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16.2.07

152 milhões de euros...

a
... é o preço oficial do novo negócio:


Um acordo entre a empresa holandesa Trafigura Beher e o Governo da Costa do Marfim isenta ambas as partes de qualquer responsabilidade criminal no caso da distribuição de resíduos tóxicos a céu aberto por várias zonas da capital comercial daquele país. Os três responsáveis da empresa que estavam detidos preventivamente pelas autoridades locais foram libertados.


Em Setembro passado, morreu cerca de uma dezena de pessoas e mais de 70.000 sofreram intoxicações na sequência do despejo das águas sujas do petroleiro Probo Koala (na imagem), que na realidade actuava como refinaria de petróleo clandestina, por várias lixeiras públicas de Abidjan. [5,5 milhões de euros...] [5,5 milhões de euros... (2)]

A quantia agora acordada servirá, claro, para 'indemnizar as vítimas' e para a construção de uma unidade de 'tratamento de resíduos'.

Também serve de barómetro para avalizar da refinação clandestina de petróleo a bordo de cargueiros em curso pelo Atlântico como actividade altamente lucrativa. O combustível assim obtido, de má qualidade e de elevado grau poluente - afinal um petroleiro não é exactamente uma refinaria -, é depois vendido pelo continente africano. A coisa vai-se disfarçando com o transporte de cargas perfeitamente legais em simultâneo. É uma alegria!

(Com jeitinho, a Trafigura Beher ainda foi buscar algum dinheiro a outras empresas a operar no ramo, a braços com o problema do tratamento destes resíduos na Europa, onde o processo é fiscalizado e sai mais caro.)

[Le Monde] [BBC News]
a

30.9.06

5,5 milhões de euros... (2)

Um barco cheio de lixo tóxico às voltas pelo mundo a tentar largá-lo. Mais detalhes acerca de como se faz a coisa:


"Probo-Koala" : la mortelle errance d'un bateau-poubelle
LE MONDE | 29.09.06

© Le Monde.fr

27.9.06

5,5 milhões de euros...

... foi o lucro (estimado) da operação.


Foi assim:


1. Com o preço do barril do petróleo a atingir máximos históricos de dia para dia, o Probo Koala, petroleiro registado no Panamá e fretado pela empresa holandesa Trafigura Beheer, terá feito três carregamentos de 28.000 toneladas de nafta nos EUA durante os meses de Maio e Junho.


2. Acontece que o navio funcionava, de facto, como refinaria flutuante, e as mais de 70 mil toneladas de petróleo bruto foram ali transformadas em gasolina. O processo de refinação originou resíduos tóxicos vários, entre os quais mais de 72.000 quilos de derivados de enxofre.
3. O navio atracou em Amsterdam, onde foi tentada a descarga dos resíduos, mas a operação foi anulada e seguiu para Paldiski, na Estónia, para carregar outros produtos petrolíferos.
4. Zarpou então para a Nigéria onde, em Lagos, descarregou a gasolina refinada a bordo (a fraca qualidade e o elevado teor poluente do produto impedem a sua transacção no mercado europeu).
5. Restavam os resíduos tóxicos, que foram descarregados em Abidjan, Costa do Marfim, em meados de Agosto, em contentores distribuídos por uma dezena de sítios diferentes nos arredores da cidade [mapa].
6. Sete pessoas morreram, mais de 70 mil receberam tratamento médico, algumas dezenas estão internadas em hospitais.
7. Estão a decorrer inquéritos na Costa do Marfim, na Holanda e na Estónia, onde o Probo Koala se encontra arrestado à ordem do tribunal, acusado de ter tentado despejar clandestinamente no porto de Paldiski, ao qual entretanto regressara, águas de lavagem contendo produtos tóxicos.
8. A Trafigura Beheer diz que esta história é uma mentira.


PS - Desta vez até correu para torto, a história foi conhecida. Mas quantas semelhantes não terá o continente africano, todos os anos, para contar?

(Nota: a esperança média de vida, na Costa do Marfim, é de 45 anos para os homens e de 47 para as mulheres.)

20.9.06

enquanto este blog esteve em off...

Parece ter passado despercebido, mas na semana passada aconteceu uma coisa séria: a Costa do Marfim a braços com contaminações devidas aos resíduos tóxicos que a Europa exporta e à custa dos quais os caciques locais vão enchendo os bolsos. São centenas as pessoas afectadas, já houve mesmo algumas mortes:

Témoignages à Abidjan : "Si on avait su ce qu'on transportait..."
LE MONDE | 18.09.06
© Le Monde.fr



Pergunto: com que legitimidade, com que direito, lhes damos cabo dos territórios, do equilíbrio ecológico, da saúde, dos meios de subsistência e continuamos a tentar impedir que se venham instalar no nosso pequeno oásis de boa(?) vida?







Emigrantes senegaleses chegam às Canárias - reportagens na BBC News