24.6.08

é s. joão!

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Matosinhos, Nov. 2007

Em ano em que não há paciência para uma noite empestada de sardinha, uma constatação:

Ele diz que é a crise, os ricos mais ricos, os pobres mais pobres. Aqui à volta, parece que a crise é um pouco diferente, já que uns e outros se desdobraram em lançamentos de fogo-de-artifício noite fora. Começou pelas dez, ainda continua. Aqui em Matosinhos, nunca tinha visto nada assim.

Os protestos contra o aumento do custo de vida continuam quarta-feira.
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19.6.08

a

ele há melgas!

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Há mais ou menos um mês, chegou-me um panfleto. A mãe de uma das crianças da turma tinha comprado uma peça de estanho para oferecer à professora e convocava uma reunião com os eventuais interessados em comparticipar na «oferta colectiva».

O que primeiro me ocorreu? Que é uma bela forma de rentabilizar os monos que nos oferecem. Que decidir primeiro e consultar depois não é maneira de fazer as coisas. Que a professora deve ter a casa mais que cheia dos ditos monos. Que tenho mais o que fazer à vida.

Não tinha interesse, não apareci. Pensei que a coisa estava arrumada. Mas quem me manda pensar a mim pensar?

Hoje era festa de finalistas. Vai daí, logo de início, sou abordada pela organizadora. Que éramos os únicos a não entrar. Paciência, respondi. Que seriam três euros por cabeça. Mas a questão é de princípio, não de preço. Desistiu.
Mas não é que tivesse percebido: ao final veio outra. Assim mais ao coração. Era uma prenda dos meninos - que não foram tidos nem achados no assunto -, haveria um postal assinado por todos e, em grande final, iriam um a um, e de surpresa, depositar uma rosa na mesa da senhora. O postal e a rosa, vá, ainda concedi para não estragar a festa. Mas a coisa era em pacote, não podia...

Puxou-me a veia poética transversal. Quer dizer: entornou-se mesmo o caldo. Se não era, não ficou. E a senhora, de cara à banda, lá continuava a insistir que a menina com certeza fica triste, e eu a sossegá-la, lembrando que a explicação das razões - à menina e à professora - são da minha exclusiva competência.

À menina já expliquei. Encolheu os ombros.
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17.6.08

... e a caravana passa

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«É cada vez mais complicado conseguir um visto para entrar na China e o Governo chinês impôs fortes restrições à renovação dos vistos, o que obrigou milhares de empresários e estudantes estrangeiros a abandonarem o país asiático nas últimas semanas, não podendo regressar antes do final dos Jogos Olímpicos.» [JN]

«Since 2003, 64 people have been arrested for publishing their views on a blog, says the University of Washington annual report.
In 2007 three times as many people were arrested for blogging about political issues than in 2006, it revealed.
More than half of all the arrests since 2003 have been made in China, Egypt and Iran, said the report.» [BBC News]
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home cinema

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O raio das voltas da vida por vezes são muito divertidas. Sobretudo quando se tem por costume apreciar certas festas familiares mais do lado da cozinha. Como quem está por engano, mais ou menos, nem por isso...
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16.6.08

evitar polémicas

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É tudo 'clean': os árbitros não se enganam, o público não se exalta em demasia e provavelmente até os jogadores deixaram de soltar palavrões.

«Pela primeira vez na história do Campeonato Europeu de Futebol, a UEFA tem o monopólio sobre a edição das imagens de todos os jogos. Um painel de árbitros decide quais os momentos do jogo que podem ser difundidos nos estádios, excluindo aqueles que possam provocar reacções violentas dos espectadores, e apenas as imagens produzidas pela UEFA são cedidas às televisões.» [Público, sem link]

O princípio é simples: são os donos do quintal, portanto acham-se também donos do que por lá se passa. Afinal, é só espectáculo. E negócio. Ou mais um capítulo do manual acerca da confiança que não se pode ter nos media, que também estão dependentes de contratos publicitários.

Ou me engano muito ou mais bonito ainda vai ser nos Jogos Olímpicos.
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o fim do calvário

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Faltam cinco dias, cinco. E acabam quatro anos a amanhecer às 6h30 da manhã.

É obra!

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14.6.08

primeiro voo

aMarta Seixas, acrílico sobre tela, da exposição Para Uma Cartografia Interior, Galeria OM, Penafiel, 2002.
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13.6.08

cheers!

a[foto: BBC News]
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o lado negro

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Há duas ou três que nunca os vi tocar ao vivo, nem nos tempos dos concertos no Iodo e na Cruz Vermelha de Massarelos. E mereciam.

(«Não ponhas os do buraco!», pedia a minha mãe a cada vez que nos via aproximar do gira-discos.)

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12.6.08

outros sentidos

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Um perfume é também um estado de espírito. Por isso escolher às vezes é complicado, sob o seu véu amanhecerão alguns meses de humores e desumores. Convém que lá caibam.

Talvez fosse o pesado vento leste, o ar quente e poluído, o monte de roupa à espera de ferro: escolhi um verão com cheiro a ervas frescas. A ver se tempera os ambientes.
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11.6.08

e por onde se dá a volta?

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Tem toda a razão quem aponta às transportadoras rodoviárias as culpas pelas consequências de enfrentarem a concorrência trabalhando a preços demasiado baixos.

Mas, bem vistas as coisas, é o que uma grande maioria de nós anda a fazer - trabalhamos precariamente, muitas vezes com prejuízo, e já nem achamos que isso seja anormal. Vamos andando.
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10.6.08

o 25 de abril não foi por engano?

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Quase 70% dos meus concidadãos acham que ser português equivale a ser católico [Público, sem link].

Depois da raça, a religião. Este 10 de Junho está a ser eloquente.
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dia da raça?!

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Eu, é mais rafeiro. Vira-lata.
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9.6.08

no reino dos 'supônhamos'

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O absurdo explicado ao comum dos cidadãos:

«Who knows why oil prices are so high?», na BBCNews.

Possibilidades como «um corretor achar divertido ser o primeiro a vender petróleo acima dos cem dólares por barril» ainda não me tinham ocorrido, confesso.

Como de costume, ninguém sabe exactamente o que se passa: a informação básica não é facultada pelos intervenientes. No reino dos 'supônhamos', portanto.
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6.6.08

sobretudo a zara

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«A Zara e 'O Sexo e a Cidade' mudaram os costumes das portuguesas, que passaram a olhar mais para si mesmas e deixaram de pactuar com os defeitos masculinos, indo embora quando se cansam deles».

Margarida Rebelo Pinto, «Visão»
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5.6.08

mais raro ainda

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Diz que são raros, mas este veio de um quintal onde são todos assim: um quintal não alinhado.
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4.6.08

depois dos atletas, os visitantes

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«A China prepara-se para acolher 500 mil visitantes estrangeiros durante os Jogos Olímpicos de Agosto e de todos eles espera que se comportem de acordo com as regras. Serão interditos protestos, bem como utilizar panfletos ou slogans contra o Governo. Pessoas com intenções "subversivas", doenças mentais ou sexualmente transmissíveis, ou com objectivo de se prostituir não poderão entrar no país. E para entrar, ou ter visto, não basta ter um bilhete para assistir aos jogos.


(...)


A lista de recomendações explica que não serão tolerados quaisquer materiais - escritos, filmados, gravados ou em imagem - "prejudiciais à política, à economia, cultura e padrões morais" da China.» [Público, sem link]

No Tibete, conta a BBCNews, o clima continua crispado. Os monges estão a ser 'reeducados'.
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choque tecnológico

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«(...) fica-se a saber que 77% dos estabelecimentos de ensino oficial dispunham, àquela data, de computadores, contra 23% no ensino privado. Por isso, a relação alunos/computador era de 10,3 para o ensino público, contra os 6,5 para o ensino particular.» [JN]

Se em vez de por isso tivessem escrito não obstante, batia certo. Mas não escreveram e não foi gralha: todo o texto, e o próprio título, remetem para o princípio de que 1/10 é maior que 1/6. Provavelmente o autor também já escreveu acerca dos maus resultados a matemática no Ensino Básico. Ou do aumento do preço dos combustíveis.
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3.6.08

bom conselho

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Chegado o dia em que tínhamos autorização para usar a aparelhagem dos pais, a gente começava também a aventurar-se pelos seus discos. No meio da música clássica e da revolucionária, brilhava esta pérola:


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2.6.08

downtown

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Os pescadores patrulham a lota. Os polícias vigiam o patrulhamento dos pescadores. Os malandros guardam algum recato, à espera que passe o movimento. Assim anda Chicago* por estes dias.

*Chicago é uma designação local para a área que medeia entre a Docapesca e o mercado, aproximadamente, aquele enclave junto ao porto onde desde sempre se concentram as actividades paralelas da economia cá do burgo.
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ysl por betty catroux

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Or a farewell to a longtime survivor. Born with a nervous breakdown.
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1.6.08

lembre-se

a
De um concerto em S. Paulo, em 1979. A Elis que não costuma aparecer pelas antologias:



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31.5.08

o coi e os bloggers

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«O Comité Olímpico Internacional (COI) estabeleceu directivas para controlar a utilização de blogs e páginas pessoais na Internet por «pessoas acreditadas» - atletas e restantes membros de comitivas - para comentar as suas experiências olímpicas. O objectivo é limitar o aparecimento de questões políticas, mas igualmente preservar os seus próprios interesses comerciais.

«Os blogs das pessoas acreditadas que incluam conteúdo olímpico devem, em permanência, ser conformes ao espírito olímpico e aos princípios fundamentais do olimpismo enunciados na Carta Olímpica, bem como respeitar a dignidade e ser de bom gosto», especificam as directivas.



Ao mesmo tempo que se serve de princípios gerais que lhe garantem uma capacidade de intervenção bastante alargada, o COI estabelece um quadro regulamentar muito estrito para os blogs de atletas, anexando desta forma toda a Internet à sua zona de influência habitual nos sites olímpicos.

O COI relembra aos atletas que os seus blogs são «uma forma legítima de expressão individual e não uma forma de jornalismo», e que, consequentemente, ao contrário dos media, deverão submeter o seu discurso aos limites impostos. Este enquadramento aplica-se não só aos blogs dos atletas, mas igualmente às suas intervenções «em web sites de terceiros».

Além do respeito pela privacidade dos outros atletas, o COI exige aos atletas internautas que não divulguem «informações susceptíveis de comprometer a segurança, o decurso e a organização dos Jogos». Neste ponto, mais uma vez, os termos permitem ao COI uma interpretação bastante alargada das suas prerrogativas.»

Para ler na íntegra: Le Monde

Gosto muito deste conceito: a liberdade de expressão enquanto prerrogativa de uma classe profissional. Então não havia de dar jeito...
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