31.5.08

o coi e os bloggers

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«O Comité Olímpico Internacional (COI) estabeleceu directivas para controlar a utilização de blogs e páginas pessoais na Internet por «pessoas acreditadas» - atletas e restantes membros de comitivas - para comentar as suas experiências olímpicas. O objectivo é limitar o aparecimento de questões políticas, mas igualmente preservar os seus próprios interesses comerciais.

«Os blogs das pessoas acreditadas que incluam conteúdo olímpico devem, em permanência, ser conformes ao espírito olímpico e aos princípios fundamentais do olimpismo enunciados na Carta Olímpica, bem como respeitar a dignidade e ser de bom gosto», especificam as directivas.



Ao mesmo tempo que se serve de princípios gerais que lhe garantem uma capacidade de intervenção bastante alargada, o COI estabelece um quadro regulamentar muito estrito para os blogs de atletas, anexando desta forma toda a Internet à sua zona de influência habitual nos sites olímpicos.

O COI relembra aos atletas que os seus blogs são «uma forma legítima de expressão individual e não uma forma de jornalismo», e que, consequentemente, ao contrário dos media, deverão submeter o seu discurso aos limites impostos. Este enquadramento aplica-se não só aos blogs dos atletas, mas igualmente às suas intervenções «em web sites de terceiros».

Além do respeito pela privacidade dos outros atletas, o COI exige aos atletas internautas que não divulguem «informações susceptíveis de comprometer a segurança, o decurso e a organização dos Jogos». Neste ponto, mais uma vez, os termos permitem ao COI uma interpretação bastante alargada das suas prerrogativas.»

Para ler na íntegra: Le Monde

Gosto muito deste conceito: a liberdade de expressão enquanto prerrogativa de uma classe profissional. Então não havia de dar jeito...
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30.5.08

a democracia precisa do psd

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Refinadíssima, a análise política do Popeline.
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brincar às eleições

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Anda McCain secretamente a estruturar-se em apoios a Hillary Clinton tentando enfraquecer o futuro candidato Obama? Ou é a gente de Obama que anda a tentar tramar McCain?

Foi divulgado na WikiLeaks um relatório, aparentemente com origem na campanha do candidato republicano, que descreve uma estratégia delineada para penetrar num universo de potenciais eleitores democratas (mulheres brancas acima dos 40 anos, especificamente), com base em recém-testadas «linhas de ataque através das redes de independentes pró-Clinton na Internet, pontos de reunião de apoiantes locais» e meios similares. São apontados os três argumentos que podem retirar mais votos a Obama: a proximidade do reverendo Wright, a inexperiência e as ligações à corrupta máquina política de Chicago.

Nada disto é novo, só incautos ou ingénuos podem ignorar que a política se faz geralmente assim. Seja qual for a origem, o documento é ilustrativo.

As engrenagens alimentam-se dos nossos votos.
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28.5.08

as visitas

a
Criei um perfil na netlog. Passei uma semana a declinar 'pedidos de amizade' dos virtuais garanhões das redondezas. Não obstante, cruzei-me com a lista de hobbies de um bombeiro que pratica «mergulho à pneia».

(Detalhe sociológico: a proporção de visitas femininas é de 1/70...)
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26.5.08

agarrados

a
Às vezes o pior não são as substâncias, são as atitudes que se entranham. De tal forma que a gente chega a reconhecer que a vida talvez não lhes valha mesmo o esforço de tentar sair delas.

São opções.
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25.5.08

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Se o Abdu imaginasse o quanto gostei do mobile que balançava sobre as nossas cabeças enquanto tomávamos o seu aromático chá senegalês, eu não conseguia ter saído daquela tenda de mãos vazias. Mas um destes dias ainda volto para o comprar, provavelmente.
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24.5.08

a

salão de jogos, Leça da Palmeira

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23.5.08

bairro negro

a
Nas proximidades, resta um bairro de lata - já foram quase uma dezena. O que vou dizer não é simpático, mas é verdade: a maioria dos habitantes distingue-se pelo cheiro. Não há nem condições mínimas de salubridade, nem noções básicas de higiene. As crianças são enfezadas e têm os dentes podres. Os adultos não têm dentes.

A última tendência? Pintar madeixas loiras nos cabelos... das crianças. Meninas pequenas precocemente travestidas, quase sempre com futuro incerto pelo longo passeio da avenida. Morrem cedo, todas elas.

Imagine-se uma realidade em que cerca de 80% dos pais e mães das crianças do 1º ciclo são alcoólicos. É mais ou menos o que se passa aqui. E já foi pior: há uns anos alargava-se a muito mais gente.
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22.5.08

tem ratos

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o factor c

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«Direcção Geral dos Serviços de Urbanização

Direcção de Urbanização do Distrito de Viana do Castelo

Gabinete do Engenheiro Director, 8 de Fevereiro de 1956


Meu prezado amigo:

Recebi a sua carta de 6 e, por coincidência, ontem mesmo me foi transmitido o resultado do seu protegido, José Teixeira de Freitas, no concurso para aspirantes administrativos dos CTT.
Embora aprovado, infelizmente as suas provas não consentiram que a posição obtida fosse de molde a classificar-se para as vagas actuais que julgo serem em número de 120.
A sua posição é muito alta - nº 200 -, tendo ficado aprovado com 11,9.
Desconheço se o concurso tem validade por dois anos, como é normal, e só neste caso terá possibilidades de vir a ser admitido, salvo se houver bastantes desistências, o que muitas vezes acontece.
Interessei-me pelo caso tanto quanto era possível mas, como muito bem sabe, é sempre difícil, quando há provas escritas, deitar água benta naquilo que se escreveu.

Cumprimentos nossos para a sua esposa e da minha mulher para si.

Um abraço do amigo
(ilegível)»


Coisas que aparecem pelo meio dos livros que herdei do meu avô. Era, de facto, outro país: hoje ninguém se atreveria a manter esta correspondência.
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21.5.08

pré-adolescência

a
- Ó mãe, preferias ser um carneiro ou uma galinha?
- Eu sei lá! E tu?
- Uma galinha.
- E porquê?
- Porque um carneiro só faz o que manda o chefe; a galinha também é burra, mas pelo menos é independente.

Tinha eu a mesma idade, estávamos no PREC. Esta era a minha música preferida:






PS: Estou feita!...
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20.5.08

mais um filme...

a
Há exactamente um ano que ando a ver uma senhora em sucessivos actos de profunda deslealdade com duas colegas de trabalho, porque se lhe meteu na ideia que pode garantir emprego durante a próxima década.
A gente finge que não dá por ela, mas vai observando o 'modus operandi' e anulando os golpes. Aparentemente, preparava-se para tentar criar problemas muito sérios a uma imigrante brasileira. Aparentemente...
Os próximos tempos prometem folhetim.
a

obrigatório facultativo

a
«Inglês obrigatório em todos os anos do 1º ciclo em 2008/09», diz o título. «A frequência (...) é gratuita e ao mesmo tempo facultativa», diz a notícia.
a

18.5.08

vida de ministro

a
Dia de casório. Entre os convidados, estava um ministro. Ninguém lhe dirigia palavra que não fosse para diagnosticar o mau estado da nação. A dada altura dei por mim quase a ter pena do homem... além de passar o dia a repetir a mesma cassete, deve apanhar cada seca!
a

17.5.08

16.5.08

ai os nervos

a
As provas de aferição que 'não contam para nada', como se costuma dizer, têm a vantagem de servir para mostrar como se desdramatiza esta coisa dos exames. Isso sim, pode ser um grande ensinamento. Na escola, o ambiente era engraçado: os únicos nervosos pareciam ser os professores...
a

15.5.08

soaring dances

a
skin blasts through we still
and touch the depths,
our minds our souls were never lost:
we're facing heroes after all.

it ain't no game
there is an end for every journey
and all the dead keep walking by

(but rest in peace

so many years
it's been so close)

another step into the dark
and we might even seek the mystery
but not survive
liquid crystals soaring dances ancient fears
melting away through-out the night

if shutting my eyes
i'd feel no distance:
over the limit we lose the sky

and so we stand
a

14.5.08

mais um condomínio de luxo

a

Será que os promotores imobiliários se vão lembrar de dizer que o queimódromo fica em frente?
a

13.5.08

drogas e adolescentes

a
- Porque é que as pessoas se drogam?
- Porque é bom.

A pergunta era da Judite de Sousa. A resposta, do João Goulão. Ninguém pode dizer que seja mentira. Aliás, se não fosse bom nem seria um problema.

Andamos nós uma vida a ensinar às criancinhas que a droga é merda, e vai daí elas crescem, e há um dia em que até experimentam e a coisa não se revela assim tão má... Eis o momento em que tudo o que alguma vez dissemos perde a credibilidade: fica demonstrado que pura e simplesmente não conhecemos aquilo de que estamos a falar (ou então que mentimos, o que é pior). Relativizar não rima com ser adolescente. Ouvir 'cotas' ignorantes também não.

Está meio mundo indignado com o IDT por expor a realidade como é, e não como gostávamos que fosse. Mas é essa a que os nossos filhos enfrentam.



Acrescento às 13h50:

«No futuro, as drogas serão uma escolha de cada um», entrevista de Goulão ao DN, há uns meses. O homem pode ser controverso, mas sabe do que fala. E não se trata sequer de estar ou não de acordo, apenas de ter esta perspectiva em conta. Porque vai ser mesmo assim, provavelmente.
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12.5.08

a
a

de regresso às rotinas

a
Os melhores dias de férias? Os que acontecem de surpresa. Lavam a alma.
a

9.5.08

de rabo na boca

a
Confesso que os meus conhecimentos de economia são bastante rudimentares, meia-dúzia de noções básicas. Mas há coisas que me parecem puro bom senso:

1. A especulação financeira faz subir em flecha os preços dos alimentos. Tudo isto tem a ver com os mercados de futuros, há comida que chegue. O que está é demasiado cara para cada vez mais gente.

2. Meia-dúzia de títulos mais sensacionalistas, alguns jornalistas mais ignorantes, e está criado o grande medo: um destes dias, ninguém tem o que comer.

3. Pede-se dinheiro aos ricos do mundo para alimentar os pobres. Alimentando-se, paralelamente, a cadeia que acaba no bolso dos tais especuladores financeiros... de que outra forma poderia a coisa funcionar?
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8.5.08

noites da queima

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Hoje é rock.

(Depois desta, são só mais duas...)
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honra e glória às democracias

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«Quando o som foi restabelecido, juiz e prisioneiro tentaram compreender-se. Depois de isolado por longos anos, Jawad pretendia exprimir-se sobre o seu caso. O coronel Kohlmann [o juiz] explicou que viria a ter a palavra em devido tempo, mas que arriscava perdê-la se continuasse a interromper. De momento, queria apenas saber se Jawad tinha compreendido os seus próprios direitos, nomeadamente o de constituir um advogado. 'Não quero advogados, estou inocente', respondeu o acusado. 'Deviam libertar-me. Assim poderia encontrar um advogado', sugeriu finalmente. 'Isso está fora de questão', concluiu o juiz.

«Nesta altura, Jawad tinha ouvido o suficiente. Queixou-se de dores de cabeça e da saúde afectada pela constante exposição à luz. O juiz insistiu nos procedimentos. Jawad pousou a cabeça sobre a mesa, resignado a ouvir a leitura dos seus direitos. Depois retirou os auscultadores. 'Não me incomodem mais', pediu.»

Relato de um julgamento em Guantánamo, em Março passado, retirado de uma crónica de Corine Lesnes no Le Monde. Não difere em nada do que já li acerca de processos contra dissidentes no regime de Fidel.
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