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31.8.08
29.8.08
uma tarde na piscina
a
A arquitectura não resulta porque é bonita, resulta porque funciona.
A piscina de Leça é simplesmente genial: em qualquer recanto se estende a toalha com algum recato, mesmo estando cheia de gente.
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A piscina de Leça é simplesmente genial: em qualquer recanto se estende a toalha com algum recato, mesmo estando cheia de gente.
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31.7.08
ai portugal, portugal...
4.5.08
a praga
31.3.08
a rimar com TCN
a
De momento, ainda é assim:

Os preços já ultrapassaram os 1400€ por metro quadrado, diz o Jornal de Notícias. O empreendimento, na Rua de Trás, é da Sache - Solidariedade e Amizade Cooperativa de Habitação Económica (!!!) e chamam-lhe reabilitação urbana de qualidade.
Quanto a mim, é um belo exemplo de como a uniformidade de volumes destrói a paisagem, de como nos roubam uma rua para fazer um corredor.
O alarmante é a notícia de que a Sache vai recuperar pelo menos 18 edifícios no centro histórico do Porto.
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De momento, ainda é assim:

Os preços já ultrapassaram os 1400€ por metro quadrado, diz o Jornal de Notícias. O empreendimento, na Rua de Trás, é da Sache - Solidariedade e Amizade Cooperativa de Habitação Económica (!!!) e chamam-lhe reabilitação urbana de qualidade.
Quanto a mim, é um belo exemplo de como a uniformidade de volumes destrói a paisagem, de como nos roubam uma rua para fazer um corredor.
O alarmante é a notícia de que a Sache vai recuperar pelo menos 18 edifícios no centro histórico do Porto.
a
27.3.08
não contem a muita gente...
Uma das coisas de que mais gosto nas cidades são os seus pequenos lugares secretos.
Este é em pleno centro de Matosinhos, a 50 metros não é fácil encontrar estacionamento. E não é nenhuma florista, mas um simples particular à conquista de espaço para um jardim.
São raros os centros históricos de grandes cidades que resistem à invasão do comércio e da restauração, acompanhando a horda de turistas. Aqui mantém-se a alma, algumas pequenas hortas, os modos de vida. E pelos vistos ninguém se incomoda com umas dezenas de plantas a ocupar o lugar onde caberiam dois automóveis.
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Este é em pleno centro de Matosinhos, a 50 metros não é fácil encontrar estacionamento. E não é nenhuma florista, mas um simples particular à conquista de espaço para um jardim.
São raros os centros históricos de grandes cidades que resistem à invasão do comércio e da restauração, acompanhando a horda de turistas. Aqui mantém-se a alma, algumas pequenas hortas, os modos de vida. E pelos vistos ninguém se incomoda com umas dezenas de plantas a ocupar o lugar onde caberiam dois automóveis.
a
21.3.08
retratos de outra cidade
a
Atente-se no número de casas fechadas. Longe do Verão, a Figueira é isto: uma amálgama de construções vazias, um espaço de ruas destratadas e semidesertas onde não apetece estar.
a
Conheci-a uns anos antes da imagem que se segue, lembro-me da construção do prédio azul ao centro. O protector solar infantil eram barras de manteiga de cacau e as férias grandes duravam três meses, havia as manhãs na praia, as tardes na piscina (quem não teve lições de natação com o professor Barrué, que se apresente...), os gelados no Tamariz e as matinés infantis no Casino ao fim-de-semana. E havia os pique-niques na serra, a da Boa Viagem, que de vez em quando juntavam toda a família - o ramo dali mais os do Porto, do Paião e de Leiria - todos devidamente munidos de tachadas de arroz de frango e garrafas de laranjada e vinho tinto.
Agora é uma marginal entupida de prédios intervalados por pequenas pracetas desagradáveis, porque em todas faz redemoinho o vento. Parece que Buarcos se vai safando dos prédios, mas a serra é uma mancha que cada vez mais se estreita no horizonte.
Numa visita a correr, um destes dias, não pude deixar de registar, na Avenida 25 de Abril, o último resistente:
e um detalhe arquitectónico recente, directamente inspirado nos castelos do Loire, com toda a certeza:
Atente-se no número de casas fechadas. Longe do Verão, a Figueira é isto: uma amálgama de construções vazias, um espaço de ruas destratadas e semidesertas onde não apetece estar.
12.1.08
pensar o espaço urbano
a
«(...)
Desde a noite dos tempos, a arquitectura foi sempre feita para durar. A preocupação com a orientação dos edifícios, com a eficácia dos formas está presente nos trabalhos de arquitectos romanos ou renascentistas - Vitrúvio, Alberti, Palladio. Foi preciso esperar pelo século XX para assistirmos a uma arquitectura de costas voltadas para o meio envolvente! Agora procuramos repor o valor do equilíbrio térmico dos edifícios, utilizar o mínimo de energia possível. Mas, no fundo, o que devia mudar é mais a ética, não a técnica. De que serve limitar os consumos de energia das habitações se os seus moradores vão para o trabalho de automóvel? A construção e o urbanismo estão ligados. É preciso evitar a dispersão de edifícios por territórios muito vastos. Dito isto, não me parece que estas sejam questões que apaixonem o mundo da arquitectura, mesmo sendo essenciais.
(...)
A arquitectura actual tem problemas em exprimir algo além de si própria, em manifestar o interesse colectivo. Fecha-se sobre si própria porque muitos profissionais têm a impressão de que os fenómenos urbanos lhes escapam. Interessamo-nos só pelos objectos arquitectónicos, não pelo espaço que os interliga. Ora, o vazio integra a arquitectura tanto quanto o edificado.
(...)
O urbanismo deve encontrar as formas de exprimir o interesse colectivo e deter-se na prioridade de definir o espaço público. Seja qual for o projecto, no mínimo é necessário que o espaço público seja honrado. Defendo um urbanismo oportunista. Trabalho em função do projecto, do espaço envolvente, com os meios disponíveis. O urbanismo deve conjugar todos estes elementos, mesmo os mais banais. Deve criar as condições necessárias a que uma cidade funcione mesmo com os seus elementos médios, vulgares e falhados. O mundo não é harmonioso. A cidade ideal não existe.
(...)»
Yves Lion, arquitecto, professor, fundador em 1997 da Escola de Arquitectura da Cidade e dos Territórios de Marne-la-Vallée, em entrevista ao Le Monde.
a
«(...)
Desde a noite dos tempos, a arquitectura foi sempre feita para durar. A preocupação com a orientação dos edifícios, com a eficácia dos formas está presente nos trabalhos de arquitectos romanos ou renascentistas - Vitrúvio, Alberti, Palladio. Foi preciso esperar pelo século XX para assistirmos a uma arquitectura de costas voltadas para o meio envolvente! Agora procuramos repor o valor do equilíbrio térmico dos edifícios, utilizar o mínimo de energia possível. Mas, no fundo, o que devia mudar é mais a ética, não a técnica. De que serve limitar os consumos de energia das habitações se os seus moradores vão para o trabalho de automóvel? A construção e o urbanismo estão ligados. É preciso evitar a dispersão de edifícios por territórios muito vastos. Dito isto, não me parece que estas sejam questões que apaixonem o mundo da arquitectura, mesmo sendo essenciais.
(...)
A arquitectura actual tem problemas em exprimir algo além de si própria, em manifestar o interesse colectivo. Fecha-se sobre si própria porque muitos profissionais têm a impressão de que os fenómenos urbanos lhes escapam. Interessamo-nos só pelos objectos arquitectónicos, não pelo espaço que os interliga. Ora, o vazio integra a arquitectura tanto quanto o edificado.
(...)
O urbanismo deve encontrar as formas de exprimir o interesse colectivo e deter-se na prioridade de definir o espaço público. Seja qual for o projecto, no mínimo é necessário que o espaço público seja honrado. Defendo um urbanismo oportunista. Trabalho em função do projecto, do espaço envolvente, com os meios disponíveis. O urbanismo deve conjugar todos estes elementos, mesmo os mais banais. Deve criar as condições necessárias a que uma cidade funcione mesmo com os seus elementos médios, vulgares e falhados. O mundo não é harmonioso. A cidade ideal não existe.
(...)»
Yves Lion, arquitecto, professor, fundador em 1997 da Escola de Arquitectura da Cidade e dos Territórios de Marne-la-Vallée, em entrevista ao Le Monde.
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