem, de como nos roubam uma rua para fazer um corredor.
O alarmante é a notícia de que a Sache vai recuperar pelo menos 18 edifícios no centro histórico do Porto.
a

30.3.08

o papiloma

a
É um vírus e provoca uma verruga que se remove com uma pequena cirurgia. A grande chatice é quando origina a conjuntivite inflamatória secundária que me mantém «à Camões» vai para mais de 15 dias...


A inflamação vai melhorando com os medicamentos, mas ainda assim o raio do ponto na vista continua a intrometer-se na minha presente relação com a realidade. É incontornável. Qualquer possível momento de irritação descontrolada terá provavelmente a ver com isso.
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29.3.08

então e as turmas?

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(nota: este post foi publicado por engano ainda em estado de rascunho e devidamente acrescentado algumas horas depois)

Há uns tempos, andava no ar uma certa revolta por as escolas terem sido referenciadas por seleccionar os alunos ao constituir as turmas. Lá foi outra vez a ministra acusada de andar a querer denegrir a imagem da classe docente, mas por ora ninguém se lembra do caso.

O facto é que, com toda a naturalidade, a Escola Carolina Michaelis reconhece ter agrupado um conjunto de alunos com percursos disciplinares prévios complicados noutros estabelecimentos.
E parece que não há quem estranhe que assim aconteça, é mesmo normalidade vigente haver nas escolas grupos de adolescentes estruturados com mais condições de se organizarem como bandos do que como turmas.

Agrada a todos, a começar nos pais dos outros: ninguém quer ver os seus filhos em grande convívio com os gandins. Estes, que normalmente já em família foram privados da aprendizagem das regras básicas de socialização, ficam igualmente impedidos de as aprender entre pares, pelo menos minimamente.

Por outro lado, se há coisa necessária é saber lidar com esta gente - vamos levar com eles vida fora, no quotidiano, nos empregos, nos transportes (até mesmo na família, tantas vezes...) Não vejo por que há-de ser uma tragédia aprender na escola a lidar com realidades transversais a toda a comunidade.

Ontem tive uma amostra do que deverá ser a reacção da maioria das famílias de crianças prestes a transitar para o 2º ciclo: é o pânico total, encha-se a escola de polícias!


PS - Li hoje a notícia de que está por regulamentar o acesso ao Ensino Básico antes da idade normal de crianças precoces ou sobredotadas. A prolongar-se a situação, este ano lectivo ficam de fora. Confesso que me custa a crer que tal aconteça, mas se se vier a passar, processe-se o Estado: estará a lesar gratuita e irremediavelmente os direitos básicos desses cidadãos.
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27.3.08

não contem a muita gente...

aMatosinhos, Fev. 2008

Uma das coisas de que mais gosto nas cidades são os seus pequenos lugares secretos.
Este é em pleno centro de Matosinhos, a 50 metros não é fácil encontrar estacionamento. E não é nenhuma florista, mas um simples particular à conquista de espaço para um jardim.

São raros os centros históricos de grandes cidades que resistem à invasão do comércio e da restauração, acompanhando a horda de turistas. Aqui mantém-se a alma, algumas pequenas hortas, os modos de vida. E pelos vistos ninguém se incomoda com umas dezenas de plantas a ocupar o lugar onde caberiam dois automóveis.
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26.3.08

não funciona?

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5ª feira - um olho aparentemente infectado. Recorro ao Centro de Saúde: pomada e Urgência do S. João, caso não melhore, o pequeno abcesso pode precisar de ser lancetado;

domingo - um olho inchado. No S. João alteram a pomada e reencaminham para o Pedro Hispano, não é um abcesso e precisa de acompanhamento;

hoje - Pedro Hispano: consulta amanhã para marcar cirurgia em ambulatório quanto antes.

É verdade que uma consulta de Oftalmologia demora meio ano, pelas vias normais. Mas também parece ser verdade que há resposta para situações mais urgentes.
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25.3.08

Tibet, Tibet!

a
«Oui, il faut défendre le Tibet. Oui, la Chine est la plus vaste prison du monde. Oui, les droits de l'homme sont plus sacrés que la flamme olympique... Tout cela est juste et bon. Mais d'où vient le malaise que l'on éprouve depuis quelques jours? Serait-il dû aux philippiques enflammées, sur toutes les radios, d'un reporter sans frontières qui donne l'impression désagréable de s'approprier ce combat? Ou simplement à notre mauvaise conscience?

Nous découvrons le Tibet, avec la même fraîcheur que nous avions mise à découvrir la Tchétchénie, la Birmanie... Tiens, à propos, que se passe-t-il en Birmanie? C'était quoi, déjà, le débat? Il y a peu de temps encore nous étions tous sur le pied de guerre, suffoquant de colère, prêts à mourir pour Rangoun. Mais d'autres causes nous appelaient irrésistiblement.

Nos prises de conscience subites n'ont d'égales que nos indignations provisoires. Bien sûr, on ne peut pas être au four et au moulin. Il faudrait sans doute fixer un calendrier. Tchétchénie en janvier, Darfour en février, Tibet en mars... Plus que cinq jours pour crier "Tibet, Tibet!", avant de passer à autre chose.»

Robert Solé, [Le Monde]
a

aa

23.3.08

domingo pascal

a
As tias cada vez mais tias, mais velhas, mais beatas. As primas cada vez mais iguais. Os primos à volta de umas garrafas de tinto. Uma casa com um qualquer ícone religioso em todo o lado para onde se escape o olhar.

À passagem do compasso, deixei-me no quintal a fumar. Matutando na ironia que é ver alguns a avançar a tentar abrir portas, e outros com uma trabalheira desgraçada para as tentar fechar.
a

perspectivas

a
«Ouvi alguma rádio, aqui. E telefonei ao meu pai, na China. Há problemas porque o Tibete quer a independência. Subitamente, as pessoas começaram a incendiar casas e automóveis. A polícia chinesa tenta acalmar as coisas».
Hongyan Pi, atleta de origem chinesa que adquiriu nacionalidade
francesa a tempo de competir nos jogos de Atenas. [Le Monde]

Com a família na China, talvez a senhora não pudesse dizer o contrário. Mas podia ter-se calado, pelo que presumo que pensa mesmo assim. Para alguns espíritos, as versões oficiais são sempre reconfortantes.

Entretanto, alguns atletas gauleses organizam-se no sentido de encontrar uma forma de manifestar publicamente o apoio à causa humanitária sem violar a Carta Olímpica. Exploram o argumento de que os Direitos do Homem são uma questão de ética e não de política, estudam actos simbólicos como exibir uma cor ou um gesto.
a

22.3.08

it's all right, ma...

a
Está tudo bem, mãe,
estou só a esvair-me em sangue,
o sangue vai e vem,
tenho muito sangue.

Não tenho é paciência,
nem tempo que baste
(nem espaço, deixaste-me
pouco espaço para tanta existência).

Lembranças a menos
faziam-me bem,
e esquecimento também
e sangue e água a menos.

Teria cicatrizado
a ferida do lado,
e eu ressuscitado
pelo lado de dentro.

Que é o lado
por onde estou pregado,
sem mandamento
e sem sofrimento.

Nas tuas mãos
entrego o meu espírito,
seja feita a tua vontade,
e por aí adiante.

Que não se perturbe
nem intimide
o teu coração,
estou só a morrer em vão.

Manuel António Pina
a

21.3.08


Sous les pavés, 2008
LEMONDE.FR | 21.03.08
© Le Monde.fr

a

retratos de outra cidade

a

Figueira da Foz, s/d, edição da Cada Havanêsa, 2000


Conheci-a uns anos antes da imagem que se segue, lembro-me da construção do prédio azul ao centro. O protector solar infantil eram barras de manteiga de cacau e as férias grandes duravam três meses, havia as manhãs na praia, as tardes na piscina (quem não teve lições de natação com o professor Barrué, que se apresente...), os gelados no Tamariz e as matinés infantis no Casino ao fim-de-semana. E havia os pique-niques na serra, a da Boa Viagem, que de vez em quando juntavam toda a família - o ramo dali mais os do Porto, do Paião e de Leiria - todos devidamente munidos de tachadas de arroz de frango e garrafas de laranjada e vinho tinto.

(ainda) Rainha das Praias de Portugal, anos 70

Agora é uma marginal entupida de prédios intervalados por pequenas pracetas desagradáveis, porque em todas faz redemoinho o vento. Parece que Buarcos se vai safando dos prédios, mas a serra é uma mancha que cada vez mais se estreita no horizonte.

Buarcos e a serra, com o oásis de permeio, Mar.2008

Numa visita a correr, um destes dias, não pude deixar de registar, na Avenida 25 de Abril, o último resistente:




e um detalhe arquitectónico recente, directamente inspirado nos castelos do Loire, com toda a certeza:



Atente-se no número de casas fechadas. Longe do Verão, a Figueira é isto: uma amálgama de construções vazias, um espaço de ruas destratadas e semidesertas onde não apetece estar.
a

18.3.08

quem sai aos seus

a
«O Acordo Ortográfico de 1990 almeja a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e o aumento de seu prestígio internacional, pondo um ponto final na existência de duas normas ortográficas divergentes e ambas oficiais: uma no Brasil e outra nos restantes países de língua portuguesa.
(...)
«A língua inglesa por sua vez apresenta variações ortográficas nacionais significativas (comparáveis em escala àquelas observadas nas variedades nacionais da língua portuguesa), mas não conta com uma regulamentação oficial.» (Wikipédia)

Claro que portugueses e brasileiros têm sempre que andar a oficializar tudo. Este lado um tanto provinciano não deixa de ter os seus encantos, pena é que as operetas não encaixem nos meus géneros preferidos.
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17.3.08

back in business

a
Não trabalhava nestas coisas vai para mais de 15 anos. Confesso que me está a saber muito bem o regresso!

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16.3.08

foder autárquico

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Chico da Popeline no seu melhor, mais uma vez.
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do conhecimento à subversão

a
«Imaginemos um mundo onde cada indivíduo pode aceder gratuitamente à totalidade dos conhecimentos da Humanidade. É o que queremos fazer.»
(Jimmy Wales, co-fundador da Wikipédia, 2001)




Quando eu andava na escola, era uma privilegiada: as vastas bibliotecas de uma família de professores em que toda a gente é amante de Belas-Artes, Humanidades e Literatura eram uma inesgotável fonte de ideias e também de material para o «corta e cola».

Sempre me pareceu um absurdo desperdiçar neurónios para chegar ao que outros tinham já investigado e concluído muito para além das minhas capacidades, uma pura perda de tempo.
Isto nunca quis dizer que não aprendesse: apresentar um trabalho significava também ser capaz de sustentá-lo, quer no caso de sermos interpelados oralmente, quer nas avaliações escritas subsequentes. Era antes aprender de outra maneira, que me ajudou a definir padrões de análise no que toca a reduzir as coisas à sua essência (& um docente que não consiga identificar um puro «corta e cola» não é um professor, é um nabo... mas isso é outra história.)

O conhecimento já não é um acumular de sabedoria. É ter muitos saberes ao dispor e ir explorando os pontos onde eles se tocam, interagem, evoluem em conjunto. No presente, os grandes avanços são multidisciplinares, é como que a metáfora de um regresso de ordem prática a uma ideia de ciência da Idade Clássica, mais abrangente.

Sobre a Wikipédia, traz o Le Monde uma análise interessante de Bertrand Le Gendre [Faut-il brûler Wikipédia?] que serve lindamente para estabelecer o paralelo com a sua congénere Wikileaks, o assunto que aqui interessa:

Imaginemos um mundo onde cada indivíduo, anonimamente, pode dar a conhecer os documentos que governos e grandes instituições e empresas gostam de manter secretos. Onde cada um pode contribuir com os seus conhecimentos e saberes específicos para a análise desses documentos (autenticidade, credibilidade, implicações, etc.) e torná-los acessíveis ao grande público.




Quero eu dizer: imaginemos um mundo em que todos temos a real possibilidade de saber exactamente o que está em jogo a cada vez que vamos às urnas botar os votos, a cada vez que concordamos com uma coisa ou nos erguemos em protesto.


Voltando à juventude, anos mais tarde gozei de um privilégio ainda mais raro: o de trabalhar numa Redacção estruturada, dirigida e maioritariamente constituída por muito bons jornalistas (os mais dos quais, mesmo entre os mais novos, não tinham passado pelos tais cursos superiores de Comunicação).
Claro que não podia durar muito: exigia bastante gente e não tenho dúvidas de que saía caro. Mas, durante uns dois anos, foi uma experiência de liberdade, debate e democracia na construção e tratamento da Informação tão empolgante quanto profícua: os resultados eram excelentes.

A vida levou outros rumos, mas deve ter-se completado um qualquer ciclo, porque de repente estou de volta às mesmas circunstâncias: um grupo de trabalho com características semelhantes, mas mais alargado geograficamente.
Em breve aparecerei associada ao tratamento de um documento num grupo de análise interno da Wikileaks - obviamente, não vou falar nele agora - e possivelmente outros se seguirão.

Não se trata de espírito de missão: é pura e simplesmente um grande gozo!


PS - no meu quintal não é nem vai ser um espaço de trabalho. Ainda assim, várias circunstâncias levaram-me a optar por instalar um registo de visitas, coisa que até há um mês não existia neste blog semiclandestino, no caso de ter que vir a rastrear alguma delas. À moda clássica (i. e., contados pelo número normal de dedos), terei cerca de uma dúzia de leitores assíduos, aos quais agradeço.
a

15.3.08

somewhere in california

a
- Iggy, you call me Iggy.
- Look, I'm sorry I'm late, Jim.


a

!!...

a
Uma semana a analisar esquemas de altas transacções financeiras... o mundo é mesmo um poço de surpresas!
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13.3.08

11.3.08

sem assunto

a
Quando anda meio mundo a falar sobre uma coisa, as mais das vezes pouco há a acrescentar. Professores, Menezes e afins são assuntos que começam a tornar-se cansativos. Parecem cromos fáceis muitas vezes repetidos que não há maneira de se conseguir trocar.

Em quatro anos, é a quarta casa que me cabe esvaziar. Porque se morre, porque se adoece, porque se envelhece, porque corre a vida. Não é que se esvazie o pensamento. É só que não apetece falar.
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9.3.08

antes que desse maior bronca...

a
O Banco Julius Baer desistiu da acção judicial que movera contra a Wikileaks no Tribunal de S. Francisco. Ninguém deu explicações.

Mais uma vez demonstra que o seu principal interesse é não criar ondas.
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7.3.08

o oásis

aFigueira da Foz, esta tarde
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6.3.08

o glutão

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Uma montagem muito antiga do JP. Do tempo em que não havia blogs e tentávamos editar fanzines.
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5.3.08

pois...

a
A indústria química (incluindo a farmacêutica): por muitas voltas que se dê, acaba-se sempre nela.

«À qui profite le trafic d'organes?», crónica de Yves Mamou no Le Monde.
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aula prática

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«Pacheco Pereira, director do Público, faz a anatomia de um casino e conta a história de um Ferrari»
[Público, 5.3.08, pág. 15]

Este é o título. Mas o texto conta sobretudo a história de como Pacheco Pereira deu uma aula prática de investigação e pôs os jornalistas a sacar uma notícia do material que há muito tinham em mãos, sem darem por ela.
Foi a aplicação de «um método da ciência histórica», dizem. Não, não foi: é um método universal - coligir dados, analisar, interpretar, elaborar teorias, confirmá-las. Sucessivamente. Vale para a História assim como para a Informação, a Astrofísica ou a Biologia.

O resultado é uma notícia que se baseia em factos muito concretos - uma baforada de ar fresco na abordagem de um assunto nebuloso. Um facto interpretável, mas indesmentível. E muitíssimo relevante.

Se calhar com gente 'de fora' faz-se mesmo melhor jornalismo...
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