Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens

16.9.09

uma questão estética

a



Não costumo comprar 'best-sellers', é raro corresponderem às expectativas. Mas quando, há alguns anos, me deparei com o romance de um norte-americano cuja acção se desenrola entre judeus secretos na Lisboa do início do século XVI, venceu a curiosidade. E ainda bem: «O Último Cabalista de Lisboa» é um belíssimo livro.

Fui seguindo a obra de Zimler desde então. Surpreende-me sempre pela profundidade das personagens e pela humanidade dos pontos de vista e, em alguns casos, pela mestria do jogo de escondidas em que nos enreda.

Um destes dias deparei com um novo, «Os Anagramas de Varsóvia», e não me apeteceu esperar pela edição em língua inglesa (que geralmente aparece na Fnac uns meses depois, a quase metade do preço...)

E serve este post para relatar que, à primeira leitura, acabei com a sensação de ter sido literalmente encostada à parede.

Tive que voltar ao princípio e fazer de novo toda a viagem para perceber o que me perturbou tanto - e que foi, ao fim e ao cabo, a capacidade de Zimler de nos levar aos recônditos mais sórdidos da condição humana mantendo uma magistral elegância.
a

26.6.08

plano pessoal de leitura

a
Os clássicos da literatura portuguesa que volta e meia acabo por oferecer? «Nome de Guerra», do Almada Negreiros, e a Poesia do António Maria Lisboa.

Desta vez pendeu para o segundo:


POEMA DO COMEÇO


Eu num camelo a atravessar o deserto
com um ombro franjado de túmulos numa mão muito aberta

Eu num barco a remos a atravessar a janela
da pirâmide com um copo esguio e azul coberto de escamas

Eu na praia e um vento de agulhas
com um Cavalo-Triângulo enterrado na areia

Eu na noite com um objecto estranho na algibeira
- trago-te Brilhante-Estrela-Sem-Destino coberta de musgo
a

25.10.06

estória, história, História, histórias

1. Ver jornalistas chamar estórias às histórias que têm em mãos não deixa de ser elucidativo quanto ao conceito que têm da profissão e quanto ao grau de fiabilidade da Imprensa que por cá temos.

2. Ver tanto regozijo nos quase 250 comentários ao post que anonimamente denuncia o alegado plágio* de Miguel Sousa Tavares em «Equador» é no mínimo curioso (gostei particularmente do de 'Clara Pinto Correia'...). O autor do romance diz tratar-se de factos históricos. A ser assim, pode a História ser plagiada?
In dubio, pro reu - a matéria exposta não é suficiente para me convencer do crime.

3. Todos os anonimatos são detestáveis. Desresponsabilizam. Foram sempre uma das armas dos regimes totalitaristas.
Uma assinatura não tem que ser um bilhete de identidade, mas, mesmo inventada, é uma referência que permite nomear as coisas. (Por isso mesmo este blog não aceita comentários sem nome.)

Acrescento à meia-noite:
4. As más intenções anónimas permitem quase tudo, como muito bem demonstra o Blasfémias.

*Acrescento em 30.out.2006:
Este endereço (freedomtocopy.blogspot.com) abre presentemente um blog com o título «Equador: Miguel Sousa Tavares» que se dedica à divulgação do romance, «uma obra considerada, unanimemente, de referência».
De referência? Unanimenente? Só se for nas vendas. Bem escrito, bem construído, gostei bastante de o ler. Mas, sem ser especialista, não me parece que traga algo de substancialmente novo nem no estilo, nem na estrutura, nem na forma como a estória evolui.
Só o futuro poderá aferir das referências que guardou. Até lá, tirem-me dessa unanimidade, por favor.