8.4.09

19.3.09

para acabar de vez com os pendentes

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(Digamos que este calor fora de época, presentemente, também tem culpa: fica-se a cabeça pelos serviços mínimos, e ainda assim...)

Houve, durante estas semanas, momentos em que me disse: isto tenho que contar. Uns passaram-me entretanto da ideia, mas dois ou três regressam a cada vez que penso num post. Para resolver de vez a questão, aqui ficam:

Em Chicago, uma caldeirada pela mão de quem as fazia em pleno mar, na faina. Entre os convivas, um romeno renitente, diz que peixe não, não gosta. Mas prova, come, repete, lambuza-se depois com o arroz que se faz na calda. «E não gostavas de peixe?», estranho. Ele olha para os restos de raia, ruivo, pargo e sei lá que mais que repousam no prato e responde: «Mas isto não sabe a peixe!» Mais tarde há-de rematar a refeição com um copo de leite simples muito quente.


Estádio do Mar, Leixões-Belenenses. A cada cinco anos, mais ou menos, dá-me para ir ao futebol. Mas nunca tinha sido com convite de claque e lugar guardado bem no centro. Por duas horas, a sensação de mergulhar numa dessas moles de gente alvo de estudos e documentários que às vezes vemos na tv.


Segurança Social, Matosinhos. Uma manhã e meia tarde de filas. No monitor, a SSTV, o canal interno. Informações, passatempos, curiosidades tipo «amor em várias línguas», a lenda de S. Valentim e o significado das cores das rosas, quando se oferecem. A não perder.
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9.3.09

almost spring

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E, de repente, era o caos. Ou quase. Inimaginável, o estado em que nos fica a vida ao fim de dois anos a cuidar de um doente em processo de demência.

Foi uma (re)organização um pouco lenta, mas antes de mais nada era o cansaço, um peso de toneladas de sono urgente.

Pouco a pouco, instala-se alguma normalidade na vida. Do lado interno, a casa começa a aparecer limpa e a catraia, por assim dizer, tem de novo a mãe inteira. Do lado externo, começa a haver ordem nas burocracias, fruto de looongas horas de análise e classificação de papelada, seguidas de não menos looongas horas de tédio em escritórios, bancos e repartições.

É quase primavera. Há de novo luz. É bom estar de volta!
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7.1.09

o recado

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Outra vez Gaza. O objectivo é antigo e a estratégia minuciosa, um dia acabam mesmo por expulsar de lá os palestinianos todos.

Mas porquê esta ofensiva exactamente agora? Uma inequívoca mensagem de Israel ao mundo inteiro em vésperas da tomada de posse do novo presidente dos EUA. E a garantia de que todos os rastilhos hão-de continuar acesos. Por muito tempo.
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2.1.09

quando eu for grande...

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... quero ter 9 anos




Pássaros, ratinhos, coelhos, cães - é infindável a colecção de animais que já me quiseram meter casa dentro. Normalmente, exerço o meu presidencial direito de veto materno.

Há tempos, deixei entrar um viveiro de joaninhas. E desta vez não tive pretexto para recusar: uma tartaruga não é coisa que cause grande transtorno doméstico, normalmente. Aliás, até comprei o par para não ter de ficar a ver um animal sozinho às voltas.

Chegaram pelo Natal e costumam trabalhar por turnos. De dia, repousa mais a Lenta, à noite é a Veloz quem fica alheia ao movimento. Mas nas últimas duas noites do ano, em que a mesa se alongou pela sala fora e a casa se encheu de brilho e gente, parece que quiseram apreciar a festa. E juntaram-se à gente, cabeças sempre de fora a perscrutar o ambiente.

Minutos antes de entrar o novo ano, fizeram pose para o retrato. E ao bater da meia-noite também tiveram direito a cumprimento - beijinhos soprados pela menina que às vezes passa horas a ler em voz alta para elas. Contos de encantar.

BOM ANO NOVO!

24.12.08

well, it's Xmas...

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... so let it be!


BOM NATAL!
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9.12.08

asterisco

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Ainda a propósito do post anterior, no site da Fenprof encontro este registo. Aqui fica.
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7.12.08

sem título possível

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Adeus, pai. Ou até sempre. Com amor.
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28.11.08

sonhar durante o fado

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«Que fazes com a alma/Quando ela se enlaçar/Com o corpo, lado a lado?»
Sérgio Godinho



Entra quase como quem está ali por engano. Mas é até que toda a gente se apresente, que a voz aqueça, que a sala embale. Depois disso tudo flui.

Foi grande a noite, ontem, no Coliseu.
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25.11.08

angel & demon

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Uma churrascaria gordurenta em tarde de karaoke, ambiente familiar, dos 8 aos 80, na praia do Areinho.

Há sítios assim: só dá figuras. Ali, elas eram quase todas grandes e gordas - ou a caminho - e eles quase todos uns finguelinhas.

Havia um senhor que dançava à Travolta, outro que era mais vira, tudo isto ao som de Toni Carreira. E entre o bando das moças 'casadoiras', inscrito a prateado, este traseiro:



Não acho que lá volte, é como ter ido às festas de S. Pedro da Afurada em noite de concerto do Roberto Leal - uma vez é divertido, à segunda é redundante. Mas é dos sítios que não se esquecem.
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27.10.08

post de outono

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Os dias passam tranquilos, solarengos, e a gente aproveita da luz cada segundo. Vai ser inverno.

Por cá, avizinham-se tempos duros. Volta e meia rondam abutres, ávidos de más notícias. Nem sempre atendo.

Há uma negritude que se cola à espuma dos pensamentos, não encaixam no discurso. O que quer dizer que é tempo de os deixar em paz.
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25.10.08

a
LEIXÕÕÕES!
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17.10.08

no coração da cidade

a
Bem lá no centro, em Chicago, também não gostam dos separadores da Av. Serpa Pinto. É que dificultam muito a vida a quem evita cruzar-se com os carros da polícia...
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16.10.08

preciosidades

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Coisas que me aparecem pelos caixotes... isto de cuscar papéis tem um lado divertido!
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14.10.08

os pilares

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«(...) A verdade é que as entrevistas, as declarações à saída disto ou daquilo, as conferências de Imprensa, os press release, os comunicados, obedecem a modelos canónicos que asseguram há longos anos a seriedade da Imprensa e a segurança das instituições.

(...)

É de muito mau gosto e revela um espírito malformado procurar explicitar certas expressões consagradas. Os leitores sabem o que elas significam e o jornalista não deve passar um atestado de menoridade à inteligência dos leitores. Só jornalistas associais, inadaptados, anarquistas, bolcheviques e congéneres não respeitam as convenções linguísticas estabelecidas. Toda a gente sabe que quando um político diz que 'vai ser nomeada uma Comissão de Inquérito' isso significa 'o assunto vai ser abafado'. É inoportuno e manifesta enorme falta de experiência e de educação perguntar-lhe: 'Isso significa que o assunto vai ser abafado?' Se tal sucedesse o político deveria responder-lhe: 'Não faço comentários', que significa, como toda a gente sabe, 'Acertou em cheio!' Não deveria todavia o jornalista, sob pena de ficar o resto da vida a redigir e Necrologia, insistir: 'Isso significa que acertei em cheio?' Do mesmo modo, quando um político diz que 'não está agarrado ao lugar', apesar de toda a gente saber que isso quer dizer 'daqui não saio, daqui ninguém me tira!', não é conveniente o jornalista perguntar-lhe mais nada sobre o assunto que eventualmente possa forçar o homem a expressar melhor o seu pensamento.

E o mesmo em relação a outros ditos de uso corrente em entrevistas, conferências de Imprensa e declarações mais ou menos públicas. Toda a gente sabe que 'não confirmo nem desminto' significa 'como é que este tipo soube?'; que 'o assunto está a ser estudado' significa 'não faço a menor ideia do que se trata'; que 'ganhe o melhor' significa 'precisamos de ganhar, nem que tenhamos que oferecer um casaco de peles à mulher do árbitro'; que 'o povo português, etc.' significa 'votem em mim'; que 'o senhor director não está' significa 'o senhor director está mas não está para o aturar'; que 'os altos interesses nacionais' significa 'convém-me que'; que 'reduzir o peso do sector público' significa 'passar a patacos as EP's que dão lucro e fazer os contribuintes pagar os prejuízos das outras'; que 'competitividade' significa 'salários baixos'; que 'flexibilidade das leis laborais' significa 'despedimentos fáceis'; que 'competência' significa 'é do meu partido'; que 'o árbitro roubou-nos um penalti' significa 'perdemos porque jogamos pior'; que 'grande arbitragem' significa 'fomos benefeciados pelo árbitro'; que 'estou muito contente por vir cantar a Lisboa' significa 'saquei uma boa maquia a estes pategos'; que 'o Porto é a capital do trabalho' significa 'preciso dos votos daqueles parolos'; que não tenho nada a declarar' significa 'é tudo verdade'; que 'segundo fontes geralmente bem informadas' significa 'disse-me um chofer de táxi'; que 'observadores são de opinião que' significa 'foi-me encomendado que espalhasse que'; que 'isto é um off the record' significa 'contem tudo mas não digam que fui eu que disse'; e por aí adiante.

As convenções linguísticas dos homens públicos e dos jornalistas são pilares sobre que assentam a segurança da sociedade democrática e a liberdade de Imprensa. Os leitores, os telespectadores, os ouvintes da rádio, dominam um complexo código cifrado de comunicação que os jornalistas devem respeitar, sob pena de deverem procurar emprego a vender andares ou a legalizar carros de emigrantes em qualquer agência fora do tempo e do espaço. (...)»


«Breve tratado do saber viver para as novas gerações de jornalistas»
Manuel António Pina
(JN - 12.12.87)

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12.10.08

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Outono é tempo de se deitar à terra a semente.

Por cá é tempo de se dar mais uma volta à vida: há novas circunstâncias para toda a gente.

À minha frente, umas boas semanas de actividade a cuscar papéis. Aparecem coisas como esta:



Entretanto, vai-se andando tranquilamente (quando não chove...)

Recuperar o sono sem alertas, sem incómodos mais ou menos permanentes - o papiloma, finalmente, foi à vida há uns dias - é recuperar uma parte da leveza.

(Tão tranquilamente que nem apetece escrever.)
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24.9.08

a inflação que não se vê

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Aumentar o preço dos produtos sem o consumidor dar por ela: os truques da indústria alimentar no Le Monde.
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17.9.08

perspectivas

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Passava por nós um bando de adolescentes em enorme algazarra. Visivelmente incomodada, comenta a catraia:

«E pensar que daqui a uns anos eu também vou ser assim!...»
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15.9.08

back to school

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«Todos nós vamos ajudar-te a ser uma Criança feliz, um Jovem compreendido para que sejas um Adulto com conhecimentos, responsável e útil à sociedade.»

[folheto de boas-vindas distribuído aos alunos do 5º ano da EB 2.3 de Matosinhos]

A directora de turma dá aulas de Educação Musical, Formação Cívica e Área de Projecto. Nos primeiros dez minutos de discurso, contei-lhe meia dúzia de erros.
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