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28.6.08

o recreio

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Há ainda um jardim de aromáticas, uma pequena horta, um campo de jogos e uma quintinha.

Não, não é uma escola para elites endinheiradas, é o Centro Infantil (creche, jardim-de-infância e ATL) da Santa Casa da Misericórdia de Matosinhos.

Ou a principal razão para não ter alinhado nas extracurriculares oferecidas na escola pública. Lá não há relva onde sujar as calças.
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16.5.08

ai os nervos

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As provas de aferição que 'não contam para nada', como se costuma dizer, têm a vantagem de servir para mostrar como se desdramatiza esta coisa dos exames. Isso sim, pode ser um grande ensinamento. Na escola, o ambiente era engraçado: os únicos nervosos pareciam ser os professores...
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29.3.08

então e as turmas?

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(nota: este post foi publicado por engano ainda em estado de rascunho e devidamente acrescentado algumas horas depois)

Há uns tempos, andava no ar uma certa revolta por as escolas terem sido referenciadas por seleccionar os alunos ao constituir as turmas. Lá foi outra vez a ministra acusada de andar a querer denegrir a imagem da classe docente, mas por ora ninguém se lembra do caso.

O facto é que, com toda a naturalidade, a Escola Carolina Michaelis reconhece ter agrupado um conjunto de alunos com percursos disciplinares prévios complicados noutros estabelecimentos.
E parece que não há quem estranhe que assim aconteça, é mesmo normalidade vigente haver nas escolas grupos de adolescentes estruturados com mais condições de se organizarem como bandos do que como turmas.

Agrada a todos, a começar nos pais dos outros: ninguém quer ver os seus filhos em grande convívio com os gandins. Estes, que normalmente já em família foram privados da aprendizagem das regras básicas de socialização, ficam igualmente impedidos de as aprender entre pares, pelo menos minimamente.

Por outro lado, se há coisa necessária é saber lidar com esta gente - vamos levar com eles vida fora, no quotidiano, nos empregos, nos transportes (até mesmo na família, tantas vezes...) Não vejo por que há-de ser uma tragédia aprender na escola a lidar com realidades transversais a toda a comunidade.

Ontem tive uma amostra do que deverá ser a reacção da maioria das famílias de crianças prestes a transitar para o 2º ciclo: é o pânico total, encha-se a escola de polícias!


PS - Li hoje a notícia de que está por regulamentar o acesso ao Ensino Básico antes da idade normal de crianças precoces ou sobredotadas. A prolongar-se a situação, este ano lectivo ficam de fora. Confesso que me custa a crer que tal aconteça, mas se se vier a passar, processe-se o Estado: estará a lesar gratuita e irremediavelmente os direitos básicos desses cidadãos.
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23.10.06

um país de doutores





Têm entre 7 e 8 anos e 25 horas semanais de carga horária curricular. Mais cerca de meia hora diária de TPC. O que dá à volta de 27 horas por semana, ou seja, menos 8 do que as horas de trabalho que um funcionário público, adulto, tem que cumprir.


Se frequentarem as tão faladas actividades extracurriculares nas escolas públicas de Matosinhos, são brindados não com uma, nem com duas, mas com TRÊS horas semanais de Inglês (já lá vão 30!), mais a Música, a Educação Física (que até agora era parte do horário lectivo normal), o Estudo Acompanhado... (Isto, numa escola com espaço exíguo, e que por isso só oferece horário extra três dias por semana aos mais velhos, dois dias aos mais novos. Não fosse esse pormenor, levavam todos com uma carga horária de 40 horas semanais...)


Ignoro o que passa pela cabeça de quem decide estas coisas. Nas reuniões, bridam-nos com discursos bem intencionados, com o dinheiro que se gasta em ATL, com o nobre propósito de facilitar a vida aos pais... mas não se fala no bem-estar dos meninos, que é suposto terem vida para além da escola, que é suposto terem um futuro mais largo do que batalhar pelas médias que um dia poderão dar acesso ao Ensino Superior.


Se calhar até dá jeito crescerem assim: quase duas décadas de ininterrupto marranço, de premente necessidade de ficar entre os melhores, não deixam muito espaço a que se pense nos outros lados da vida, a que se tentem caminhos divergentes, a que se experimentem aventuras pelo mundo.


Se o que se vê, muitas vezes, quando se olha à volta é uma mole de jovens (e menos jovens) adultos alheados da realidade do(s) mundo(s), sem noções complexas de comunidade, isentos de capacidade crítica, a viver fora de tempo a adolescência que acabaram por nunca poder ter, por que carga de água se insiste na fórmula? Será que a ideia é levá-los também rumo a uma infância tardia, passando então a adolescência mental a ser vivida lá mais para a meia-idade?


15.9.06

socorro!

Inicia-se o ano lectivo: foi hoje de manhã a sacrossanta reunião de pais!
Vinte e tal almas numa sala, e ninguém que ache estranho deixar os filhos o dia inteiro numa escola em que, para garantir esse prolongamento de horário, tenha que ser sacrificada uma boa parte do (pequeno) recinto do recreio.
Metem os filhos em pavilhões, com actividades impostas e organizadas o dia inteiro, e esfregam as mãos de contentes porque vão poupar dinheiro!
Podem assim as crianças crescer normais?